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31/07/2013

Os Maias - Capítulos V e VI

Ociosidade
O início do cap. V mostra-nos o parasitismo social de quem consome e nada produz, gastando o tempo em ócios inúteis. Afonso da Maia, o general Sequeira, D. Diogo, o Marquês de Souselas, Steinbroken e outros entregam-se ao jogo, símbolo da ociosidade.

Eusebiozinho
Eusebiozinho é alvo de troça, como vai ser até ao fim da obra. Castigo da sua educação. Agora quer fazer politica, é membro do Partido Progressista (ironia!).

Steinbroken
É traçado o retrato de Steinbroken, um embaixador inútil, que passa a vida em serões, onde canta de vez em quando algumas melodias finlandesas.

Carlos ocioso
Carlos estava “indolente e bocejando”. Bocejar é o verbo que o carateriza neste momento em que os seus projetos entram em crise. O laboratório estava pronto, mas “jazia virgem e ocioso”. Carlos estava muito mais interessado no jogo com o velho Randon, no luxo, nos cavalos e no bricabraque. O narrador, sempre critico, destaca que ele salvara de um garrotilho a filha de um brasileiro e ganhara a primeira libra. “a primeira libra que pelo seu trabalho ganhava um homem da sua família”.

Ega
Ega abandonara ou adiara sine die os seus projetos: estava interessado em Raquel Cohen com quem mantinha um adultério elegante e escondido. Também abandonou os furores naturalistas para fazer o elogio de Vítor Hugo, pelo seu lado romântico.

Carlos e Ega: projeção da geração de Coimbra
Há quem veja nas personagens de Carlos e Ega uma projeção da ineficácia prática da Geração Revolucionária de Coimbra (Questão Coimbra e Conferências do Casino) e a frustração derivada do desfasamento entre o ideal e a realidade. O narrador é cáustico na ironia.

Jantar no Hotel Central
O jantar no Hotel Central é o primeiro exemplo dos “Episódios da Vida Romântica”. Tem por objetivos retratar a sociedade lisboeta (portuguesa) da segunda metade do séc. XIX e apresentar Carlos a essa sociedade.

Carlos e Craft, projeção do autor
O tema nuclear discutido é a Literatura, ou seja, a oposição entre Romantismo e Naturalismo, tema que abre e fecha o episódio. A opinião de Carlos e Craft é possivelmente a do autor, nesta fase da sua evolução literária. Vê-se como se vai afastando do Naturalismo e aproximando do Impressionismo, Parnasianismo e Simbolismo.

Ponto de vista Interno
Carlos vê Maria Eduarda: 1ª função nuclear da intriga
Carlos vê pela primeira vez aquela que para sempre ficará gravada na sua consciência. Era ele que tinha o papel de localizar este episódio e, por isso, não pode deixar de observar a “sua deusa”. O ponto de vista interno representa o afastamento das normas naturalistas que exigiam um narrador sempre omnisciente.

Retrato de Maria Eduarda
A simbologia das cores, da cadelinha e de todos os elementos que indiciam possibilidades de fixação. Comparar esse retrato com o de Maria Monforte.

A dimensão onírica
Carlos, obcecado com a imagem, sonha com ela. A dimensão onírica é já uma característica do simbolismo. A subjetividade é um afastamento da objetividade defendida pelos naturalistas.

Expressividade da linguagem
Analisar a expressividade da linguagem em dois momentos: as palavras do narrador a propósito de Alencar (“Pobre Alencar…” até “encavacou”) e a visão onírica de Maria Eduarda.


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