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10/07/2013

Os Maias - Capítulos I e II

Analepse inicial
A ação do romance “Os Maias” inicia-se no Outono de 1875, quando Carlos já está formado em Medicina. Por isso, o narrador teve de proceder a um recuo temporal ou a uma analepse com o objetivo de nos dar a conhecer os antecedentes de Carlos.

História e discurso
De 1875 a 1820 (data deduzida) vão 55 anos de história que ocupam cerca de 85 páginas. O discurso é, pois, muito menor do que a extensão da história, porque o narrador, omnisciente, recorreu a uma redução temporal, realizada por sumários e elipses.

História de Afonso e história de Pedro
Durante a analepse são narradas duas histórias: a de Afonso da Maia e a de Pedro da Maia. A primeiro tem dois objetivos: primeiro, apresentar dois espaços históricos, sociais e culturais (o espaço miguelista a que se ligou Caetano da Maia e espaço liberal a que se ligou Afonso da Maia); segundo, mostrar Maria Eduarda Runa presa a um catolicismo retrógrado, ministrado pelo Padre Vasques e tipificado na famosa Cartilha, uma espécie de catecismo antiquado, e ligada a uma misteriosa doença; religião e doença que a consumirão e marcarão o seu filho Pedro.

Intriga secundária: Pedro da Maia e Maria Monforte
A história de Pedro da Maia e de Maria Monforte constitui a intriga secundária de índole naturalista. Com efeito, o percurso biográfico e amoroso de Pedro só é explicável à luz dos chamados fatores naturalistas: raça, educação e meio. Quanto à raça, o texto saliente o paralelismo de identidade entre a mãe e o filho; quanto à educação a que a mãe escolhe, tendo o Padre Vasques como orientador, uma educação que impede o desenvolvimento físico, moral e intelectual, tornando-o “um fraco em tudo”; quanto ao meio, Pedro, após a morte da mãe, frequentou um ambiente moralmente baixo. Eis, pois, Pedro lançado no trilho que o levará inexoravelmente à destruição. Fica provada a tese de que o ser humano é um produto desses fatores naturalistas que o condicionam irrefreavelmente. Pedro torna-se um herói romântico, sem heroísmo, com uma solução romântica.

A expressividade da linguagem
Adjetivação: fresco nome, paredes severas, tímida fila de janelinhas, gravidade clerical do edifício, paz dormente, etc.
Adjetivo e gerúndio: ora faiscantes e despedindo raios das vidraças acesas em brasa.
Duplo adjetivo: barba de neve aguda e longa; verdadeira lisboeta, pequenina e trigueira.

Figuras de estilo
Ironia e humor: “uma harmonia de tons severos, onde destacava, na brancura imaculada do mármore, uma figura de rapariga friorenta, arrepiando-se, rindo, ao meter o pezinho na água.”
Sinestesia: “e o conchego quente, e um pouco sombrio dos estofos escarlates e pretos, era alegrado pelas cores cantantes de velhas faianças holandesas.”
Personificação/ animização: “ora tomando aos fins da tarde um ar pensativo” (Eça é panteísta, acreditando que todas as coisas têm espirito).
Aliteração
Tradução com extraordinária expressividade o paralelo entre o estado atmosférico e o estado de espirito de Pedro (Eça é, neste campo, um parnasiano, trabalha a forma com muita arte.)

Simbolismo
Os Maias são um romance impregnado de linguagem simbólico. Chamamos a atenção para este facto que deve ser tido em conta para a descodificação do sentido da obra. Para já, os alunos devem reter o simbolismo das cores (negro, vermelho, etc.), dos três elementos destacados no jardim do Ramalhete (Vénus, Citereia, cascata e cipreste/cedro), da forma como foi dado o nome a Carlos e do número três.


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