Translate

22/07/2013

Os Maias - Capitulo III

Educação
A educação de Carlos foi feita sob a orientação do precetor inglês Brown sob ordem de Afonso da Maia. Notam-se as diferenças entre os dois tipos de educação, que deveriam conduzir a comportamentos opostos.

Aprovação e desaprovação da educação «à inglesa» e «à portuguesa»
Aqueles que aprovam a educação de Carlos são os mesmos que desaprovam a educação de Eusebiozinho, assim como os que contestam a educação de Carlos são os que aprovam a de Eusebiozinho. A gente da aldeia, o Vilaça, o abade são pessoas ligadas ao passado e por isso querem ver nas crianças a mesma educação que lhes foi ministrada, sendo resistente às mudanças. Afonso da Maia, lembrando-se do que aconteceu ao seu filho, prefere uma educação mais moderna, que possa desenvolver a totalidade do ser, sobretudo a vontade. O narrador, sempre crítico, opta pela educação à inglesa. Basta ler com atenção e discurso indireto livre, e as páginas que se referem à educação de Eusebiozinho para se ter a perspetiva do narrador.

Carlos romântico
Estudante em Coimbra, Carlos depressa mostrou a sua tendência para romantismo sensual, entregando-se a duas ligações amorosas. Herança do pai? Da mãe? Da ausência de educação moral e religiosa?
O luxo e a tendência para o diletantismo (sonhos, projetos utópicos, nunca realizados) serão dois dos vícios de Carlos, que nunca o largarão e o impedirão de agir.

Ponto de vista interno
O narrador abdica por duas vezes da sua omnisciência, conferindo a uma personagem o papel de localizar dois momentos: a educação de Carlos e a educação de Eusebiozinho. É Vilaça quem cumpre essa função. Este fato vai contra as normas do naturalismo que defendia a total objetividade, exigindo sempre a omnisciência do narrador.

Ega
Carlos liga-se, em Coimbra, “aos mais revolucionários” e sobretudo a João da Ega, que será seu eterno amigo e confidente. Ega era um boémio diletante.

Caraterização indireta
Analisar o retrato de Carlos e verificar que o narrador optou pela caraterização indireta, fornecendo apenas o essencial, deixando para os leitores o papel de completar a caraterização, observando a sua atuação. Uma vez mais a subversão das normas naturalistas, que exigiam a total caraterização das personagens, não podendo estas afastar-se da mesma. Notar a cor dos olhos de Carlos, cor que pode funcionar como um indício de desgraça.

Expressividade da linguagem
“Carlos mobilizou-o com luxo. Numa antecâmara, guarnecida de banquetas de marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de coleções do “Charivari”, de vistas estereoscópicas, de álbuns de atrizes seminuas, para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano mostrava o seu teclado branco.”
  • Destacar os elementos que comprovam o luxo;
  • Tirar partido das conotações de sensualidade e de ócio;
  • Destacar o simbolismo do piano.



Sem comentários:

Enviar um comentário