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02/07/2013

A Vida de José Saramago

Filho e neto de camponeses, José de Sousa Saramago nasceu no dia 16 de Novembro de 1922, na Azinhaga do Ribatejo, pequena freguesia do concelho da Golegã. A família mudou-se para Lisboa quando ele tinha apenas dois anos, mas seriam frequentes as visitas à terra natal, de que guardava vivas e emocionadas memórias.

Por razões económicas, o futuro escritor interrompeu os estudos no Liceu Gil Vicente, que só frequentou dois anos, e passou para a Escola Industrial Afonso Domingues, onde aprende o ofício do serralheiro mecânico e onde estabeleceu, igualmente, os primeiros contactos com a Literatura. Aos 18 anos, começou a trabalhar nos Hospitais Civis de Lisboa, como serralheiro mecânico. Aí passou também pelas funções de funcionário administrativo e desenhador. Entretanto, lia sempre, centenas de livros, tendo sido, nessa época, provavelmente o utilizador mais assíduo da biblioteca do Palácio Galveias.

Em 1944, casou com a pintora Ilda Reis, união que se manteve ao longo de 26 anos. Em 1947, nasceu a filha Violante, no mesmo ano em que saiu a lume o seu primeiro título, o romance Terra de Pecado, quase despercebido, e passaram quase vinte anos até que voltasse a publicar. A sua atividade profissional, no entanto, tinha já conhecido uma importante mudança: trabalhou doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção e colaborou, como crítico literário, na revista Seara Nova.
Em 1966, publica a coletânea Os Poemas Possíveis, seguida, em 1970, de Provavelmente Alegria e, em 1971 e 1973, os livros de cronicas Deste Mundo e do Outro e A Bagagem do Viajante. Em 1972 e 1973, fez parte da redação do prestigiado Diário de Lisboa, onde foi cronista, comentador político e coordenador do suplemento cultural – alguns dos artigos que então escreveu constituíram As opiniões que DL teve, publicado no ano da revolução de Abril. Em 1975, quando desempenhava as funções de diretor-adjunto do Diário de Noticias, voltou à poesia, com O ano de 1993.

Desde então, não foi mais interrompida a carreira do Nobel português que, a partir de 1976, passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário. Além de poeta e cronista, Saramago é também dramaturgo – A Noite (1979), Que Farei com Este Livro? (1980), A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987), In Nomine Dei (1993); contista – Objeto Quase (1978 – Prémio Scanno de Literatura, Itália), “O Ouvido” (1979, inserido na obra coletiva Os Cinco Sentidos), O Conto da Ilha Desconhecida (1998), autor de um peculiar roteiro de viagem, Viagem a Portugal (1981) e do diário Cadernos de Lanzarote (I volume publicado em 1994). É no entanto o romance que mais se destaca na obra de José Saramago, uma das internacionalmente mais conhecidas, traduzidas, estudadas e premiadas da literatura portuguesa contemporânea.

Recebeu vários e importantes prémios com os quais livros e autor foram distinguidos: Manual de Pintura e Caligrafia (1977), Levantado do Chão (1080 – prémio Cidade de Lisboa e Prémio Internacional Ennio Flaiano, Itália), Memorial do Convento (1982 – prémio PEN Clube Português, Prémio Literário Município Lisboa), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984 – prémio PEN Clube Português, Prémio da Critica da Associação Portuguesa de Críticos, Prémio Dom Dinis, da Fundação da Casa de Mateus, Prémio Grinzane-Cavour, Itália, prémio do jornal “The Independent”, Inglaterra), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1986), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991 – Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Ensaio sobre a Cegueira (1995 – Prémio Arcebispo Juan de San Clemente, Espanha), Todos os Nomes (1997), A Caverna (2000), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004).

Pelo conjunto da sua obra são inúmeras as homenagens, doutoramentos honoris em causa em Universidades de renome (Sevilha, Turim, Manchester…) condecorações, mas serão de destacar o prémio Internacional Literário Mondello, Itália (1992), Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (1993), o Prémio Camões, Portugal (1995), o Prémio Rosalia de Castro, Espanha (1996) e Prémio Nobel da Literatura, na Suécia (1998).

Casado desde 1988 com a jornalista espanhola Pilar del Rio, José Saramago viveu com a sua mulher na ilha de Lanzarote, nas Canárias. Faleceu no dia 18 de Junho de 2010.

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