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31/07/2013

Os Maias - Capítulos V e VI

Ociosidade
O início do cap. V mostra-nos o parasitismo social de quem consome e nada produz, gastando o tempo em ócios inúteis. Afonso da Maia, o general Sequeira, D. Diogo, o Marquês de Souselas, Steinbroken e outros entregam-se ao jogo, símbolo da ociosidade.

Eusebiozinho
Eusebiozinho é alvo de troça, como vai ser até ao fim da obra. Castigo da sua educação. Agora quer fazer politica, é membro do Partido Progressista (ironia!).

Steinbroken
É traçado o retrato de Steinbroken, um embaixador inútil, que passa a vida em serões, onde canta de vez em quando algumas melodias finlandesas.

Carlos ocioso
Carlos estava “indolente e bocejando”. Bocejar é o verbo que o carateriza neste momento em que os seus projetos entram em crise. O laboratório estava pronto, mas “jazia virgem e ocioso”. Carlos estava muito mais interessado no jogo com o velho Randon, no luxo, nos cavalos e no bricabraque. O narrador, sempre critico, destaca que ele salvara de um garrotilho a filha de um brasileiro e ganhara a primeira libra. “a primeira libra que pelo seu trabalho ganhava um homem da sua família”.

Ega
Ega abandonara ou adiara sine die os seus projetos: estava interessado em Raquel Cohen com quem mantinha um adultério elegante e escondido. Também abandonou os furores naturalistas para fazer o elogio de Vítor Hugo, pelo seu lado romântico.

Carlos e Ega: projeção da geração de Coimbra
Há quem veja nas personagens de Carlos e Ega uma projeção da ineficácia prática da Geração Revolucionária de Coimbra (Questão Coimbra e Conferências do Casino) e a frustração derivada do desfasamento entre o ideal e a realidade. O narrador é cáustico na ironia.

Jantar no Hotel Central
O jantar no Hotel Central é o primeiro exemplo dos “Episódios da Vida Romântica”. Tem por objetivos retratar a sociedade lisboeta (portuguesa) da segunda metade do séc. XIX e apresentar Carlos a essa sociedade.

Carlos e Craft, projeção do autor
O tema nuclear discutido é a Literatura, ou seja, a oposição entre Romantismo e Naturalismo, tema que abre e fecha o episódio. A opinião de Carlos e Craft é possivelmente a do autor, nesta fase da sua evolução literária. Vê-se como se vai afastando do Naturalismo e aproximando do Impressionismo, Parnasianismo e Simbolismo.

Ponto de vista Interno
Carlos vê Maria Eduarda: 1ª função nuclear da intriga
Carlos vê pela primeira vez aquela que para sempre ficará gravada na sua consciência. Era ele que tinha o papel de localizar este episódio e, por isso, não pode deixar de observar a “sua deusa”. O ponto de vista interno representa o afastamento das normas naturalistas que exigiam um narrador sempre omnisciente.

Retrato de Maria Eduarda
A simbologia das cores, da cadelinha e de todos os elementos que indiciam possibilidades de fixação. Comparar esse retrato com o de Maria Monforte.

A dimensão onírica
Carlos, obcecado com a imagem, sonha com ela. A dimensão onírica é já uma característica do simbolismo. A subjetividade é um afastamento da objetividade defendida pelos naturalistas.

Expressividade da linguagem
Analisar a expressividade da linguagem em dois momentos: as palavras do narrador a propósito de Alencar (“Pobre Alencar…” até “encavacou”) e a visão onírica de Maria Eduarda.


29/07/2013

Os Maias - os temas discutidos

A literatura e a crítica literária

Tomás de Alenquer
Incoerente; condena no presente o que cantara no passado: o estudo dos vícios da sociedade.
Falso moralista: refugia-se na moral por não ter outra arma de defesa; acha o Realismo/ Naturalismo imoral.
Desfasado da crítica literária de natureza académica:
  • Preocupa-se com aspetos formais em detrimento da dimensão temática;
  • Preocupa-se com o plágio.

João da Ega
Defensor do Realismo/ Naturalismo.
Exagera, defendendo o cientifismo na literatura.
Não distingue Ciência e Literatura.

As Finanças
Cohen
É calculista cínico: tendo responsabilidade pelo cargo que desempenhava, lava as mãos e aceita que o País caminha direitinho para a bancarrota, como diz Carlos.
A ocupação dos ministérios é “cobrar o imposto” e “fazer o empréstimo”.

João da Ega
“… À bancarrota seguia-se uma revolução, evidentemente. Um país que vive da «inscrição», em não lha pagando, agarra no cacete (…) E, passada a crise, Portugal, livre da velha divida, da velha gente, dessa coleção grotesca de bestas…”

A história politica
João da Ega
Aplaude as afirmações do Cohen.
Delira com a bancarrota como determinante da agitação revolucionária.
Defende a invasão espanhola.
Defende o afastamento violento da Monarquia.
Aplaude a instalação da Republica.
A raça portuguesa é a mais covarde e miserável da Europa.
“Lisboa é Portugal! Fora de Lisboa não há nada.”

Tomás de Alenquer
Teme a invasão espanhola: é um perigo para a independência nacional.
Defende o romantismo político: uma república governada por génios e a fraternização dos povos.
Esquece o adormecimento geral do País.

Cohen
Há gente séria nas camadas políticas dirigentes.
Ega é um exagerado.

Dâmaso Salcede
Se acontecesse a invasão espanhola, ele “raspava-se” para fora do País.
Toda a gente fugiria como uma lebre.

A heroína da intriga principal aparece como uma deusa
…” ofereceu a mão a uma senhora alta, loira, com um véu muito apertado e muito escuro que realçava o esplendor da sua carnação ebúrnea. Craft e Carlos afastaram-se, ela passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.”


27/07/2013

Os Maias - Jantar no Hotel Central

Vida social e “A Deusa”

No Hotel Central
“… Então outra coisa! – Exclamou Ega. – Para conversarmos, para que vocês se conheçam mais, venham vocês jantar comigo ao Hotel Central. Dito, hem? Perfeitamente. Às seis.

Os intervenientes
  • João da Ega, promotor da homenagem e representante do Realismo/Naturalismo;
  • Cohen, o homenageado, representante das Finanças;
  • Tomás de Alencar, o poeta ultra-romântico;
  • Dâmaso Salcede, o novo-rico; representante dos vícios do novo-riquismo burguês, “a catedral dos vícios”;
  • Carlos da Maia, o médico e o observador crítico, a quem será confiado o “ponto de vista interno” do romance;
  • Craft, o britânico, representante da cultura artística e britânica.


25/07/2013

Os Maias - Os projetos de Carlos e Ega entraram em crise

De Carlos
Carlos já falava sério da sua carreira
“De resto, ocupava-se sempre dos seus cavalos, do seu luxo, do seu bricabraque. E através de tudo isto, em virtude dessa dispersão de curiosidade…”

Escrevera, com laboriosos requintes de estilistas, dois artigos para “Gazeta Médica” e pensava em fazer um livro de ideias sérias – “Medicina Antiga e Moderna”
“Ah, a revista… Sim, está claro, pensar nisso! Havemos de falar, eu aparecerei…”
“Mas não aparecia no Ramalhete, nem no Consultório.” Ele e Ega vão-se “gouvarinhar”, a tentação da condessa e o romance, depois.

De Ega
“O seu dandismo requintava. O «arranjinho do Ega» - romance com a Raquel – adultério elegante.
  • … a antiga ideia do Ega, a criação de uma revista;
  • “As Memórias de um Átomo”;
  • A Vila Balzac.

O livro é adiado e o estilo é romântico: amoroso (relacionado com a Cohen), medievalista.
Tenta Carlos ao apresentar-lhe a Gouvarinho e diz: Terça-feira vou-te buscar e vamo-nos “gouvarinhar”.
Ninho dos amores do Ega e da Cohen: “beberam champagne que Jacob arranjou ao Ega, para o Ega se regalar com a Raquel.”


22/07/2013

Os Maias - Capitulo III

Educação
A educação de Carlos foi feita sob a orientação do precetor inglês Brown sob ordem de Afonso da Maia. Notam-se as diferenças entre os dois tipos de educação, que deveriam conduzir a comportamentos opostos.

Aprovação e desaprovação da educação «à inglesa» e «à portuguesa»
Aqueles que aprovam a educação de Carlos são os mesmos que desaprovam a educação de Eusebiozinho, assim como os que contestam a educação de Carlos são os que aprovam a de Eusebiozinho. A gente da aldeia, o Vilaça, o abade são pessoas ligadas ao passado e por isso querem ver nas crianças a mesma educação que lhes foi ministrada, sendo resistente às mudanças. Afonso da Maia, lembrando-se do que aconteceu ao seu filho, prefere uma educação mais moderna, que possa desenvolver a totalidade do ser, sobretudo a vontade. O narrador, sempre crítico, opta pela educação à inglesa. Basta ler com atenção e discurso indireto livre, e as páginas que se referem à educação de Eusebiozinho para se ter a perspetiva do narrador.

Carlos romântico
Estudante em Coimbra, Carlos depressa mostrou a sua tendência para romantismo sensual, entregando-se a duas ligações amorosas. Herança do pai? Da mãe? Da ausência de educação moral e religiosa?
O luxo e a tendência para o diletantismo (sonhos, projetos utópicos, nunca realizados) serão dois dos vícios de Carlos, que nunca o largarão e o impedirão de agir.

Ponto de vista interno
O narrador abdica por duas vezes da sua omnisciência, conferindo a uma personagem o papel de localizar dois momentos: a educação de Carlos e a educação de Eusebiozinho. É Vilaça quem cumpre essa função. Este fato vai contra as normas do naturalismo que defendia a total objetividade, exigindo sempre a omnisciência do narrador.

Ega
Carlos liga-se, em Coimbra, “aos mais revolucionários” e sobretudo a João da Ega, que será seu eterno amigo e confidente. Ega era um boémio diletante.

Caraterização indireta
Analisar o retrato de Carlos e verificar que o narrador optou pela caraterização indireta, fornecendo apenas o essencial, deixando para os leitores o papel de completar a caraterização, observando a sua atuação. Uma vez mais a subversão das normas naturalistas, que exigiam a total caraterização das personagens, não podendo estas afastar-se da mesma. Notar a cor dos olhos de Carlos, cor que pode funcionar como um indício de desgraça.

Expressividade da linguagem
“Carlos mobilizou-o com luxo. Numa antecâmara, guarnecida de banquetas de marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de coleções do “Charivari”, de vistas estereoscópicas, de álbuns de atrizes seminuas, para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano mostrava o seu teclado branco.”
  • Destacar os elementos que comprovam o luxo;
  • Tirar partido das conotações de sensualidade e de ócio;
  • Destacar o simbolismo do piano.



19/07/2013

Os Maias - Cumplicidade do Ega

Projetos do Ega
O diletantismo
  • A revista
  • O cenáculo
  • O livro “As Memórias de um Átomo”
  • A comédia “O Lodaçal”

VS
A realidade
  • A revista – mero projeto
  • O cenáculo – mero projeto
  • O livro – sempre adiado
  • A comédia – mero projeto
  • O romance com a Cohen

ERA UM DILETANTE

Gerações envolvente de Carlos e de Ega

Velhos parceiros
O Diogo, o velho leão, a fidalguia do ancien regime; o oficial do exército; o Marquês de Souselas – fidalguia «à portuguesa» - devoto e devasso; Steinbroken (ministro da Finlândia – o diplomata inócuo.

Os rapazes
O Taveira, empregado no Tribunal de Contas; o Cruges, maestro e pianista, génio socialmente inadaptado; o Eusébio, fidalgo provinciano, politiqueiro, vivendo de rendimentos.
O Craft, o inglês, o amigo de Carlos, representante da cultura tânica.


17/07/2013

Os Maias - Carlos da Maia - Médico em Lisboa

Projetos de Carlos

O consultório
O Luxo:
  • Um criado de libré
  • Plantas em vasos de Ruão
  • Quadros de muita cor
  • Ricas molduras
  • Álbuns de atrizes seminuas
  • Um piano 

O laboratório
  • Um grande pátio
  • A porta do casarão, ogival e nobre
  • Sala para estudos anatómicos
  • A biblioteca
  • Fornos para trabalhar químicos
  • As obras arrastavam-se sem fim

Os projetos falhados
  • O consultório deserto
  • O laboratório inútil
  • A revista – mero projeto
  • O livro “Medicina Antiga e Moderna” sempre adiado
VS
A realidade
  • Os cavalos, as carruagens, o bric-a-brac
  • A atração da Gouvarinho
  • A lembrança dos amores passados

ERA UM DILETANTE

15/07/2013

Os Maias - Em Coimbra

Em Coimbra
Estudante do liceu, Carlos deixara os seus compêndios de lógica e de retórica para se ocupar de anatomia.

Nos Paços de Celas
Carlos faz ginástica científica, esgrima, wisht sério; havia ardentes cavacos, tudo flamejava no fumo do tabaco, etc.
Tinha nas veias o sangue do diletantismo.

Vida romântica
Episódio romântico com Hermengarda – adultério.
Romance torpe com a espanhola Encarnación, prostituta a quem monta casa.

Os companheiros
São dândis e filósofos, fidalgotes e revolucionários.

A formatura
Em Agosto, no ato da formatura, houve alegre festa em Celas.
“… Aí temos o nosso Maia, Carolus Eduardus ab Maia, começando a sua gloriosa carreira, … preparado para salvar a humanidade enferma – ou acabar de a matar, seguindo as circunstâncias.”

“Carlos partira para a sua longa viagem pela Europa. Um ano passou. Chegara esse Outuno de 1875; e o avô, instalado enfim no Ramalhete, esperava por ele ansiosamente.”

FIM DA GRANDE ANALEPSE


12/07/2013

Os Maias - A educação de Carlos da Maia

Fim do capítulo II
“Daí a dias fechou-se a casa de Benfica, Afonso da Maia partiu com o neto e com todos os criados para a Quinta de Santa Olávia."

Dois Tipos de Educação

«À inglesa»: Carlos
  • Contacto com a natureza – água fria
  • Exercício físico: ginástica e ar livre
  • Aprendizagem de línguas vivas: o Inglês
  • Rigor – método – ordem
  • Valorização da criatividade e juízo critico
  • Submissão da vontade ao dever

Símbolo: o Trapézio
Alma sã em corpo são
Equilíbrio clássico

Quem contesta? Vilaça, Padre Custódio, Gente da casa, Gente de Resende
Quem aprova? Afonso – narrador (discurso valorativo)

«À portuguesa»: Eusebiozinho
  • Permanência em casa
  • Contacto com velhos livros
  • Aprendizagem de línguas mortas: o Latim
  • Superproteção
  • Valorização da memorização
  • Suborno da vontade pela chantagem afetiva

Símbolo: a Cartilha
Alma doente em corpo doente
Sentimentalismo romântico

Quem contesta? Afonso – narrador (discurso valorativo)
Quem aprova? Vilaça, Padre Custódio, Gente da casa, Gente de Resende


10/07/2013

Os Maias - Capítulos I e II

Analepse inicial
A ação do romance “Os Maias” inicia-se no Outono de 1875, quando Carlos já está formado em Medicina. Por isso, o narrador teve de proceder a um recuo temporal ou a uma analepse com o objetivo de nos dar a conhecer os antecedentes de Carlos.

História e discurso
De 1875 a 1820 (data deduzida) vão 55 anos de história que ocupam cerca de 85 páginas. O discurso é, pois, muito menor do que a extensão da história, porque o narrador, omnisciente, recorreu a uma redução temporal, realizada por sumários e elipses.

História de Afonso e história de Pedro
Durante a analepse são narradas duas histórias: a de Afonso da Maia e a de Pedro da Maia. A primeiro tem dois objetivos: primeiro, apresentar dois espaços históricos, sociais e culturais (o espaço miguelista a que se ligou Caetano da Maia e espaço liberal a que se ligou Afonso da Maia); segundo, mostrar Maria Eduarda Runa presa a um catolicismo retrógrado, ministrado pelo Padre Vasques e tipificado na famosa Cartilha, uma espécie de catecismo antiquado, e ligada a uma misteriosa doença; religião e doença que a consumirão e marcarão o seu filho Pedro.

Intriga secundária: Pedro da Maia e Maria Monforte
A história de Pedro da Maia e de Maria Monforte constitui a intriga secundária de índole naturalista. Com efeito, o percurso biográfico e amoroso de Pedro só é explicável à luz dos chamados fatores naturalistas: raça, educação e meio. Quanto à raça, o texto saliente o paralelismo de identidade entre a mãe e o filho; quanto à educação a que a mãe escolhe, tendo o Padre Vasques como orientador, uma educação que impede o desenvolvimento físico, moral e intelectual, tornando-o “um fraco em tudo”; quanto ao meio, Pedro, após a morte da mãe, frequentou um ambiente moralmente baixo. Eis, pois, Pedro lançado no trilho que o levará inexoravelmente à destruição. Fica provada a tese de que o ser humano é um produto desses fatores naturalistas que o condicionam irrefreavelmente. Pedro torna-se um herói romântico, sem heroísmo, com uma solução romântica.

A expressividade da linguagem
Adjetivação: fresco nome, paredes severas, tímida fila de janelinhas, gravidade clerical do edifício, paz dormente, etc.
Adjetivo e gerúndio: ora faiscantes e despedindo raios das vidraças acesas em brasa.
Duplo adjetivo: barba de neve aguda e longa; verdadeira lisboeta, pequenina e trigueira.

Figuras de estilo
Ironia e humor: “uma harmonia de tons severos, onde destacava, na brancura imaculada do mármore, uma figura de rapariga friorenta, arrepiando-se, rindo, ao meter o pezinho na água.”
Sinestesia: “e o conchego quente, e um pouco sombrio dos estofos escarlates e pretos, era alegrado pelas cores cantantes de velhas faianças holandesas.”
Personificação/ animização: “ora tomando aos fins da tarde um ar pensativo” (Eça é panteísta, acreditando que todas as coisas têm espirito).
Aliteração
Tradução com extraordinária expressividade o paralelo entre o estado atmosférico e o estado de espirito de Pedro (Eça é, neste campo, um parnasiano, trabalha a forma com muita arte.)

Simbolismo
Os Maias são um romance impregnado de linguagem simbólico. Chamamos a atenção para este facto que deve ser tido em conta para a descodificação do sentido da obra. Para já, os alunos devem reter o simbolismo das cores (negro, vermelho, etc.), dos três elementos destacados no jardim do Ramalhete (Vénus, Citereia, cascata e cipreste/cedro), da forma como foi dado o nome a Carlos e do número três.


07/07/2013

Os Mais - Da paixão de Pedro da Maia ao suicido

Pedro da Maia e Maria Monforte
Antes do casamento
  • Mas, um dia, excessos e crises findaram. Pedro amava. (pág. 22)
  • Apaixonou-se por Maria Monforte “a negreira” (de origem misteriosa) e deixou-se seduzir pela sua beleza. (pág. 26)
  • Afonso da Maia não concorda com o casamento (pág. 30)

O Casamento
Pedro e Maria viviam uma felicidade de novela. (pág. 26)

Os filhos
  • Nasce uma menina: Maria Eduarda da Maia
  • Nasce um menino: Carlos Eduardo da Maia

A traição
Maria Monforte mantém um romance com Tancredo, o príncipe italiano, e foge com eles, levando a filha.

Pedro da Maia e Afonso da Maia
O suicídio
  • Pedro dá conta da fatalidade ao pai e leva-lhe o filho: Carlos
  • À noite Pedro suicida-se. Afinal, “era em tudo um fracasso.”
  • O desenlace típico de uma intriga naturalista: herança dos genes negativos da mãe, educação recebida, vida decalcada de fórmulas e ritos, meio devasso frequentado. 



06/07/2013

Os Maias - História de Afonso da Maia

“Os Maias eram uma família antiga da Beira (…) agora reduzida a dois varões, o senhor da casa, Afonso da Maia (…) e seu neto Carlos que estudava medicina em Coimbra.”

No passado
Longos anos o Ramalhete permaneceu desabitado (pág. 5)
(O procurador) aludia mesmo a uma lenda, segundo a qual eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete. (pág. 7)
No presente
Restauro da casa por um arquiteto-decorador de Londres indicado por Carlos. (pág. 8)
Ocupação do Ramalhete: “A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente, o Ramalhete.” (pág. 5)
“… e foi só nas vésperas da sua chegada, nesse lindo Outono de 1875, que Afonso se resolveu deixar Santa Olávia e vir instalar-se no Ramalhete.” (pág. 10)

História de Afonso da Maia (recuo no tempo – grande analepse)

Afonso da Maia e Maria Eduarda Runa
O político (1º exilio) – rebelde, liberal, jacobino aos olhos de seu pai Caetano da Maia, teve de partir para Inglaterra donde regressa após a morte do pai.
Casamento – casa com Maria Eduarda Runa, filha do Conde de Runa, e, observando Lisboa, vê-a miguelista, devassa, bestial e sórdida. (pág. 14 e 15)
2º Exilio – a polícia invade-lhe a casa em Benfica e partem os três (Afonso, mulher e filho Pedro da Maia).

A educação de Pedro em Inglaterra
Pela mãe – Odiando aquela terra de hereges, não consentia que Pedrinho fosse estudar ao colégio de Richond – não era o seu catolicismo (pág. 17); Mandou vir o P. Vasques, capelão de Runa, que lhe ensinava o catecismo (fórmulas), latim (declinações) e a Cartilha.
Pelo pai – Tenta levá-lo a correr com ele sob as árvores do Tamisa, mas a mamã acudia de dentro, em terror. (pág. 18)

Pedro da Maia em Lisboa
O P. Vasques – apoderava-se daquela alma aterrada. (pág. 19)
A mãe – pela mãe, ficara todo Runa e por ela sentia uma paixão doentia.
O pai – Afonso quisera-o mandar para Coimbra… mas cedeu diante as lágrimas da mãe (pág. 20)
Morte da mãe – provoca-lhe grande crise de devoto e, depois, entra em boémia e na estroinice, sendo levado por um romantismo torpe. (pág. 21)


02/07/2013

A Vida de José Saramago

Filho e neto de camponeses, José de Sousa Saramago nasceu no dia 16 de Novembro de 1922, na Azinhaga do Ribatejo, pequena freguesia do concelho da Golegã. A família mudou-se para Lisboa quando ele tinha apenas dois anos, mas seriam frequentes as visitas à terra natal, de que guardava vivas e emocionadas memórias.

Por razões económicas, o futuro escritor interrompeu os estudos no Liceu Gil Vicente, que só frequentou dois anos, e passou para a Escola Industrial Afonso Domingues, onde aprende o ofício do serralheiro mecânico e onde estabeleceu, igualmente, os primeiros contactos com a Literatura. Aos 18 anos, começou a trabalhar nos Hospitais Civis de Lisboa, como serralheiro mecânico. Aí passou também pelas funções de funcionário administrativo e desenhador. Entretanto, lia sempre, centenas de livros, tendo sido, nessa época, provavelmente o utilizador mais assíduo da biblioteca do Palácio Galveias.

Em 1944, casou com a pintora Ilda Reis, união que se manteve ao longo de 26 anos. Em 1947, nasceu a filha Violante, no mesmo ano em que saiu a lume o seu primeiro título, o romance Terra de Pecado, quase despercebido, e passaram quase vinte anos até que voltasse a publicar. A sua atividade profissional, no entanto, tinha já conhecido uma importante mudança: trabalhou doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção e colaborou, como crítico literário, na revista Seara Nova.
Em 1966, publica a coletânea Os Poemas Possíveis, seguida, em 1970, de Provavelmente Alegria e, em 1971 e 1973, os livros de cronicas Deste Mundo e do Outro e A Bagagem do Viajante. Em 1972 e 1973, fez parte da redação do prestigiado Diário de Lisboa, onde foi cronista, comentador político e coordenador do suplemento cultural – alguns dos artigos que então escreveu constituíram As opiniões que DL teve, publicado no ano da revolução de Abril. Em 1975, quando desempenhava as funções de diretor-adjunto do Diário de Noticias, voltou à poesia, com O ano de 1993.

Desde então, não foi mais interrompida a carreira do Nobel português que, a partir de 1976, passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário. Além de poeta e cronista, Saramago é também dramaturgo – A Noite (1979), Que Farei com Este Livro? (1980), A Segunda Vida de Francisco de Assis (1987), In Nomine Dei (1993); contista – Objeto Quase (1978 – Prémio Scanno de Literatura, Itália), “O Ouvido” (1979, inserido na obra coletiva Os Cinco Sentidos), O Conto da Ilha Desconhecida (1998), autor de um peculiar roteiro de viagem, Viagem a Portugal (1981) e do diário Cadernos de Lanzarote (I volume publicado em 1994). É no entanto o romance que mais se destaca na obra de José Saramago, uma das internacionalmente mais conhecidas, traduzidas, estudadas e premiadas da literatura portuguesa contemporânea.

Recebeu vários e importantes prémios com os quais livros e autor foram distinguidos: Manual de Pintura e Caligrafia (1977), Levantado do Chão (1080 – prémio Cidade de Lisboa e Prémio Internacional Ennio Flaiano, Itália), Memorial do Convento (1982 – prémio PEN Clube Português, Prémio Literário Município Lisboa), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984 – prémio PEN Clube Português, Prémio da Critica da Associação Portuguesa de Críticos, Prémio Dom Dinis, da Fundação da Casa de Mateus, Prémio Grinzane-Cavour, Itália, prémio do jornal “The Independent”, Inglaterra), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1986), O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991 – Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), Ensaio sobre a Cegueira (1995 – Prémio Arcebispo Juan de San Clemente, Espanha), Todos os Nomes (1997), A Caverna (2000), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004).

Pelo conjunto da sua obra são inúmeras as homenagens, doutoramentos honoris em causa em Universidades de renome (Sevilha, Turim, Manchester…) condecorações, mas serão de destacar o prémio Internacional Literário Mondello, Itália (1992), Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (1993), o Prémio Camões, Portugal (1995), o Prémio Rosalia de Castro, Espanha (1996) e Prémio Nobel da Literatura, na Suécia (1998).

Casado desde 1988 com a jornalista espanhola Pilar del Rio, José Saramago viveu com a sua mulher na ilha de Lanzarote, nas Canárias. Faleceu no dia 18 de Junho de 2010.