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31/05/2013

Garrett: o Homem, a Obra e o Tempo - parte II

1837 – Garrett é nomeado Inspetor-geral dos Teatros, com a missão de fundar e organizar um Teatro Nacional. Herculano publica a Harpa do Crente e inicia a edição Panorama.
1839 – Nascem Júlio Dinis e Guilherme de Azevedo. Morre a Marquesa de Alorna.
1840 – Garrett publica D. Filipa de Vilhena.
1842 – Garrett publica O Alfageme de Santarém. Restauração da Carta Constitucional; Costa Cabral no poder. Nasce Antero de Quental.
1843 – Garrett publica Viagens na Minha Terra, Frei Luís de Sousa e o 1º volume do Romanceiro. Herculano publica O Bobo. Nasce Teófilo Braga.
1844 – Herculano publica Eurico, o Presbítero e O Pároco da Aldeia.
1845 – Garrett publica o 1º volume do Arco de Santana e Flores sem Fruto. Nascem Oliveira Martins e Eça de Queirós.
1846 – Revolta da Maria da Fonte. Ministério Palmela. Herculano publica o 1º volume da História de Portugal. Nascem Gonçalves Crespo e Bordalo Pinheiro.
1847 – Revolta de Patuleia. Herculano publica o 2º volume da História de Portugal.
1848 – Garrett publica A Sobrinho do Marquês e Herculano O Monge de Cister. Nasce Gomes Leal.
1849 – Herculano publica o 3º volume da História de Portugal. Primeiras estradas macadamizadas. Inauguração do Teatro de D. Maria II.
1850 – Garrett publica o 2º volume do Arco de Santana. Herculano entra em polémica com o clero (Eu e o Clero), publica Lendas e Narrativas e Solemnia Verba. Camilo Castelo Branco publica O Anátema.
1851 – Garrett é nomeado Visconde e Par do Reino. Regeneração. Ministério de Saldanha, Fontes Pereira de Melo e Rodrigo da Fonseca Magalhães.
1852 – Garrett é ministro dos Negócios e Estrangeiros. É fundado o Instituto Industrial de Lisboa, no âmbito da modernização do ensino.
1853 – Garrett publica as Folhas Caídas.
1854 – Garrett morre, a 9 de Dezembro. Herculano publica o 1º volume da História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal. É promulgada legislação tendente a acabar com a escravatura em Portugal.


30/05/2013

Garrett: o Homem, a Obra e o Tempo - parte I

1799 – A 4 de Fevereiro, nasce João Leitão da Silva (mais tarde mudará o nome para João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett).
1800 – Nasce Castilho.
1805 – Morre Bocage.
1807 – 1ª Invasão francesa (Junot). A Corte parte para o Brasil.
1808 – A família de Garrett emigra para a ilha Terceira. Chegada das tropas inglesas a Portugal.
1809 – 2ª Invasão francesa (Soult).
1810 – 3ª Invasão francesa (Massena). Nasce Alexandre Herculano.
1815 – Garrett regressa ao continente, matricula-se, em Coimbra, no 1º ano jurídico. Queda definitiva de Napoleão.
1817 – Conspiração contra a Regência e consequente execução de Gomes Freire de Andrade.
1819 – Garrett publica Lucrécia. Morre Filinto Elísio.
1820 – Participa no movimento da juventude universitária liberal em favor da Revolução.
1821 – Garrett publica Retrato de Vénus, Catão, e conclui a sua formatura. Regresso da Corte. Extinção do Tribunal do Santo Oficio e da censura prévia. Primeiro barco a vapor no Tejo.
1822 – Garrett é nomeado para oficial da Secretaria do Reino; casa com Luísa Midosi. É promulgada a nova Constituição. Independência do Brasil.
1823 – Garrett emigra para Inglaterra, em virtude das suas ideias liberais. Vilafrancada.
1824 – Abrilada. Exilio de D. Miguel.
1825 – Garrett publica Camões. Nasce Camilo Castelo Branco.
1826 – Garrett publica D. Branca e Carta de Guia para Eleitores; funda O Cronista e colabora em O Português. Promulgada por D. Pedro IV a Carta Constitucional.
1827 – Garrett é preso e parte para novo exilio;
1828 – Publica o exilio Adozinda. Prosseguem as lutas liberais e absolutistas.
1829 – Garrett publica Da Educação e Lírica de João Mínimo.
1830 – Garrett publica Portugal na balança da Europa.
1832 – Garrett participa na expedição de D. Pedro, que desembarca no Mindelo e faz cerco do Porto. Escreve O Arco de Santana. Trabalha com Mouzinho da Silveira na redação de vários decretos.
1834 – Garrett é nomeado cônsul-geral na Bélgica (até 1836). Vitória final do Liberalismo.
1836 – Herculano publica A Voz do Profeta e demite-se do cargo de Bibliotecário da Biblioteca Pública do Porto. Nasce Ramalho Ortigão.


29/05/2013

Diferenças entre o Classicismo e Romantismo

Classicismo
  1. Domina a Razão e a Inteligência;
  2. Usa o maravilhoso pagão com personagens e lendas greco-latinas;
  3. Existe o equilíbrio e a disciplina comedida;
  4. Atende à vida de heróis sempre adultos;
  5. Aparece o homem equilibrado, saudável, moralista, disciplinado e otimista;
  6. Homem amante de viver em sociedade;
  7. Homem de realidades certas sem preocupações espirituais;
  8. A mulher é uma deusa, reflexo do amor divino (platonismo);
  9. O amor é racional e intelectualizado;
  10. A natureza é colorida e esplendorosa (Primavera e Verão);
  11. A natureza é escolhida e convencional (locus amoneus);
  12. A natureza é o espelho da mulher amada (petrarquismo);
  13. Gosto pelo Belo aristocrático, superior e quase inatingível;
  14. Versificação rígida e unidade estrófica;
  15. Vocabulário escolhido e pesado;
  16. Arte de sistemas fechados.
Romantismo
  1. Domina o coração e a sensibilidade, a fantasia e o sentimento;
  2. Usa o maravilhoso cristão e popular das lendas e tradições com personagens medievais;
  3. Existe o arrebatamento e a exaltação desmedida;
  4. Atende à vida dos humildes e das criancinhas;
  5. Aparece o homem carregado de aleijões, indisciplinado, doente irrequieto e egocentrista, sem grandes preocupações morais e pessimista;
  6. Homem revoltado contra a sociedade, individualista e solitário;
  7. Homem de incertezas, carregado de insatisfação e de angústia;
  8. A mulher é um anjo que tanto pode ser bom como mau;
  9. O amor é sentimental e sensorial;
  10. A natureza é sombria e melancólica (Outono e Inverno)
  11. A natureza é livre, espontânea, rude e selvática (locus horrendus)
  12. A natureza é um estado de alma, que se descreve;
  13. Gosto pelo Belo horrível, grotesco e vulgar;
  14. Versificação livre e variedade estrófica;
  15. Vocabulário mais correntio e familiar, mais musical e oralizante;
  16. Arte de sistemas abertos.


25/05/2013

Recursos Estilísticos - Outros

Posição do adjetivo
“Um facto importante de estilo, sobretudo em português, é a posição do adjetivo qualificativo. Vejam-se estas duas frases:
a)      O rapaz pobre necessita de fazer economias.
b)      O pobre rapaz ficou reprovado no exame.
No primeiro caso, o adjetivo pobre está utilizado no seu verdadeiro sentido, define com precisão a qualidade do rapaz: ‘rapaz sem recursos’. No segundo caso, o adjetivo é usado com significação diferente; na verdade, aquele ‘pobre rapaz’ pode ser agora um rapaz imensamente rico.”

Recursos ao advérbio de modo
“Comparem-se as três frases:
a)      O carro anda devagar.
b)      O carro anda vagaroso.
c)      O carro anda vagarosamente.
A primeira frase representa o processo corrente, tradicional, com o emprego do advérbio devagar, normalmente expressivo. Na segunda, em vez do advérbio, é usado o adjetivo, com que se pretende ao esmo tempo caraterizar o ato e o sujeito. Na terceira utiliza-se outro tipo de advérbio, constituído pelo adjetivo e pelo sufixo derivacional-mente. Qual das três formas de dizer é mais expressiva? Sem dúvida nenhuma, é mais expressiva a terceira forma. No primeiro exemplo, o advérbio, por muito usual, soa um pouco fraco e desbotado. No segundo, o adjetivo, à força de querer ser tudo, nem carateriza energeticamente a ação nem o sujeito, embora penda para este último. No terceiro, enfim, o advérbio exprime de modo perfeito a natureza do ato, introduzindo não apenas uma noção de tempo, mas ainda de modo, continuidade e movimentação.”

Utilização de onomatopeia
Pelo seu valor sugestivo e insinuante, a onomatopeia pode servir para criar efeitos muito particulares num determinado texto, de acordo com as intenções do seu autor e da mensagem a transmitir.
Ex.: “Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora”
(Vinicius de Moraes)


24/05/2013

Recursos Estilísticos - Outros

Uso do Diminutivo
Valores do diminutivo
a)      Pequenez, diminuição de tamanho;
Ex.: Comprei uma casota nova para o meu cão.
b)      Carinho, afeto;
Ex.: Querida mãezinha, como se sente?
c)      Ironia, sarcasmo;
Ex.: Não consegues levantar a caixa, és fraquito…
d)      Depreciação;
Ex.: Aquele pequenote deixa-me intrigado.
e)      Intensificação;
Ex.: Vê-se logo que são irmão, são mesmo parecidinhos!

Uso do aumentativo
Valores do aumentativo
a)      Grandeza, aumento de tamanho;
Ex.: Não sei como conseguiu comprar aquele casarão!
b)      Ironia;
Ex.: Deves ter tido um trabalhão para conseguir os bilhetes…
c)      Depreciação;
Ex.: Aquela mulheraça é assustadora. Repara na cabeçorra! E que dentuça!
d)      Proximidade afetiva;
Ex.: Anda mais depressa, meu molengão!

Presença/ausência do artigo
“O artigo possui um grande valor expressivo, quer pela sua presença e o sentido que confere ao enunciado, quer pela sua ausência.
Um nome precedido de um artigo definido refere-se à entidade ou objeto em si, considerado individualmente ou genericamente, como concreto ou abstrato. Sem artigo, alude antes à ideia que se forma dessa realidade ou desse objeto, à qualidade que se lhe atribui. Vejam-se os exemplos:
a)      O homem é acanhado.
b)      Homem não é o mesmo que dizer herói.
No primeiro, o artigo conserva o valor de indicação e particularização. No segundo, como qualidades não se apontam a dedo, não se individualizam, omitiu-se o artigo.”


22/05/2013

Figuras de Semântica ou de Pensamento

Pleonasmo – repetição da mesma ideia por palavra ou expressões diferentes, de modo a realçá-la.
Exs.: subir para cima; descer para baixo; entrar para dentro
“Vi, claramente visto, o lume vivo…”
(Camões)

Poliptoto – repetição de diversas palavras da mesma família (palavras cognatas)
Ex.: “O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor…”
(Fernando Pessoa)

Sinédoque – referência ao significado de uma palavra através de outra que com ela mantém uma relação de inclusão: a parte pelo todo; o todo pela parte; o género pela espécie; a espécie pelo género; o singular pelo plural; o plural pelo singular; a matéria pelo objeto; o abstrato pelo concreto; o autor pela obra; o traço físico pelo ser.
Exs.: “Que, da ocidental praia lusitana”
(= Portugal)
(Luís de Camões)
“Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho”
(= barco)
(Luís de Camões)

Sinestesia – manifestação, através de uma mesma expressão, de sensações captadas por órgãos sensoriais diferentes.
Exs.: cores quentes, cores frias; cheiro doce; toque perfumado
“As horas cor de silêncios e de angústias…”
(Álvaro de Campos)

Trocadilho – emprego de palavras ou expressões dúbias, para jogar com o seu sentido.
Exs.: “Perde a pena ao voar,
Ganha a pena do tormento.”
(Luís de Camões)
“Aquela cativa
que me tem cativo”
(Luís de Camões)


18/05/2013

Figuras de Semântica ou de Pensamento

Litote (s) – expressão de uma ideia afirmativa através da negação do seu contrário, com a intenção de atenuar o seu sentido.
Ex.: “Nariz alto no meio e não pequeno”
(Bocage)

Metáfora – aproximação entre dois conceitos ou duas realidades, que partilham entre si uma mesma característica.
Ex.: “A vida
é o bago de uva
macerado
nos lagares do mundo”
(Carlos de Oliveira)

Metonímia – referência a uma realidade através de uma palavra que remete para uma outra com a qual mantém determinadas relações. Pode assumir diversas modalidades: a causa pelo efeito; o efeito pela causa; a matéria pela coisa; o abstrato pelo concreto; o concreto pelo abstrato; o instrumento pela pessoa que o utiliza; o autor em vez da obra; o lugar de procedência pelo objeto.
Ex.: Nas próximas férias vou ler um Eça.
Mesmo indisposta, ela terminou o seu prato.

Paradoxo (ou Oximoro) – utilização de palavras ou ideias contraditórias na apresentação de uma realidade. Não deve confundir-se com a antítese, uma vez que representa em relação a ela um fortalecimento da ideia de oposição, conseguido pela expressão de uma contradição no seio de uma mesma entidade. Os dois termos que para ela remetem excluem-se mutuamente, destacando o seu carácter excecional.
Ex.: “Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.”
(Luís de camões)

Perífrase – expressão por demasiadas palavras daquilo que poderia ser dito em poucas.
Ex.: “Estando de posse do processo milagroso em que o entendimento se livra da cegueira e transforma umas riscas de giz numa palavra…” (= leitura)

Personificação (ou Prosopopeia) – atribuição de qualidades, sentimentos ou ações especificas dos seres humanos a seres inanimados, abstratos ou animais.
Ex.: “A chuva é obrigada a sentir que eles nem as encostas lhes estendem…”
(Jorge de Sena)


16/05/2013

Figuras de Semântica ou de Pensamento

Eufemismo – utilização de palavras ou expressões que suavizam uma realidade desagradável ou agressiva.
Ex.: “Tirar Inês ao mundo determina.”
(Luís de Camões)

Gradação – apresentação de palavras ou conceitos por uma ordem crescente ou decrescente.
Ex.: “O tempo acaba o ano, o mês e a hora…”
(Luís de Camões)

Hipálage – atribuição a uma entidade de uma característica que se refere a outra, expressa ou subentendida no discurso.
Exs.: “As tias faziam meias sonolentas…”
(Eça de Queirós)
“Abria os olhos molhados de culposas lágrimas.”
(Camilo Castelo Branco)

Hipérbole – recurso a termos exagerados na apresentação ou caraterização de uma determinada ideia ou ser, com objetivo de o enfatizar.
Ex.: “Se aquele mar foi criado num só dia, eu era capaz de o escoar numa hora…”
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Interrogação Retórica – enunciação de uma pergunta retórica com o fim de conferir maior ênfase à questão.
Ex.: “Que seria dos homens e dos rios
Da nossa infância
Sem o amor palpitante que lhes demos
A vida inteira?”
(Miguel Torga)

Ironia – utilização de determinadas palavras, expressões ou frases com um sentido contrário àquele com que são habitualmente usadas.
Ex.: “Embarque vossa doçura…”
(Gil Vicente)


13/05/2013

Figuras de Semântica ou de Pensamento

Alegoria – expressão de uma ideia abstrata através da sua materialização.
Ex.: O Anjo e o Diabo representam, no Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, o Bem e o Mal.

Animismo – atribuição de traços específicos de seres animados a seres sem vida, inanimados.
Ex.: Com a noite, adormeciam as árvores e os rios partiam em sonhos distantes.

Antítese – apresentação de uma ideia através do contraste entre duas entidades.
Ex.: “Eu que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada”
(Cesário Verde)

Apóstrofe – interpelação de uma entidade, feita com recurso ao vocativo e aproximando o discurso do tom coloquial próprio do diálogo.
Ex.: “Não pares, coração!”
(Miguel Torga)

Comparação – aproximação de duas ideias ou realidades para destacar as suas semelhanças ou diferenças, através da conjunção “como” ou de verbos e expressões a ela equivalentes (parecer, lembrar, sugerir, como se, tal como, assim como,…).
Ex.: “Esse que despe a poesia
como se fosse mulher”
(José Carlos Ary dos Santos)

Disfemismo – recursos a termos ou construções que acentuam uma determinada realidade, cruel ou negativa.
Exs.: esticar o pernil; bater a bota
“Deixa em paz a criatura. Está começando a esta hora a apodrecer, não a perturbemos.”
(Eça de Queirós)


11/05/2013

Recursos Estilísticos - Figuras Fónicas

Aliteração – repetição de sons consonânticos semelhantes em pontos próximos da frase ou do verso, reforçando o sentido e acelerando o ritmo.
Ex.: “Forte, fiel, façanhudo,
Fazendo feito famosos…”
(Álvaro de Brito)

Assonância – repetição de sons vocálicos idênticos.
Ex.: “E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos…”
(Fernando Pessoa)


10/05/2013

Recursos Estilísticos - Figuras de Sintaxe

Epizeuxe ou Reduplicação – repetição consecutiva de uma palavra ou expressão.
Ex.: Basta, basta de conversas por hoje!

Enumeração – exposição sucessiva de vários elementos, geralmente da mesma classe gramatical, apresentados de acordo com uma determinada linha lógica, de forma a intensificar uma determinada ideia.
Ex.: “um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;”
(Luís de camões)

Hipérbato – alteração da ordem mais vulgar das palavras, a fim de destacar uma delas ou uma expressão.
Ex.: “A minha bela ingrata
Cabelo de ouro tem, fronte de prata…”
(Jerónimo Baia)

Paralelismo (de construção) – repetição de uma frase, de uma ideia ou de uma construção frásica.
Ex.: “Pára-me um tempo por dentro
passa-me um tempo por fora.”
(José Carlos Ary dos Santos)

Polissíndeto – repetição propositada do elemento de ligação entre palavras ou frases (frequentemente a conjunção coordenativa), o que confere à frase ou verso um ritmo mais lento.
Ex.: “E barracões, e vielas, e vícios, e escravos
a suarem um simulacro de vida.”
(José Gomes Ferreira)

Quiasmo – colocação de elementos de uma frase ou de um verso agrupados dois a dois por paralelismo inverso, segundo o esquema da letra X. A segunda parte da construção contém os mesmos elementos da primeira, mas inverte-se a ordem de apresentação.
Ex.: “De preciosos metais, pedras preciosas
E de duros metais, de pedras duras?”
(Jerónimo Baia)

“Que vistes, meus olhos?
Meus olhos, que vistes”
(Luís de Camões)


08/05/2013

Recursos Estilísticos - Figuras de Sintaxe

Anacoluto – interrupção de uma construção sintática no meio do enunciado.
Ex.: O aluno, que é interessado e deseja saber mais, coloca as suas dúvidas.

Anadiplose – repetição da última palavra de uma frase ou de um verso, no início da frase ou do verso seguinte.
Ex.: “Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço ou me desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.”
(Cecília Meireles)

Anáfora – repetição de uma ou mais palavras no início de versos ou frases sucessivos, de forma a intensificar a ideia por ela (s) expressa.
Ex.: “ Dos teus dedos sinistros, de tão brancos,
Dos teus cabelos lisos, de tão brandos,
Dos teus lábios azuis, de tanta cor”
(José Carlos Ary dos Santos)

Anástrofe ou Inversão – alteração da ordem comum das palavras numa frase, antepondo-se o determinante (preposição + nome) ao determinado:
Ex: “Nas águas desse retiro
Não espreitei a tua imagem?”
(Almada Garrett)

Assíndeto – supressão de elementos de ligação (geralmente as conjunções coordenativas copulativas) entre diversas palavras de uma frase ou entre várias frases, conferindo ao enunciado um ritmo rápido e enérgico.
Ex.: “Erros meus, má fortuna, amor ardente”
(Luís de Camões)

Epanalepse ou Repetição – repetição de uma palavra ou expressão ao longo de um enunciado.
Ex.: “Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a sorte a não dá.”
(Fernando Pessoa)

Epífora ou Epístrofe – repetição de uma palavra ou grupo de palavras no início ou no final de frases ou versos seguidos. Constitui, assim, o recurso simétrico da anáfora.
Ex.: “Os animais não são criaturas? As árvores não são criaturas? As pedras não são criaturas?
(Padre António Vieira)


04/05/2013

Sermão de Santo António aos Peixes

Alegoria
O “Sermão de Santo António aos Peixes” é um texto alegórico, como se afirma na nota que o introduz.
Alegoria - representação de ideias qualidades ou entidades abstratas, através de imagens ou figuras concretas.

Os argumentos
Os argumentos apresentados ao longo do sermão são de natureza diversa, de acordo com aquilo que melhor convém ao raciocínio que é desenvolvido.

Critica aos peixes/critica aos homens
A comparação ou a antítese entre a conduta dos peixes e a conduta dos homens são os processos a que Vieira recorre sistematicamente para evidenciar o objetivo deste sermão: criticar o modo de vida dos colonos brasileiros.”
In Lexicultural, vol. 9 – Literatura Portuguesa, dir. Mª de Lourdes Paixão

Sátira social
“É uma bela sátira, a mais bela e audaciosa que se haja dardejado do púlpito. […] Não se singularizava essa peça satírica apenas pela circunstância de ser proferida no púlpito. É que não será fácil encontrar na literatura portuguesa sátira tão notável pelo imprevisto da fantasia construtiva, e mais impressiva pela adoção da caricatura, mais viva na variedade dos tipos."
Hernâni Cidade, Padre António Vieira, Editorial Presença

A linguagem e o estilo do sermão – recursos expressivos
Como todo o texto barroco, o “Sermão de Santo António aos Peixes” é riquíssimo na utilização de recursos estilísticos.


03/05/2013

Sermão de Santo António aos Peixes - Progressão Temática

Progressão temática – conceito predicável, tema e desenvolvimento do tema

Quando temos o “Sermão de Santo António aos Peixes” temos a sensação de que a o texto é uma peça de arquitetura, um edifício muito bem projetado que vai sendo construído progressivamente, com uma organização lógica, na qual todas as peças se articulam de forma coesa.

Por outro lado, de acordo com as regras do sermão barroco, o conceito predicável, apresentado no exórdio, tem como objetivo apresentar o tema. Assim, o tema deste Sermão seria a Palavra dos Pregadores que evita a corrupção da terra. Tal não acontece, no entanto, pois o tema é deslocado para a própria corrupção que vai ser a base de toda a argumentação.


02/05/2013

Sermão de Santo António aos Peixes - Estrutura do Sermão

O “Sermão de Santo António aos Peixes” é construído de acordo com o modelo oratório instituído pela retórica clássica.
Assim, o exórdio corresponde a uma introdução, a narração e a confirmação constituem o desenvolvimento e a peroração contém a conclusão.

Estrutura do Texto Oratório
Segundo a retórica clássica, a estrutura do texto argumentativo organiza-se em quatro partes:
Exórdio – apresentação do tema e captação da atenção do auditório.
Narração – narração/explanação dos factos.
Confirmação – defesa da tese com argumentos.
Peroração – resumo do que foi dito e apelo à adesão dos ouvintes.

Como se faz um sermão?
Há-de tomar o pregador uma só matéria, há-de defini-la para que se conheça, há-de dividi-la para que se distinga, há-de prová-la com a Escritura, há-de declará-la com a razão, há-de confirmá-la com o exemplo, há-de amplifica-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão-de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há-de responder às dúvidas, há-de satisfazer as dificuldades, há-de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários, e depois disto há-de colher, há-de apertar, há-de concluir, há-de persuadir, há-de acabar. Isto é sermão, é pregar, e o que não é isto é falar de mais alto”.

Padre António Vieira, Sermão da Sexagésima