Translate

26/06/2012

Os sofistas e Platão: dois usos da retórica

Contra a retórica e os sofistas reagiram os filósofos, muito particularmente Platão, que nela viam não um instrumento de busca da verdade, mas uma técnica que permitia fazer prevalecer uma opinião, independentemente do seu valor de verdade.
Platão criticou a retórica sofistica, por entender que esta consistia na mera manipulação da palavra e dos argumentos, sem qualquer preocupação com a verdade.
A esta contrapunha a dialéctica - era um método/processo discursivo de natureza dialógica , na qual os participantes, evitando os longos discursos que distraem do essencial, se empenham fundamentalmente na busca da verdade, e não na simples procura de adesão.
Segundo Platão, a retórica devia ser um instrumentos colocado ao serviço da verdade, liberto da demagogia e do artifício.

[Nota: demagogia - actuação politica que se serve do apoio popular para conquistar o poder.]

Distinguiu a má retórica da boa retórica:
A má retórica - fica apenas ao nível da opinião (doxa- interior da caverna da Alegoria).
A boa retórica - apoiada na dialéctica (arte de discutir), se eleva ao plano das ideias (noésis), ou seja, da verdade. Platão encontrou na dialéctica o verdadeiro método da filosofia para se chegar à verdade, pela qual a retórica se devia reger/orientar.

Os sofistas -  baseavam toda a sua acção no conhecimento de opiniões, defendendo concepções cépticas ou relativistas acerca da verdade e dos valores (a cada um a sua verdade).
Faziam um uso da retórica que não era ético, chegando mesmo alguns a gabarem-se de que seriam capazes de defender uma dada tese e, em seguida, defender a tese oposta com razões igualmente fortes.

Temos assim dois modelos educativos distintos:
O modelo educativo proposto pelos sofistas, tinha como objectivo a formação dos jovens enquanto cidadãos intervenientes do discurso na vida e da cidade. Era um modelo prático (ideal de vida activa) que pressuponha o domínio da cultura geral e das artes da linguagem e do discurso; estas mais do que um instrumento de saber, eram um instrumento de poder, na medida em que quem os dominasse conseguia competir eficazmente com os outros. Formar para o exercício da vida política era o ideal proposto pela sofistica (valorização da palavra e do discurso eloquente, valorização do prazer e do sucesso).
O ideal educativo proposto pelos filósofos, era um ideal contemplativo (ideal de vida contemplativa) centrado na busca de verdade e da sabedoria. O importante fundamento das regras que deveriam nortear a acção. A teoria precedia sempre a prática - a valorização do conhecimento como preparação para a acção (as regras da acção eram fundadas no saber filosófico).

As virtudes valorizadas eram a temperança e a moderação, contrapostas à procura do prazer e do sucesso, que pareciam interessar mais aos sofistas.

2 comentários: