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17/06/2012

Filosofia, Retórica e Democracia

Tem central - A relação entre o discurso retórico-argumentativo e o discurso filosófico.
Começamos por reflectir sobre as condições que tornaram possível a emergência e o desenvolvimento da retórica e, em seguida, procuremos as razões que levaram os filósofos a oporem-se aos mestres de retórica, os sofistas.
Num segundo momento, a reflexão sobre essas razões levar-nos-à a distinguir os dois usos da retórica, o uso persuasivo e o manipulador e a considerar que, em parte, foi o uso manipulador da retórica que justifica a rejeição dos filósofos.

A emergência da retórica - surgiu na Grécia do período clássico. O novo regime político - democracia, pressupunha como princípio básico a igualdade dos cidadãos perante a lei e consequentemente, o direito de intervirem na vida pública através da participação nas assembleias políticas.
É certo que a democracia grega só contemplava os cidadãos - homens gregos livres - e era bastante  excludente, já que à maioria da população das cidades, constituída por mulheres, estrangeiros e escravos, não eram reconhecidos direitos políticos, mas para os cidadãos funcionava efectivamente.

Retórica e democracia:
Nas cidades-estado democráticas, as decisões que interessavam a todos não procediam de decretos divinos nem eram impostas por uma elite aristocrata, eram antes o resultados de deliberações tomadas nas assembleias políticas. Nestas vencia e impunha-se aquele que melhor soubesse apresentar e defender os seus pontos de vista, conseguindo a adesão do auditório.

Neste contexto convencional, as capacidades oratórias e as competências argumentativas vão ocupar um lugar dominante.
Para responder a esta necessidade de desenvolver estas competências, vai surgir uma nova classe constituída por professores cujo trabalho é particularmente orientado para o ensino das artes da palavra - a arte de discutir (dialéctica) e a arte de persuadir (retórica).

Sofistas: eram professores itinerantes que ensinavam, a troco de uma remuneração os trunfos da nova educaçãodomínio da cultura geral e artes da palavra, que se tornaram instrumentos valiosos de acesso ao poder na cidade democrática.

Assim:
Nas cidades-estado democráticas (democracia = governo pelo povo), os dons da oratória são imprescindíveis para se convencer o auditório - "Em democracia a palavra é rainha".
- Os professores de retórica passam a ser uma peça fundamental do sistema.
Na Grécia clássica, a retórica, enquanto arte de falar com eloquência, não dizia respeito apenas ao aspecto ornamental do discurso, mas também ao seu travejamento argumentativo, à procura dos melhores argumentos (estes dois aspectos eram igualmente importantes para persuadir os outros).

Retórica em dois sentidos: arte de falar com eloquência e capacidade de apresentar bons argumentos.
Os dois aspectos, o estilístico, que tem a ver com a elegância do discurso, e o argumentativo, ligado às razões que suportam e fundamentam as opiniões, estavam intimamente ligados (discurso retórico-argumentativo).

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