Translate

18/12/2012

Piaget: a perspetiva construtivista

Piaget, nascido na Suíça e biólogo de formação, centrou a sua atividade no estudo do desenvolvimento intelectual e cognitivo do ser humano. Em oposição ao behaviorismo, o construtivismo de Piaget acredita que os processos mentais podem e devem ser estudados cientificamente. Assim, embora não possamos observar os processos cognitivos diretamente, podemos observar comportamentos e inferir a partir destes o tipo de procedimentos cognitivos que os acompanham e sustentam.
Para Piaget, o objeto da Psicologia não se reduz ao simples estudo dos processos mentais nem se limita ao estudo do comportamento observável.
Definindo o conhecimento como processo de adaptação ao meio, Piaget entendê-lo-á como um comportamento que resulta da interação organismo-meio. Opor-se-á, assim, aos gestaltistas que consideravam que a capacidade de organização percetiva do mundo era essencialmente inata e aos behavioristas, que reduziam o ser humano a um organismo relativamente passivo que respondia ao meio quando deste provinha o estímulo apropriado.
Não somos portanto simples produtos do meio (temos um papel ativo na construção dos esquemas ou estruturas que nos permitem conhecer e interpretar a realidade para resolver os problemas que ela nos coloca).

Construtivismo de Piaget
Superação do inatismo gestaltista e do empirismo behaviorista

Inatismo – considera que as estruturas percetivas que organizam a experiência do meio já estão completamente pré-formadas.
Empirismo – considera que as estruturas que nos permitem conhecer e interpretar o mundo são retiradas da experiência.
O construtivismo de Piaget considera que as estruturas que nos permitem conhecer e agir sobre o mundo se desenvolvem mediante a maturação biológica e o intercâmbio sujeito-meio. O nosso desenvolvimento intelectual é uma série de modificações e adaptações que visam resolver os problemas postos pelo meio.

Devemos a Piaget (em colaboração com um outro psicólogo chamado Fraisse) uma fórmula inovadora de explicar o comportamento humano.
Estudando o desenvolvimento da inteligência, Piaget chegou à conclusão de que a nossa evolução intelectual é um processo continuo em que os esquemas e estruturas mentais se alteram e modificam no contacto com o mundo (os objetos) e o contacto com o mundo se modifica de acordo com os esquemas que vamos construindo na relação com o meio. Tendo em conta essa conclusão, Piaget apresentou a seguinte fórmula explicativa do comportamento:
R = f (S – P)
Esta fórmula traduz-se do seguinte modo:
O comportamento é uma resposta que varia em função da interação entre a personalidade do sujeito (P) e a situação (S). Assim, para compreendermos o comportamento de um individuo em determinado caso temos de considerar dois fatores:
  • A influência da personalidade na situação (P – S)
  • A influência das situações anteriormente vividas por alguém na formação da sua personalidade (S - P)

Os fatores S e P agem um sobre o outro, isto é, interagem, não podem ser considerados isoladamente.
Uma mesma situação pode motivar reações (respostas ou comportamentos) diferentes. Isso significa, para Piaget, que o comportamento não é um mero reflexo automático, ou seja, não é uma resposta absolutamente condicionada por um conjunto de estímulos externos.
Sendo assim, a fórmula proposta por John Watson, R = f(s), revela-se simplista: reduz o comportamento à condição de variável apenas dependente da situação. Há que ter em conta outros fatores, já não meramente externos (os sentimentos do sujeito, o seu temperamento, o seu desenvolvimento intelectual e moral, o modo como assimilou as experiências vividas na infância, a forma como decorreu a sua educação e socialização).

O construtivismo é uma abordagem psicogenética e interaccionista do comportamento. Mostra como as estruturas que nos permitem conhecer e agir sobre a realidade se formam na interação com o meio. O comportamento humano não é algo determinado pelo meio mas sim construído ao longo de um desenvolvimento em que interagem disposições biológicas do sujeito (potencialidades genéticas), a aprendizagem efetuada com os outros e a nossa atividade sobre o meio. O meio, ao contrário do que pensava o behaviorismo, não é um conjunto de situações independentemente do sujeito que o determinam a agir deste ou daquele modo. O meio é um “cenário” não absolutamente objetivo porque nele de algum modo está incorporada a atividade humana que o configura. Neste sentido, o homem é produto e produtor do meio. Por outro lado, para compreender o meio e entender como ele pode influenciar o sujeito é necessário dar atenção ao sujeito, conhecer como, por exemplo, se processa o seu desenvolvimento intelectual e moral. Assim, ao contrário do que pensava Watson, Piaget entende que a compreensão dos processos mentais (pensamento, raciocínio) e do seu grau de desenvolvimento é necessária para integralmente esclarecer o comportamento. 


Sem comentários:

Enviar um comentário