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20/12/2012

Erik Erikson (1902 - 1994)

A construção da identidade pessoal, tema central da teoria de Erikson, assumiu também um significado especial na vida do autor.

Erikson nasceu em Hamburgo, na Alemanha, de pais dinamarqueses. A sua mão foi abandonada pelo marido pouco antes do nascimento de Erikson. Três anos mais tarde casou com Theodor Homburger, um médico judeu. Durante vários anos Erikson pensou ser este o seu verdadeiro pai.

Cresceu como Erik Homburger, um judeo com aparência de escandinavo. Nos meios judaicos era tratado como nórdico e na escola como judeu. Com dificuldades de integração passou a formar em si mesmo a imagem de marginal, de outsider. Na fase da adolescência, ficou a saber que o seu pai biológico era não um judeu alemão mas sim um dinamarquês, o que mais perturbou o sentido da sua identidade.

A partir dos 20 anos viajou pela Europa, depois de se ter formado em Belas-Artes. Foi para Florença com a intenção de se tornar professor de arte. Tornou-se pintor de retratos. Insatisfeito, não conseguindo encontrar uma ocupação estável e cada vez mais confuso quanto à sua identidade, Erikson decidiu ir a Viena. Aí começou a trabalhar como professor numa escola destinada aos filhos dos pacientes e dos amigos de Freud.

Foi a oportunidade, que não desperdiçou, de entrar em contacto com a Psicanálise.

Conheceu vários psicanalistas e sobretudo Freud e a sua filha Anna. Foi esta que o orientou e treinou, dando-lhe a conhecer os segredos da terapia psicanalítica.

Em 1933, Erik Homburger, fixou residência nos Estados Unidos. Hitler acabara de ascender ao poder na Alemanha. Na Améria tornou-se o primeiro psicanalista de crianças, em Chicago. Tornou-se famoso com a obre Infância e Sociedade onde realçava a importância da cultura e da sociedade na formação da identidade de casa individuo. Leccionou nas famosas universidades de Berkeley, Yale e Harvard. Em 1939 decidiu naturalizar-se e adoptar o apelido Erikson. A escolha deste nome representava simbolicamente que tinha encontrado a sua identidade.

O tema da identidade, a afirmação de que o percurso existencial de cada individuo gira em torno da construção de um “sentimento de identidade”, define a originalidade da doutrina de Erikson. Atribuindo especial importância à adolescência mas não reduzindo a formação de identidade a esse período, Erikson é um autor incontornável no estudo do desenvolvimento.

A sua teoria psicossocial, mais otimista do que a visão freudiana do desenvolvimento, centra-se no individuo saudável (estudou várias biografias de personalidades famosas) e não no individuo neurótico e perturbado. A personalidade desenvolve-se ao longo de toda a vida e nenhuma idade da vida é, a bem dizer, intrinsecamente mais importante do que as outras. Cada estádia, em certa medida, é uma nova oportunidade de desenvolvimento. A formação da identidade é uma tarefa sempre em aberto.


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