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04/12/2012

Como se processa o desenvolvimento cognitivo? Os instrumentos e os processos fundamentais.

Piaget, influenciado pela sua formação em Biologia, via o desenvolvimento cognitivo à imagem dos processos biológicos. A necessidade de conhecer é um impulso inato, uma manifestação particular da necessidade de sobrevivência. Como só sobrevivemos adaptando-nos ao meio, o desenvolvimento cognitivo é uma forma de adaptação ao meio. A adaptação cognitiva ao meio implica mudanças estruturais e funcionais que aumentem as probabilidades de sobrevivência do organismo individual. Para compreender esse processo adaptativo é necessário compreender três conceitos fundamentais da teoria de Piaget: os conceitos de esquema, de assimilação e de acomodação.

O que são esquemas?
Quando nascemos nada sabemos acerca das pessoas e dos objetos do mundo a que teremos de nos adaptar nem das relações que se estabelecem entre as pessoas e as coisas. Contundo, começamos a adquirir conhecimentos de forma progressiva, por mais elementares que eles sejam no início. A nossa atividade reflexa assinala o despontar da adaptação cognitiva. Esta processa-se, nas primeiras semanas de vida, mediante esquemas baseados em reflexos inatos como chuchar, agarrar, etc.

Os esquemas são padrões de comportamento e de pensamento que organizam a nossa interação com o meio. São padrões de ação e estruturas mentais que, organizando a nossa experiência, estão envolvidas na aquisição de conhecimentos.

Durante os primeiros meses de vida os esquemas baseiam-se em ações. Os objetos são agrupados conforme as ações que as crianças realizam. Assim, chupando e agarrando, as crianças criam categorias de objetos que podem ser chupados e agarrados. Estes esquemas baseados em outros esquemas – chupar e agarrar – são a forma de as crianças “marcarem mentalmente os objetos com os quais se relacionaram”.

"Os primeiros esquemas estão imediatamente ligados a ações que ‘aqui e agora’ a criança realiza. Assim, um bebé ter um esquema – o de sucção – na maior parte dos casos aplicado a mamilos; o esquema ‘agarrar e abanar’ aplicado à manipulação de rocas e o esquema ‘sorriso’ aplicável a rostos humanos. À medida que a criança cresce e se dá o desenvolvimento intelectual, novos e mais sofisticados esquemas surgem cada vez menos ligados a objetos que estejam presentes no meio imediatamente envolvente e a ações atuais.A partir de um determinado estádio do desenvolvimento os esquemas constituem-se baseando-se mais em relações funcionais e concetuais do que ações. Assim, as crianças em idade pré-escolar aprendem que garfos, facas e colheres formam um esquema ou categoria funcional denominado ‘coisas que uso para comer’. Ou aprendem que gatos e cães constituem uma categoria mental ou esquema denominado ‘animais domésticos’.Tal como as crianças em idade pré-escolar, outras crianças e adolescentes usam esquemas baseados em relações funcionais e concetuais. Os adolescentes constroem também esquemas baseados em propriedades abstratas. Por exemplo um adolescente constituirá o esquema ou categoria mental ‘ideologias que desprezo’ aí integrando o fascismo, o nazismo, o racismo e o sexismo."

[Peter Gray, Psychology, Worth, 2ª edição, p. 433]  


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