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07/12/2012

Assimilação e Acomodação

Os esquemas mudam constantemente ou consolidando-se ou transformando-se noutros mais complexos, adaptando o sujeito à sua crescente e cada vez mais diversificada interação com o meio.

Segundo Piaget a adaptação cognitiva ao meio implica a intervenção combinada de dois processos: a assimilação e a acomodação.

A assimilação é o processo que integra ou incorpora novas informações e experiências em esquemas já existentes.

A assimilação verifica-se quando usamos esquemas existentes para dar sentido aos novos acontecimentos e experiências. Mediante a assimilação respondemos a uma nova situação de modo semelhante ao que adotamos numa situação familiar, sem necessidade de modificar os esquemas existentes. Há assimilação quando um novo objeto ou situação suscita uma atividade que já faz parte do nosso reportório. Por exemplo, os bebés usam o esquema de sucção não só para se alimentarem como também para chuchar no dedo. A criança que aprendeu a segurar num garfo demonstra assimilação ao segurar numa colher. O esquema de agarrar funciona não só com bonecos mas também como blocos de lego e diversos objetos de pequena dimensão.

Quando temos de alterar os esquemas existentes para responder a uma nova situação dá-se a acomodação. A acomodação é o processo de ajustamento dos esquemas existentes (ou criação de novos) quando as novas informações e experiências não podem ser assimiladas.

Se os dados não podem ser incorporados nos esquemas existentes é necessário o desenvolvimento de esquemas ou estruturas mais apropriadas. Por exemplo, a criança aprendeu a agarrar diversos objetos de pequena dimensão com uma mão bem cedo se apercebe de que outros objetos só podem ser agarrados e erguidos com duas mãos e que muitos outros não podem ser levantados; qualquer progenitor atento sabe que as primeiras vezes que se dá de comer a uma criança com uma colher são uma experiência desconcertante para aquela: a criança tenta absorver o conteúdo da colher utilizando um esquema (o da sucção) até aí bem-sucedido. Os efeitos são bem concebidos. Contudo, em breve a criança aprenderá a adaptar a boca e a língua ao novo meio de alimentação. Realiza então uma alteração do esquema que possuía para conseguir responder a uma nova situação; aprender uma língua estrangeira é igualmente uma boa ilustração do que se entende por acomodação.

Piaget afirmou que não existe assimilação sem acomodação. Queria dizer que mesmo quando assimilamos tal atividade exige um mínimo de acomodação. Um esquema como o da sucção utilizado para tirar o leite de um biberão pode ter de sofrer ligeiras alterações quando se muda de tetina e esta tem um tamanho diferente e um outro formato.

Em suma, adaptamo-nos a diversas e cada vez mais complexas situações usando os esquemas existentes sempre que estes se revelam funcionais e dão sentido aos novos dados (assimilação) e modificando os esquemas utilizados sempre que a respostas às situações o exigir (acomodação).


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