Translate

06/11/2012

O Método Introspetivo

Os métodos são estratégias que a investigação científica utiliza para atingir uma conclusão ou para testar hipóteses explicativas acerca do comportamento e dos processos mentais.
Costuma-se distinguir métodos explicativos de métodos descritivos ou qualitativos. O método experimental é um tipo de método explicativo. A observação naturalista, os métodos introspetivos, clinico e psicanalítico são considerados exemplos de métodos descritivos. Esta distinção tornar-se-á clara conforme avançarmos neste novo capitulo tal como a ideia de que nenhum método é escolhido por simples gosto: o método escolhido ou criado é o que melhor se enquadra na perspetiva teórica que o investigador adota e aquele que este se considera mais apropriado para os seus objetivos.

O método introspetivo 

Reconhecido por Wilhelm Wundt como o mais apropriado para estudar a experiência consciente, a introspeção laboratorialmente controlada foi primeiro método da Psicologia.

Vimos que para Wundt, o objetivo da Psicologia era conhecer a estrutura da experiência consciente decompondo-a nos seus constituintes mais simples. Como é fácil de compreender, o único método adequado para o estudo dos estados de consciência é a auto-observação ou introspeção (também denominada, por Wundt, “perceção interior”). Quem vive um determinado estado de consciência descreve-o verbalmente com o maior rigor possível, em condições que obedecem a controlo experimental. Não se trata, portanto, de introspeção no sentido habitual do termo: quem participava nas experiências de Wundt era treinado, em laboratório, para responder descrevendo a sensação em si mesma e não os objetos a que ela se refere. Assim, o que interessava a Wundt era que os participantes descrevessem o que se passava na sua consciência e não como os objetos eram constituídos.

“A introspeção, ou perceção interior, tal como praticada no laboratório de Wundt em Leipzig, seguia condições experimentais estritas, que obedeciam a regras explicitas: (1) o observador deve ser capaz de determinar quando o processo pode ser introduzido; (2) deve estar num estado de prontidão ou de atenção concentrada; (3) deve ser possível repetir a observação várias vezes; (4) as condições experimentais devem ser passiveis de variação em termos da manipulação controlada dos estímulos.
Wundt raramente usava o tipo de introspeção qualitativa em que o sujeito apenas descreve as suas experiências interiores, embora essa abordagem fosse adaptada por alguns dos seus alunos, principalmente Titchener e Oswald Külpe. A espécie de relato introspetivo que acerca do tamanho, da intensidade e da duração de vários estímulos físicos – os tipos de juízos quantitativos feitos na pesquisa psicofísica. Só um pequeno número de estudos envolvia relatos de natureza subjetiva ou qualitativa, tais como o caráter agradável ou não de diferentes estímulos, a intensidade de imagens ou a qualidade de determinadas sensações. A maioria dos estudos de Wundt baseava-se em medidas objetivas que envolviam sofisticadas equipamentos de laboratório, e muitas dessas medidas referiam-se a tempos de reação, que podiam ser registados quantitativamente. A partir dessas medidas objetivas, Wundt inferia informações acerca dos elementos e processos conscientes.”
[Daune P. Schultz, História da Psicologia Moderna, 10ª edição, Cultrix, pp. 82-83]

O trabalho de Wundt e o seu recurso à experimentação contribuíram para que a Psicologia começasse a trilhar o caminho da ciência. Contudo, o método utilizado, a introspeção, foi fortemente criticado e considerado pouco científico.

A falta de objetividade do método introspetivo contribuiu para que se impusesse o método experimental como metodologia típica da jovem ciência chamada Psicologia. Hoje em dia a introspeção sobrevive integrada noutros métodos como o método clínico mas não tem autonomia ou existência independente. E por que razão é integrada noutros métodos? Porque se admite atualmente que, apesar de imperfeitamente, é possível representar o que sente um individuo que nos relata o seu estado psíquico, ou seja, que não é absoluta e total incomunicabilidade das experiências psíquicas.


Sem comentários:

Enviar um comentário