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24/11/2012

A experiência de J. Watson

A perspetiva de Watson inspirou-se amplamente nas experiências realizadas pelo fisiólogo russo Ivan Pavlov, anos antes de Watson publicar o artigo que o tornou famoso. Pavlov, ao estudar o fenómeno da digestão nos cães, reparou num comportamento interessante: os cães salivavam quando lhes era apresentada comida e também ao ouvirem os passos do tratador ou o som das chaves no momento em que descia as escadas para ir alimentá-los. Intrigado, porque julgava que a salivação era uma resposta simplesmente natural, decidiu treiná-los a associar um determinado som à presença de comida. A experiência foi bem-sucedida porque, em breve, os cães salivavam ao ouvir o som de uma campainha mesmo que não vissem comida.

Esta experiência sugeriu a Watson a ideia de que o condicionamento poderia ser aplicado ao comportamento humano. Pavlov mostrara de uma forma objetiva como certos animais adquiriram novos comportamentos. Numa famosa experiência com uma criança de 11 meses de idade, Little Albert, Watson mostrou que o comportamento humano também podia ser condicionado. Little Albert era um bebé alegre que gostava de ratinhos e de coelhos brancos. Cada vez que apresentava um desses pequenos animais e a criança se preparava para lhe tocar Watson fazia soar um barulho estridente que assustava Albert. Não demorou muito para que acontecesse o que Watson previa: Albert começou a chorar e a gatinhar aterrorizado sempre que lhe mostravam um rato branco (o som barulhento já não era necessário). O condicionamento alterara radicalmente o seu comportamento. Com efeito, o rato branco tinha-se tornado um estímulo condicionado que induzia respostas condicionadas tais como chorar e fugir gatinhando.

No entender de Watson não havia qualquer necessidade de recorrer à consciência ou a processos mentais para explicar esta mudança de comportamento. Albert simplesmente respondia a estímulos do meio e a fórmula estimulo-resposta podia ser usada para explicar todos os tipos de comportamento.

Watson foi um tenaz defensor da perspetiva behaviorista. Defendeu, como método, a explicação puramente experimental em que o objeto (o comportamento) é estudado como algo independente do observador. Como princípio defendeu que todo o nosso comportamento é influenciado pela experiência, ou seja, somos produtos do meio e por ele somos modelados. Somos “organismos em situação” e a observação do que fazemos permite, com uma certa segurança, prever que faremos. Mais: como o comportamento humano é determinado pelo meio, alterando as situações poderemos modificar os comportamentos. A aprendizagem por meio da experiência será um tema recuperado e desenvolvido por B. F. Skinner a partir de 1930.


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