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30/10/2012

Resultados do experimento de Bandura

Que ilações retirou Bandura destes resultados?

Primeiro, ficou convicto de que, bem mais do que o reforço, o que condiciona a performance do que foi aprendido é a expetativa do reforço.
Segundo, o fator motivação é crucial para que a performance ou desempenho efetivo do que foi aprendido.

Há muito mais probabilidade de que um individuo imite um comportamento se houver a sua parte a expetativa de que tal produzirá reforço ou recompensa. Assim, virtualmente, todas as crianças eram capazes de imitar o comportamento agressivo visionado, mas a tendência a traduzir o aprendido em comportamento efetivo era bem mais acentuada no grupo do modelo recompensado do que no grupo do modelo punido.

A aprendizagem social, ou modelação (não confundir com modelagem) é um tipo de aprendizagem muito generalizado, mesmo entre alguns animais. Experiências realizadas por Cook e colaboradores em 1985, revelam que, em laboratório, macacos que não tinham receio de serpentes, passaram a desenvolver um acentuado medo desses répteis depois de observarem outros macacos a reagir apavorados.

Nos seres humanos as inibições e desinibições do comportamento podem resultar da observação do comportamento dos outros. Assim, se vemos na televisão de um turista americano foi severamente punido em Singapura por “decorar” automóveis com um spray é mais do que provável que evitemos tal comportamento, pelo menos em Singapura; os pais e os grupos de pares constituem-se também como modelos (exemplares ou não) de comportamento que podem conduzir determinados indivíduos, por exemplo, a desenvolver preconceitos e estereótipos racistas e sexistas, a tornarem-se agressivos e adeptos do consumo de cerveja, drogas, etc. Mas, como é óbvio, aprendemos muitas competências e atitudes úteis e desejáveis.

A aprendizagem social (por modelagem, imitação de outro que observamos) é um poderoso instrumento de socialização de longo do nosso desenvolvimento. Em 1995, um experimento realizado por Shroeder mostrou que as crianças revelam maior disposição para ajudar e partilhar depois de verem tais atos desempenhados por um modelo poderoso, afável e simpático, perdurando tal efeito meses depois de assistirem ao desempenho.

A aprendizagem observacional tem sido utilizada para ajudar as pessoas a desenvolverem capacidades positivas nas relações interpessoais. Tem-se revelado indispensável e mais eficaz e aconselhável do que outras formas de aprendizagem em situações profissionais como o treino de enfermeiras/s, pilotos, cirurgiões, eletricistas, policias, etc.

A aprendizagem social ou observacional desempenha um papel crucial de socialização. Com efeito, para Bandura, a modelação – outro nome para aprendizagem social – permite adquirir bem mais que competências cognitivas e motoras: aprendemos regras de comportamento (e também a infringi-las), adquirimos valores e atitudes.

Para Albert Bandura, a aprendizagem observacional não é uma cópia mecânica de comportamentos uma vez que envolve processos cognitivos que são ativos e implicam, enquanto juízos ou avaliações, um certo distanciamento em relação ao comportamento observado.

Deve notar-se que as experimentações e conclusões de Bandura despertarem o interesse pelo estudo dos efeitos da violência e da agressividade dos programas televisivos (dos desenhos animados, passando pelos filmes até à informação noticiosa) no comportamento das crianças e dos jovens. Tomou-se a partir daí consciência do impacto negativo da violência mediática (se a aprendizagem observacional é tão importante, então a televisão – hoje em dia um espécie de babysitter eletrónica – pode ensinar muitas coisas indesejáveis e antissociais às crianças. Atualmente, como se sabe, o debate continua aceso.  


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