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13/09/2012

Aprendizagem

Por aprendizagem entende-se uma mudança relativamente permanente do nosso comportamento, capacidades e atitudes que ocorre como resultado da experiência e da prática.
Ao valorizar a experiência, esta definição não despreza a importância da maturação biológica, condição necessária para que ocorram aprendizagens (uma criança, por mais que os pais a estimulem, só está preparada para adquirir o uso da linguagem quando o aparelho fonador estiver suficientemente amadurecido). Condições necessárias, a maturação biológica e o desenvolvimento físico não são, contudo, condições suficientes (na ausência de prática, modelos apropriados e estimulação, uma criança por mais “crescida” que seja não estará em condições de falar o idioma materno).
Por outro lado, nem toda a mudança comportamental significa aprendizagem. Há mudanças comportamentais que resultam de lesões cerebrais, de doenças ou do próprio processo de maturação (caso do jovem adolescente cuja voz se torna mais grave). Não são algo que adquirimos mas sim algo que nos acontece.
A aprendizagem não é um processo diretamente observável. Podemos, não obstante, inferir que ela aconteceu a partir da observação e medição de mudanças ou modificações do nosso comportamento e das nossas capacidades e atitudes.

Mas nada é simples no que respeita à aprendizagem: a análise do comportamento observável (do desempenho ou «performance») não nos dá certezas sobre se alguém aprendeu ou sobre o que aprendeu. Por isso, os psicólogos distinguem entre aprendizagem e desempenho. Os alunos têm muitas vezes a ocasião de distinguir uma coisa da outra quando têm consciência de que o resultado do teste não reflete objetivamente o que aprenderam. A aprendizagem é, assim, um dos aspetos do desempenho (este não é somente condicionado pelo que aprendemos ou pelo modo como aprendemos, mas também por fatores como a motivação, a importância que se atribui ao que se está a fazer, a capacidade de concentração, a disponibilidade física, etc.). Também pode acontecer que certas aprendizagens bloqueiem outras dificultando ou afetando o desempenho. Assim, uma criança que se perdeu no meio da multidão de um centro comercial pode começar a chorar e nada dizer (apesar de saber falar e de saber o nome dos pais) porque aprendeu em casa que não se deve falar com as pessoas desconhecidas. O seu desempenho dá a impressão de que nem falar sabe quando, no fundo, o seu comportamento só aparentemente traduz uma deficiência de aprendizagem.


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