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30/09/2012

Skinner (1904-1990) e a sua famosa Caixa

Considerado por muitos historiadores como o mais influente dos psicólogos americanos, Skinner, escritor frustrado, decidiu seguir a carreira de psicólogo. Formou-se em Psicologia em 1931. Sete anos depois publicou «The Behaviour of Organims» que, apesar de grande fracasso editorial, foi a rampa de lançamento para uma série de publicações que o tornariam famoso.


Reconhecendo que o condicionamento clássico podia explicar a aprendizagem de comportamentos reflexos mas provocados por estímulos que o organismo não controla, Skinner considerou que a mais importante forma de aprendizagem era constituída por comportamentos ativamente emitidos pelo organismo, que eram ações e não simples reações.


29/09/2012

Thorndike e a Lei do Efeito

Considera-se que o condicionamento operante foi descoberto por Edward Thorndike mais ou menos na mesma época em que Pavlov descobria os reflexos condicionados nos seus experimentos com cães.

O experimento de Thorndike consistia no seguinte: colocou um gato no interior de uma caixa com aspeto de jaula. No exterior estava, à vista do gato, um recipiente com comida. O animal só poderia sair da caixa se carregasse num pedal que, acionado, abria uma pequena porta. O gato começou a arranhar e a morder ao acaso várias partes da caixa até que, de uma forma eventualmente acidental, pressionou o pedal que a abria e obteve a comida desejada. A partir daí, várias vezes colocado no interior da caixa, o gato gastou cada vez menos tempo para dela sair. Da primeira vez em que repetiu a situação Thorndike reparou que o gato escapou da caixa em 15 segundos. Esta mudança de comportamento significava que o gato tinha aprendido não mediante um reflexo condicionado mas mediante tentativas cada vez mais eficazes que traduziam um papel ativo na aprendizagem.

Como explicou Thorndike esta aprendizagem gradual e progressiva? Através da lei do efeito. Esta lei diz o seguinte: «Respostas ou comportamentos seguidos por consequências ou efeitos satisfatórios tendem a repetir-se; respostas seguidas por consequências desagradáveis tendem a não se repetir».

Assim, de acordo com esta lei, a consequência ou efeito da resposta determinará se tendência para responder do mesmo modo no futuro aumentará ou diminuirá (podendo manter-se). Para Thorndike as respostas imediatamente acompanhadas por consequências satisfatórias serão as que mais provavelmente ocorrerão de novo e com maior frequência.


A lei do efeito de Thorndike será o ponto de partida concetual do trabalho de Burrhus Frederic Skinner sobre o condicionamento operante, numa perspetiva radicalmente behaviorista.


27/09/2012

A aprendizagem por condicionamento operante

Em termos simples, a aprendizagem por condicionamento operante consiste em associar um comportamento com as suas consequências e efeitos.

O condicionamento operante é uma forma de aprendizagem em que um dado comportamento de caráter ativo (operante no meio) é reforçado ou enfraquecido tendo em conta as suas consequências: conforme as consequências da ação assim ela tenderá a aumentar ou a diminuir (ou a extinguir-se) no futuro.
No condicionamento operante um organismo produz um comportamento a que se segue uma dada consequência. O tipo de consequência que deriva do comportamento é o fator chave do condicionamento porque determina se é provável a sua ocorrência no futuro e também a frequência com que poderá ocorrer.
A base do condicionamento operante é o conceito de reforço. Em relação ao condicionamento clássico reaparecem, em contexto diferente, princípios básicos como a generalização, a extinção e a recuperação espontânea.

Em suma, o condicionamento operante é uma forma de aprendizagem na qual a probabilidade de ocorrência de uma resposta ou comportamento aumenta ou diminui conforme a sua consequência é um reforço (positivo ou negativo) ou uma punição.

Ao condicionamento operante dá-se também o nome de condicionamento instrumental porque este processo de aprendizagem envolve alterar a probabilidade de uma resposta mediante a manipulação das suas consequências.


24/09/2012

Exemplos do condicionamento clássico

  1. O André detesta chocolates da marca Kinder. No seu 4º aniversário comeu algumas barritas e, pouco tempo depois, estava doente com febre, vómitos e arrepios. Tratava-se de uma gripe mas para o André foram os chocolates Kinder que provocaram o seu mal-estar. Ainda hoje recusa-se a comê-los. Mas não generalizou, por completo, bem pelo contrário, discriminou: só os chocolates Kinder é que “fazem mal”. Há outros que continuam a ser “bons”.
  2. Vários anos depois da Segunda Guerra Mundial muitos habitantes de cidade que foram bombardeadas irritavam-se e amedrontavam-se com o som dos aviões comerciais que voavam baixo. O som dos aviões era associado à destruição, à morte e ao pavor causados pelos bombardeiros.
  3. Um aluno detesta um professor de Biologia porque até agora no seu percurso escolar foi a única pessoa que o reprovou. Desde então evita cruzar-se com ele a caminho das aulas, irrita-se quando vê o seu carro no parque de estacionamento e revela mesmo inquietação e mudança de humor quando ouve a palavra Biologia.
  4. Muitas pessoas emocionam-se com certas canções – que porventura já não ouviam há muito tempo – porque trazem à memória pessoas e acontecimentos especiais. O mesmo pode acontecer com perfumes e after shaves. Estímulos neutros são associados com pessoas, acontecimentos e situações e adquirem o poder de suscitar reações e sentimentos semelhantes aos despertados pelos estímulos originais.
  5. Os homens de negócios costumam reunir-se com os seus clientes em restaurantes luxuosos e de excelente reputação gastronómica na possível espectativa de que os produtos ou serviços que querem vender suscitem uma resposta tão positiva como o bom aspeto e a boa comida do restaurante.
  6. A publicidade à cerveja aplica alguns princípios do condicionamento clássico ao apresentar pessoas de aspeto agradável e atraente a saboreá-la enquanto conversam e riem ou sorriem, quer numa praia bonita e cheia de sol, quer num confortável apartamento. Os produtores de cerveja esperam que os espetadores associem um estimulo neutro (uma lata ou uma garrafa de cerveja) com um estimulo não condicionado que naturalmente suscita uma resposta emocional positiva (as situações agradáveis), de modo a que a cerveja por si só induza uma resposta de agrado (sentir-se bem só de pensar que se vai beber tal cerveja). O mesmo acontece com outros produtos é o seguinte: se os produtos ou estímulos em princípio neutros forem associados com pessoas de que gostamos, então é muito provável que com o tempo esses produtos sejam também desejados.
  7. Os coiotes são uma série ameaça para os rebanhos de ovelhas no Oeste dos EUA. Por outro lado, o seu extermínio seria uma má medida ecológica porque devoram outros animais cuja proliferação seria nociva. Como “solução de compromisso” dois psicólogos tentaram que eles aprendessem a ter aversão às ovelhas. Deram-lhes a comer carcaças de ovelha envoltas num fármaco (cloreto de lítio) que provoca náuseas e vómitos. Depois de muitos vómitos e náuseas, os coiotes tiveram oportunidade de atacar uma ovelha. Em vez de o fazerem, recuaram indispostos só de a verem.

23/09/2012

Condicionamento Clássico - conceitos

Resposta não condicionada ou incondicionada – resposta suscitada por um estímulo incondicionado sem aprendizagem prévia.
Resposta condicionada – resposta suscitada por um estímulo condicionado, isto é, por um estímulo que produz um efeito semelhante ao do estímulo incondicionado em virtude de ter sido várias vezes emparelhado com este.
Estímulo não condicionado – estímulo que produz uma determinada resposta sem necessidade de aprendizagem prévia ou de processo associativo.
Estímulo condicionado – estímulo neutro que, repetidas vezes associado a um estímulo incondicionado, provoca uma resposta semelhante à deste mas que resulta de uma aprendizagem. O estímulo condicionado é um estímulo neutro que deixou de o ser.
Aquisição – processo que consiste na gradual formação de uma conexão ou associação entre o estímulo condicionado e o estímulo não condicionado.
Extinção – a redução ou a eliminação da resposta aprendida devida ao facto de o E.C ser repetidamente apresentado sem o E.I.
Recuperação espontânea – o retorno, embora sob forma enriquecida, da resposta condicionada após uma certa quantidade de tempo sem contacto com o estímulo condicionado.
Generalização do estímulo – processo que consiste no facto de a resposta original a um estímulo particular também ocorrer na presença de estímulos similares.
Discriminação dos estímulos – processo que consiste em aprender a responder a uma estímulo particular e a não responder ou reagir a estímulos semelhantes ao original.


Os princípios básicos do condicionamento clássico

O condicionamento clássico envolve vários processos distintos.
São cinco os princípios básicos da aprendizagem por condicionamento clássico: a aquisição, a extinção, a generalização e a discriminação.

Aquisição – fala-se de aquisição quando se forma em resposta aprendida a um estímulo neutro (não produtor de resposta) por associarmos a um estímulo não condicionado. Pavlov considerava que a aquisição da resposta condicionada dependia da ordem do intervalo de tempo que mediava a apresentação dos estímulos. Assim, o som da campainha devia preceder meio segundo a apresentação da comida. Quando esta (estímulo incondicionado) demora uns segundos a ser apresentada o condicionamento, a resposta condicionada, era mais fraco. A ordem de apresentação dos estímulos é também decisiva: quando a comida é apresentada antes do som da campainha é muito frequente não ocorrer aprendizagem ou resposta condicionada.

Extinção – entende-se por extinção o enfraquecimento e a eventual desaparição da resposta aprendida. Assim, no caso dos cães de Pavlov, se o estímulo condicionado (o som) é apresentado várias vezes, sem o estímulo não condicionado, perderá eventualmente o poder de suscitar a resposta de salivação. A repetida apresentação do estímulo condicionado sem o estímulo incondicionado é a causa da extinção da resposta aprendida. A extinção é, em suma, o resultado da repetida apresentação do estímulo condicionado sozinho.
Recuperação espontânea – não obstante, a extinção não apaga completamente o que foi anteriormente aprendido. Na verdade, Pavlov verificou que alguns cães quando retornavam, um ou dois dias depois da extinção da resposta, às condições experimentais descritas continuavam a salivar ao ouvir o som da campainha. Vários cães foram mesmo recondicionados com base num só emparelhamento dos estímulos com a comida. A esta reemergência de uma resposta condicionada extinta depois de algum tempo de descanso dá-se o nome de recuperação espontânea.

Generalização – fala-se de generalização do estímulo quando a resposta condicionada é provocada não só pelo estímulo quando a resposta condicionada é provocada não só pelo estímulo condicionado original como também por outros estímulos semelhantes a este. No experimento de Pavlov os cães salivavam não somente em resposta ao som da campainha como também a outros sons semelhantes.

No caso do ser humano sabemos que há uma semelhante generalização de estímulos quando se responde a uma variedade de buzinas de automóveis que podem soar de modo semelhante. A generalização do estímulo é útil porque permite que apliquemos o que aprendemos a situações novas e similares.


Discriminação – Pavlov condicionou um cão a salivar na presença de um quadro negro. Reparou que, em seguida, se deu uma generalização da resposta a quadros cinzentos escuros e de tons próximos. Condicionou de novo o cão: só à apresentação do quadro negro se seguia a apresentação da comida. Resultado: a resposta de salivação restringiu-se ao quadro negro.


21/09/2012

Pavlov e o condicionamento clássico

O condicionamento clássico é um processo através do qual um organismo aprende a responder de um determinado modo a um estímulo que previamente e por si só não suscitava tal resposta. É um tipo de aprendizagem por associação condicionada de estímulosÉ o processo em que uma resposta previamente dada a um estímulo especifico é também dada a um outro estímulo que foi repetidas vezes emparelhado com o estímulo original.

O condicionamento clássico ou respondente foi descoberto pelo fisiólogo russo Ivan Pavlov. Ao estudar experimentalmente a fisiologia da digestão, Pavlov descobriu que os cães utilizados salivavam perante estímulos que não a comida (o somo dos passos do tratador ou a sua simples presença). Surgiu então a seguinte questão: como pode uma resposta não condicionada e natural como a salivação estar associada com sons e outras perceções que em si são estímulos neutros? Pavlov dedicou mais de 30 anos ao estudo desta questão descobrindo o tipo de aprendizagem a que se chama condicionamento clássico ou pavloviano.

De forma meticulosa e paciente, Pavlov conduziu os experimentos que o tornaram célebre em ambiente experimental rigidamente controlado, planeando e construindo no Instituto de Medicina Experimental de São Petersburgo um laboratório muito sofisticado para a época. Iria demonstrar que os cães podem ser condicionados para salivar a uma grande variedade de estímulos que não estão, por si mesmos, associados com a comida.


A experimentação consistia no seguinte: apresentava-se ao cão um estimulo neutro (o som de uma campainha) e logo imediatamente a seguir um prato com carne em pó. O cão responde a este estímulo (não condicionado) salivando. Depois de emparelhar o som da campainha e a comida várias vezes (20 vezes pelo menos) Pavlov verificou que o som da campainha era suficiente para produzir a resposta de salivação. Como os cães não salivam naturalmente em resposta a sons, Pavlov concluiu que a salivação era uma resposta resultante de aprendizagem: o cão foi condicionado a salivar quando a campainha toca (resposta condicionada).

Podemos recapitular a experiência de Pavlov dividindo-a em 3 fases:
  1. (antes do condicionamento) – O estímulo não condicionado (carne) produz uma resposta automática, incondicionada (salivação); o estímulo neutro (som) não desencadeia salivação.
  2. (condicionamento) – O estímulo não condicionado é emparelhado várias vezes com o estímulo neutro. O estímulo não-condicionado produz a resposta não-condicionada.
  3. O estímulo originalmente neutro (som) torna-se agora produtor de resposta salivar, ou seja, o estímulo neutro torna-se condicionado (porque resulta de um condicionamento) e desencadeia um efeito similar à resposta suscitada pela comida, pelo estímulo não-condicionado. Salivar torna-se uma resposta condicionada, aprendida porque o estímulo que a provoca não é incondicionado mas sim um estímulo que com este foi associado repetidas vezes e é como que um sinal de que a comida virá a seguir.

O condicionamento clássico tem o nome de condicionamento respondente porque a resposta é condicionada por um estímulo que a precede, o que significa que se aprende uma determinada resposta a uma dada situação.



20/09/2012

Ivan Pavlov (1849-1936)

Filho de um sacerdote da Igreja Ortodoxa russa, Pavlov tencionava seguir ele próprio a carreira eclesiástica. Contundo, a leitura de duas obras - «A origem das Espécies» de Darwin e « Reflexos do Cérebro» de Ivan Sechenov – despertaram-lhe um enorme interesse pela investigação científica. Estudou na Universidade de Petrogrado sob orientação de Sechenov e decidiu tornar-se fisiólogo.


Foi um investidor extremamente meticuloso e organizado. Grande parte da sua vida como cientista foi dedicada ao estudo da fisiologia da digestão. Estava plenamente convicto de que a aprendizagem animal e a humana constituíam processos equivalentes – reflexos condicionados – que não deviam ser descritos em termos mentais, ideias que John Watson igualmente iria defender mais tarde.

16/09/2012

Categorias da aprendizagem

Aprendemos muitas coisas e uma ampla diversidade de competências. Podemos distribuir e unificar as nossas aprendizagens em várias categorias:

Aprendizagem motora – consiste na realização de atos motores e de movimentos de diferente grau de complexidade. Assim é mais complexa a sequência de movimentos necessária para tocar violino, piano, guitarra, pilotar um avião, um helicóptero, praticar windsurf, do que a necessária para nos vestirmos, lavarmos, comer com talheres ou jogar futebol.

Aprendizagem verbal – consiste em nomear mediante palavras e conceitos os objetos, fatos e acontecimentos. É considerada a base geral de todas as aprendizagens.
A aprendizagem de conceitos subjaz ao nosso pensamento, à formação de proposições e de raciocínios. Os conceitos são as unidades básicas de processos mentais como o pensamento, a linguagem e com eles damos sentido e organização às nossas aprendizagens e à relação com a realidade.
Os conceitos são representações mentais de realidades concretas e abstratas que utilizamos para agrupar objetos, acontecimentos e características com base nas suas propriedades comuns. As coisas individuais são diferentes mas também têm algo de comum entre si. Assim, tendas, cabanas, moradias, apartamentos e palácios são diferentes realidades que têm algo em comum: são habitações. As características comuns àquelas diferentes realidades constituem o conceito de «habitação».
Os conceitos, enquanto representações universais, são importantes porque sem eles toda e qualquer realidade nos pareceria única e não seria possível qualquer organização das informações sobre a realidade, ou seja, estabelecer relações entre os objetos da nossa experiência e entre as nossas experiências.

Os conceitos são abstratos (referem-se a realidades não visíveis: é o caso dos conceitos de justiça, beleza, direito) e concretos (referem-se a realidades materiais: é o caso do conceito de mesa, de automóvel, de líquido).


13/09/2012

Aprendizagem

Por aprendizagem entende-se uma mudança relativamente permanente do nosso comportamento, capacidades e atitudes que ocorre como resultado da experiência e da prática.
Ao valorizar a experiência, esta definição não despreza a importância da maturação biológica, condição necessária para que ocorram aprendizagens (uma criança, por mais que os pais a estimulem, só está preparada para adquirir o uso da linguagem quando o aparelho fonador estiver suficientemente amadurecido). Condições necessárias, a maturação biológica e o desenvolvimento físico não são, contudo, condições suficientes (na ausência de prática, modelos apropriados e estimulação, uma criança por mais “crescida” que seja não estará em condições de falar o idioma materno).
Por outro lado, nem toda a mudança comportamental significa aprendizagem. Há mudanças comportamentais que resultam de lesões cerebrais, de doenças ou do próprio processo de maturação (caso do jovem adolescente cuja voz se torna mais grave). Não são algo que adquirimos mas sim algo que nos acontece.
A aprendizagem não é um processo diretamente observável. Podemos, não obstante, inferir que ela aconteceu a partir da observação e medição de mudanças ou modificações do nosso comportamento e das nossas capacidades e atitudes.

Mas nada é simples no que respeita à aprendizagem: a análise do comportamento observável (do desempenho ou «performance») não nos dá certezas sobre se alguém aprendeu ou sobre o que aprendeu. Por isso, os psicólogos distinguem entre aprendizagem e desempenho. Os alunos têm muitas vezes a ocasião de distinguir uma coisa da outra quando têm consciência de que o resultado do teste não reflete objetivamente o que aprenderam. A aprendizagem é, assim, um dos aspetos do desempenho (este não é somente condicionado pelo que aprendemos ou pelo modo como aprendemos, mas também por fatores como a motivação, a importância que se atribui ao que se está a fazer, a capacidade de concentração, a disponibilidade física, etc.). Também pode acontecer que certas aprendizagens bloqueiem outras dificultando ou afetando o desempenho. Assim, uma criança que se perdeu no meio da multidão de um centro comercial pode começar a chorar e nada dizer (apesar de saber falar e de saber o nome dos pais) porque aprendeu em casa que não se deve falar com as pessoas desconhecidas. O seu desempenho dá a impressão de que nem falar sabe quando, no fundo, o seu comportamento só aparentemente traduz uma deficiência de aprendizagem.


12/09/2012

Métodos de aprendizagem

A importância do conhecimento dos resultados
É importante para quem aprende conhecer os efeitos do seu comportamento, isto é, ser avaliado ou autoavaliar-se. A informação sobre o efeito das respostas, seja de quem aprende a nadar ou de quem estuda Matemática é conhecida pelo nome feedback ou retroinformação.
Diversos estudos mostraram que fornecer indicações sobre os resultados da aprendizagem com relativa frequência possibilita uma aquisição mais rápida de novos conteúdos de aprendizagem (há mais hipóteses de correção e de autocorreção). Por outro lado, parece que, em certas circunstâncias, obter informação sobre os resultados é considerado pelo sujeito de aprendizagem como um reforço. É fácil de compreender que um professor que faz um teste sumativo por período, a meio do mesmo, entrega os resultados um mês depois e não faz testes formativos nem fichas de avaliação, possa estar, eventualmente, a prejudicar o ritmo, o grau de aprendizagem e o empenho dos seus alunos na aquisição efetiva das competências desejadas.

Aprendizagem total ou aprendizagem parcial
Referimo-nos a métodos de aprendizagem, ao modo como se adquirem os conteúdos de aprendizagem. Falta referir o modo como são representados os conteúdos a aprender. Em que condições aprendemos melhor? Quando os conteúdos são divididos em diversas unidades ou quando ele é apresentado de uma forma global?

No primeiro caso, divide-se o material informativo em várias unidades, estuda-se cada unidade separadamente e só depois de cada uma ter sido aprendida individualmente se uma visão global. No segundo caso, ao aluno ou ao aprendiz é apresentada uma visão global do que vai aprender, integrando-se depois de cada aspeto particular nessa estrutura global; o todo antecede as partes.


Métodos de aprendizagem

No plano educativo, hoje em dia, valoriza-se mais a forma como se aprende (e como se ensina) do que a aquisição de conteúdos. Importa adquirir uma competência decisiva: aprender a aprender. No entanto, como não estamos num plano puramente formal, os métodos de aprendizagem visam facilitar a compreensão das matérias estudadas.

Aprendizagem espaçada e concentrada
Entende-se por aprendizagem espaçada aquela que distribui ao longo do tempo e de forma regular o que se está a aprender.
É considerado o melhor método para consolidar e armazenar a longo prazo as aprendizagens efetuadas. Muitos professores aconselham-na aos seus alunos. Muitas aprendizagens motoras como, por exemplo, nadar, jogar ténis, andar de bicicleta, adquirem-se deste método.

Entende-se por aprendizagem concentrada um método que consiste em estudar intensivamente e sem intervalos de tempo significativos. Em termos simplistas, diremos que é «estudar tudo de uma só vez». Estudar em vésperas de um teste matéria com a qual anteriormente se manteve um contacto muito esporádico – somente nas aulas, por exemplo – é um método, muito usado, de aprendizagem.
Qual destes métodos se deve utilizar?
Não há resposta objetiva: ela depende do sujeito, do seu ritmo e da sua facilidade de aprendizagem, dos hábitos adquiridos e também do que se aprende.
Tendo em conta a curva do esquecimento (recordamos mais facilmente o que aprendemos há pouco tempo) o método de aprendizagem concentrada terá as suas vantagens. Contudo, deve referir-se que uma retenção relativamente durável dos conteúdos de aprendizagem é possível mediante a aprendizagem espaçada.


10/09/2012

Fatores de aprendizagem

A aprendizagem anterior
O que já aprendemos pode condicionar o que aprendemos
Considera-se, em termos gerais, que a aprendizagem ou a experiência anterior facilita a predisposição para a situação de aprendizagem e, em certa medida, para novas aquisições bem sucedidas.
Subjacente a esta ideia de que as aprendizagens anteriores são, em geral, facilitadoras das aprendizagens posteriores está o conceito de transferência positiva. A transferência positiva é uma forma de generalização que facilita a aprendizagem nova em virtude de semelhanças com o comportamento exigido em aprendizagens anteriores. Assim, se um individuo aprendeu a jogar badminton poderá mais facilmente aprender a jogar ténis; aprender português pode facilitar a aprendizagem do espanhol; ser um bom nadador facilitará, em certa medida, a prática do polo aquático (bons nadadores de alta competição tornaram-se, em muitos casos, bons jogadores de polo aquático); é conhecido o caso de Miguel Maia e de João Brenha que de muito bons jogadores de voleibol em pavilhão se tornaram praticantes de excelente nível em voleibol de praia; também podemos supor que um bom ginasta poderá fazer uma transição bem sucedida para a modalidade de saltos de para a água; finalmente boas bases de língua portuguesa facilitam a aprendizagem e o desempenho em disciplinas como, por exemplo, Literatura e Filosofia.
Contudo, nem sempre a generalização das respostas aprendidas para novas situações de aprendizagem é sinónimo de sucesso, ou seja, por vezes a transferência é negativa, conduz a enganos e confusões. Assim, quem sabe português e aprende espanhol muitas vezes dá consigo a falar e a escrever, passe a expressão, «espanholês»; quem aprendeu a conduzir em Portugal ou em França, não tem a tarefa necessariamente facilitada quando tiver de conduzir em Inglaterra.

Fatores sociais

O sucesso na aprendizagem – essencialmente na aprendizagem escolar – está muitas vezes dependente do valor que num dado meio social se atribui à educação, da interação educativa entre pais e filhos e alunos e professores e das condições socioeconómicas (recursos educativos das famílias e do próprio Estado).


Fatores de aprendizagem

Fatores individuais
Os fatores individuais ligados à aprendizagem comummente reconhecidos são:

A inteligência
Muitos psicológicos concebem a inteligência como uma medida da capacidade de aprendizagem. Uma maior rapidez na aprendizagem está normalmente associada a um maior coeficiente de inteligência. Contudo, a medição da capacidade de aprender mediante os resultados de testes de inteligência, levanta problemas porque reduz em certa medida a inteligência às aptidões verbais e de raciocínio abstrato (as mais focadas na instrução formal ministrada pela instituição escolar). Ora a aprendizagem não pode, segundo psicológicos como Howard Gardner e Robert Sternberg, confundir-se com a capacidade para aprender na escola.

A motivação
O empenho numa tarefa, sinal exterior de motivação, facilita o processo de aprendizagem. Quer a motivação seja intrínseca – aprender pelo gosto de aprender – ou extrínseco – aprender com vista a um objetivo externo – a verdade é que o impulso motivacional é determinante. Contudo, se uma motivação demasiado fraca pode prejudicar o ritmo e o nível de aprendizagem, uma motivação excessiva – criadora de ansiedade e de tensão – pode ser um fator de perturbação, inibindo ou bloqueando, se não a capacidade de aprender, pelo menos a expressão objetiva da aprendizagem.
Assim uma forte motivação dinamiza o ritmo de aprendizagem e aumenta a concentração no que estamos a aprender. Se a motivação for demasiado forte ou muito fraca a aprendizagem é dificultada ou mesmo inibida.


05/09/2012

Psicologia Clínica

A psicologia clínica é a área da psicologia aplicada que investiga, diagnostica e procura tratar perturbações comportamentais e problemas psicológicos. Fenómenos como a toxicodependência, a anorexia e a bulimia, conflitos conjugais, dificuldades de adaptação à escola e ao trabalho e outros comportamentos desajustados são objeto da intervenção diagnóstica e terapêutica do psicológico clínico.

Psicólogo clínico e psiquiatra
O psicólogo clínico e o psiquiatra têm um âmbito comum de atuação: os distúrbios comportamentais e os problemas mentais. Tal fato e a dificuldade em distinguir o patológico do normal tornam pouco clara e distinção concetual entre psicólogo e psiquiatra.
Uma forma relativamente consistente de diferenciação entre as duas atividade tem a ver com a formação básica e o modo de atuação.
O psiquiatra tem uma formação básica em Medicina e uma posterior especialização em Psiquiatria. A sua perspetiva terapêutica é mais fisiológica e biomédica do que psicológica. A terapia biomédica tende a reduzir ou eliminar os sintomas de problemas psicológicos alterando, através de fármacos, o modo como o organismo de um individuo funciona.
O psicólogo clínico é formado em Psicologia e especializado em Psicologia Clínica. A sua perspetiva terapêutica é essencialmente psicológica, incidindo na relação que estabelece com as pessoas ou os pacientes. Por outro lado, a psicologia clínica é mais abrangente: por exemplo, os psicólogos clínicos intervêm no diagnóstico de dificuldades de aprendizagem das crianças, aconselham e dão orientação profissional e vocacional. A sua área especial de intervenção é a da saúde mental e, porventura, será aceitável dizer que a psiquiatria difere da psicologia clínica, neste aspeto, não em natureza, mas em grau: ocupar-se-ia dos problemas mais severos e graves. A esquizofrenia, por exemplo, é normalmente objeto de intervenção psiquiátrica, ao passo que uma depressão nervosa não o é necessariamente. Reconhecemos, contudo, que o terreno é movediço e, por conseguinte, discutíveis estas distinções.

Um psicanalista é um profissional que, tendo-se formado em Medicina ou Psicologia ou mesmo noutra área, será considerado psicanalista se obtiver especialização na técnica terapêutica criada por Freud. 


04/09/2012

Psicologia do Desporto - estratégias

Algumas das estratégias são as seguintes:
  • Dar mais importância ao processo do que ao resultado.

Apesar de por vezes se ouvir dizer que o mundo do desporto «Ganhar não é o mais importante, é a única coisa importante», os psicólogos do desporto pensam que transmitir a ideia de que tem de se ganhar a todo o custo pode ter efeitos contraproducentes. Quem se concentra demasiado nos resultados muitas vezes não se concentra devidamente na sua tarefa. Assim, é preciso transmitir aos atletas a ideia de que o mais importante é desempenharem bem o seu papel e não se preocuparem demasiado com os resultados. Estes virão por sim.
  • Usar técnicas de relaxamento muscular respiratório

Alguns atletas são muito nervosos e vivem com grande ansiedade os momentos prévios à competição. Nesses casos, os psicólogos desportivos usam técnicas de relaxamento respiratório e muscular. O objetivo é o de acalmar os atletas e permitir que se concentrem melhor.
  • Usar o diálogo positivo consigo mesmo


Muitos atletas em fase de mau rendimento desenvolvem uma perceção negativa das suas capacidades, pensam e dizem coisas negativas a si mesmos. A tarefa do psicólogo desportivo é a de promover uma modificação cognitiva de modo que os atletas tenham uma atitude mais positiva. No caso do goleador que há 16 jogos não marca e que começa a esquecer que é goleador, é preciso dizer-lhe que não deve exagerar os fracassos recentes, ou seja, que deve olhar não só para os jogos sem marcar, mas também para os vinte jogos em que marcou 26 golos.


03/09/2012

Psicologia do Desporto

Considera os seguintes casos:
  •  Uma equipa de futebol consegue excelentes resultados «em casa», mas tem um desempenho desastroso ou pelo menos compromete as suas aspirações ao título nos jogos fora do seu «reduto».
  • Um jogador perdeu confiança na sua capacidade goleadora porque, depois de vinte jogos em que marcou 26 golos, está há 16 jogos sem marcar.
  • Um atleta português recordista mundial dos 5000 metros durante vários anos nunca ganhou uma competição internacional de relevo porque se deixava vencer pela ansiedade no momento da competição.

O que têm de comum a equipa de futebol, o goleador e o recordista mundial? Provavelmente o seu desempenho melhoraria se trabalhassem com um psicólogo desportivo.
A psicologia do desporto é uma área da psicologia que aplica princípios psicológicos com o objetivo de melhorar o rendimento desportivo e de aumentar o grau de satisfação com a prática do desporto.
De uma forma menos geral, diremos que os psicólogos desportivos ajudam a motivar os atletas, a reduzir o seu grau de ansiedade (podem fazer isto através dos treinadores), e podem transmitir aos treinadores formas mais efetivas de comunicação com os atletas.

Muitas destas técnicas são importadas do campo da psicologia clínica (em especial as terapias cognitivas e comportamentais) e são adaptadas a uma realidade muito competitiva e que muito exige dos atletas.