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13/08/2012

Albert Camus: "O absurdo e a revolta como sentido"

  • De acordo com Albert Camus, a condição humana é caracterizada pelo sentimento do absurdo. 
  • O fundamento deste sentimento é a incompatibilidade entre os desejos e aspirações do Homem e a realidade - o Mundo. A realidade não foi feita adequando-se a nós, há um desajuste, ou seja, o mundo não corresponde aos nossos apelos. Nós desejamos um mundo justo; no entanto, o mundo em nada está interessado nos nossos sonhos de justiça, nem as sociedades criadas pelo Homem estão disponíveis a realizá-los. Nascemos, portanto, inocentes e inócuos, preparados para amar e viver num mundo onde não existe qualquer bondade. Cada um de nós é uma vítima da insanidade de que o mundo padece, queremos promover valores absolutos, o que se vem a revelar impossível. Este mundo insano é um palco onde personagens como "claridade", "bondade" e "sentido" não têm qualquer lugar e a tragédia que assombra este mundo a que estamos presos é ilustrada pelo sofrimentos dos inocentes, nomeadamente das crianças, seres mais inocentes que existem. E, face a todo este sofrimento, será que ainda é válido afirmar a existência de um Deus, bondoso e misericordioso? Não serão  as ideias de mundo cruel e Deus incompatíveis e antitéticas? 
  • Como se já não bastasse o mundo ser um "parceiro" cruel, torturante e injusto, acrescentam-se ainda os factores tempo e morte, o primeiro parecendo escassear a cada minuto que passa, fazendo o segundo tornar-se numa presença cada vez mais constante. A condição humana é uma absurda aventura, vivemos em vão e temos os dias contados. Uma prova de que a vida, muitas vezes, é vivida em vão são as rotinas, dia após dia fazemos as mesmas coisas, falamos com as mesmas pessoas, respiramos a mesma quantidade de ar, tudo com horas e minutos contados.
  • Assim, e enfrentando a nossa condição sem qualquer sentido, coloca-se a questão, que atitude devemos adoptar para mudarmos? O suicídio não é uma opção a considerar, e Camus não acredita num Deus de um reino superior que interfira no nosso quotidiano (não negando, contudo, que ele possa existir, mas afirmando tratar-se de um niilismo passivo, de que "tudo é inútil" e de que "nada vale a pena"). Assim, Camus considera este sofrimento como um estímulo, um incentivo, para continuarmos a lutar contra o tempo e a morte.
  • Contudo, é impossível lutar contra a morte, e quanto ao mal existente no mundo, a única coisa que está ao alcance do Homem é lutar para tentar fazer com que as injustiças e os sofrimentos presentes no mundo decresçam, luta essa em que afirmamos cada vez mais a nossa vontade de viver.
  • A filosofia de Camus consiste em declarar guerra ao mundo absurdo em que nós, seres humanos, vivemos. A sua resposta é, pura e simplesmente, a revolta, onde não tenciona cooperar com a actual sociedade corrupta e desonesta e com um mundo que destrói por completo todos e qualquer sonhos que possam existir. Assim, o Homem afirma dramaticamente que é honesto e inocente e a única solução é viver no deserto, onde pode começar a sua vida do zero.
  • Assim, e citando Camus, "aceitar o carácter absurdo de tudo o que nos rodeia é um momento, uma experiência necessária. Mas não deve tornar-se um ponto de chegada. Deve despertar uma revolta que possa tornar-se frutuosa e permitir-nos descobrir os meios de dar um relativo sentido à existência". 

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