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23/08/2012

A Psicologia?

O termo “psicologia” deriva de duas palavras gregas, psyche, que significa alma ou mente, e logos, que significa estudo de um determinado assunto. É, pelo menos, também aos gregos, e sobretudo a filósofos como Platão e Aristóteles, que devemos remontar para encontrarmos reflexões e conjeturas sistemáticas sobre a inteligência, a motivação, as emoções e a mente humana em geral.

Durante muitos séculos, a psicologia foi definida pelos filósofos como o saber acerca da alma. Mas o que era a alma? Uma realidade metafísica, ou seja, uma realidade fora do alcance dos nossos sentidos, que pode ser objeto de qualquer experiência (não se pode ver nem tocar). Se a alma era inacessível, a que tínhamos acesso, segundo os filósofos antigos e medievais? Às manifestações da alma, ou seja, aos processos mentais. Assim, as emoções são manifestações da alma.

Durante o século XVIII verificam-se alguns acontecimentos importantes. Kant, filósofo alemão, demonstra que as realidades metafísicas (Alma, Deus) não podem ser objeto de conhecimento científico (só conhecemos aquilo de que temos experiência). A alma e a sua existência podem ser objeto de crença, mas nunca de conhecimento científico. A psicologia torna-se humildemente um saber sobre os fatos psíquicos, os processos mentais. A alma em si mesma é uma simples hipótese: pode existir ou não. A esta alteração no modo como filósofos entendiam o objeto da psicologia devemos acrescentar outro acontecimento significativo: os sucessos espetaculares da física (que desde Galileu se emancipara da filosofia) no conhecimento da natureza. A que se deviam estes sucessos? À utilização cada vez mais sofisticada do método experimental. A física torna-se o modelo de ciência a imitar tanto quanto possível. E imitá-la significará para os cientistas em geral, nos séculos XVIII e XIX, aplicar o método que a tornou bem sucedida. Assim, quando no final do século XIX se pretender dar caráter científico à psicologia, aplicar-se-á o método experimental ao estudo dos factos psíquicos.


A psicologia é, portanto, uma disciplina ao mesmo tempo muito nova e muito velha. Muito velha porque desde bem cedo os filósofos se interrogaram sobre os mistérios da mente e do comportamento. Muito nova porque só perto do século XX a psicologia se torna uma disciplina científica baseada na observação e na experimentação. Torna-se assim uma disciplina independente.


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