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31/08/2012

Exemplos de atuação dos psicólogos organizacionais

A comunicação
A comunicação é um fator-chave em qualquer relação, seja afetiva, seja profissional. Deficiências na comunicação entre diretores e responsáveis, entre estes e os trabalhadores, entre os trabalhadores e seus pares, entre estes e a direção, entre os administradores da empresa e outras empresas e entre o setor publicitário e o público consumidor tornam deficiente a qualidade comunicacional e as possibilidades de sucesso da empresa diminuem. A capacidade de comunicação – passar bem a mensagem em vários contextos e para vários recetores – é uma qualidade muito prezada e encabeça a lista de competências desejadas nos trabalhadores. Por outro lado, também se exige que os empregados e trabalhadores tenham proficiência, capacidade de liderança quando for o caso e flexibilidade nas relações interpessoais.
Um dos maiores problemas com que as empresas um pouco por todo o lado se debatem é o haver dezenas de milhões de trabalhadores que não sabem ler nem escrever. Outros milhões têm competências linguísticas tão reduzidas que não sabem compreender uma simples lista de instruções. Os psicólogos organizacionais aconselham as empresas a tentar melhorar o grau de proficiência linguística dos seus empregados e vários milhões de dólares e de euros são destinados a esse fim. Na internet abundam as mensagens publicitárias de várias empresas que constituem involuntariamente interessantes formas de humor. Fiquem dois exemplos: «Precisa-se: homem para mexer em dinamite. É necessário que viaje inadvertidamente» e «Para venda: grande cão de raça Dane. Pedigree registado. Come de tudo. Gosta especialmente de crianças».

As mudanças no mundo do trabalho e das empresas
«Como será o mundo do trabalho dentro de alguns anos?» é uma questão a que os psicólogos organizacionais dão muita importância. Na verdade, as empresas e os trabalhadores têm de se preparar para os desafios do futuro. Neste século, quatro em cinco empregados estão já na área da prestação de serviços tais como serviços bancários, seguros, cuidados de saúde, educação, processamento, armazenamento e controlo de dados e consultadoria. Os trabalhos que exigem mais educação e treino serão os que crescerão mais e os mais bem pagos. Boas classificações universitárias, domínio de várias línguas, experiência de trabalho, excelentes competências informáticas serão trunfos decisivos.
As empresas devem estar preparadas para deslocar trabalhadores e quadros técnicos com mais frequência para vários países. A capacidade de comunicar com as pessoas de diferentes culturas será importante. Os constantes avanços tecnológicos exigirão investimentos em máquinas e software e formação contínua dos trabalhadores. A vida de muitas pessoas centra-se no local de trabalho. É importante que as empresas e organizações se preocupem em promover a saúde e o bem-estar dos seus empregados mediante centros de fitness e programas contra o stresse. Muitas empresas devem estar preparadas para estabelecer horários flexíveis de trabalho que permitam harmonizar relativamente as carreiras profissionais e as aspirações a uma vida familiar satisfatória.


30/08/2012

Psicologia Organizacional

Se a atividade do psicólogo educacional se desenvolve no âmbito da educação, é no mundo do trabalho que encontramos o psicólogo organizacional. O psicólogo organizacional centre a sua atividade na relação que as pessoas – patrões e empregados – estabelecem com o seu trabalho e com os fatores que o envolvem. Empresas, instituições, organismos públicos ou privados são o seu campo de atuação.

As tarefas do psicólogo organizacional são diversificadas: analisa a estrutura e o funcionamento das organizações sociais; investiga que fatores condicionam a satisfação no trabalho e que fatores motivam uma melhor produtividade (vários psicólogos organizacionais utilizam estratégias de modificação comportamental para melhorar os níveis de satisfação e de produtividade); utiliza diversos instrumentos (testes psicológicos, de aptidão especifica, entrevistas) para a seleção de pessoal; reflete sobre as mudanças tecnológicas e as suas implicações no mundo do trabalho (que profissões serão mais requisitadas no futuro, que competências exigirão, como serão as relações de trabalho e com o trabalho no novo século?); planifica e supervisiona programas de formação contínua e, nalguns casos, recomenda promoções de trabalhadores. A atividade do psicólogo organizacional não se realiza à margem de qualquer interação com outros psicólogos e profissionais.

28/08/2012

Exemplos de atuação do psicólogo educacional

O problema das crianças de camadas socioculturais desfavorecidas
Segundo a maioria dos psicólogos educacionais, as crianças de estratos socioeconómicos menos favorecidos poderão melhorar o seu rendimento escolar se as escolas transmitirem a ideia de que o ensino é necessário para o sucesso, se tiverem professores sensíveis à diversidade sociocultural e que estabeleçam ligações positivas com a comunidade escolar e com a comunidade social. Mas nem tudo se pode pedir à escola. É preciso que os pais também se envolvam na educação dos filhos e, valorizando a instituição escolar, tenham expetativas e exigências elevadas quanto ao seu desempenho escolar e educativo.

O envolvimento das famílias na educação dos filhos
Segundo a generalidade dos psicólogos educacionais, o processo educativo não deve envolver somente os professores e a comunidade escolar. Os pais devem ser intervenientes ativos nesse processo e cabe-lhes também assumir as suas responsabilidades. As direções das escolas e os próprios professores devem incentivar as famílias a envolverem-se na educação dos filhos. Mas e se, por razões várias, alguns pais continuam ausentes? Nesse caso, dizem alguns psicólogos, as escolas devem criar um ambiente relativamente familiar com professores e outros membros da escola a dedicarem atenção especial a crianças cujos pais se mantêm à margem.

As crianças com necessidades educativas especiais

As crianças com necessidades educativas especiais precisam de apoio adicional para enfrentarem e em certa medida ultrapassar os seus problemas. São crianças com necessidades educativas especiais as crianças com problemas físicos e psíquicos, com problemas de comunicação, com atrasos no desenvolvimento intelectual, mas também crianças especialmente dotadas e talentosas a que se costuma chamar sobredotadas. Há pouco mais de duas décadas, considerava-se apropriado educar este tipo de crianças à parte. A tendência atual da psicologia educacional é a de considerar apropriada a inclusão de todos os estudantes (tanto quanto possível) na mesma sala de aula, mesmo que alguns – como os que estão no espetro do autismo – tenham de seguir currículos alternativos e frequentar em paralelo salas de recursos especiais fora do ambiente da turma, ficando aí a cargo de um professor ou de uma professora com formação técnica adequada.


27/08/2012

Psicologia Educacional

A psicologia educacional é, em termos gerais, uma área da psicologia aplicada centrada na promoção do sucesso educativo, do desenvolvimento e adequação das instituições educativas à realidade global.
O psicólogo educacional tem um campo de intervenção bastante amplo, uma vez que trata dos aspetos psicológicos da educação em crianças e pessoas adultas de todas as idades.
Costuma pensar-se que o psicólogo educacional intervém no interior da instituição escolar para apoiar e orientar estudantes que manifestam dificuldades de aprendizagem e de ajustamento ao processo educativo. Esta tarefa é simplesmente um dos aspetos da atividade do psicólogo educacional. Os psicólogos da área educacional dedicam-se também, por exemplo: a definir critérios a que deve obedecer a formação de professores; a estabelecer, de acordo com princípios fundamentais do desenvolvimento cognitivo, o momento em que no processo educativo são possíveis determinadas aprendizagens; a avaliar e desenvolver currículos, materiais e métodos do processos ensino-aprendizagem; a determinar o efeito dos educadores no comportamento dos educandos; a elaborar programas e métodos que formem e aconselhem professores e pais no auxílio a crianças com problemas emocionais e de aprendizagem.

Dentro do campo de atuação do psicólogo educacional estão as instituições, métodos, currículos e estruturas do sistema educativo. A sua intervenção é importante no que respeita aos objetivos da educação, à orientação escolar e vocacional/profissional, intervindo junto de organizações sociais como as instituições educativas, trabalha em colaboração e diálogo com professores, pais, alunos e outros participantes no processo educativo. Uma vez que o percurso escolar de um individuo é simplesmente um dos aspeto do seu desenvolvimento e é influenciado pela interação com os outros fatores, o psicólogo educacional não se pode limitar ao aconselhamento em estratégias e métodos de ensino-aprendizagem, em matéria de currículos e de recursos educativos. Com efeito, uma instituição educativa é uma realidade social e económica, com as suas contradições e ambiguidades, com um modo de funcionamento e de ligação à comunidade onde se insere que pode dificultar ou facilitar a atividade educativas. Por outro lado, a intervenção na promoção e desenvolvimento do sucesso educativo – não meramente escolar – exige atenção ao individuo enquanto membro da comunidade educativa. Assim, numa perspetiva educacional e não terapêutica, o psicólogo educacional pode aconselhar os membros da comunidade educativa no que respeita a problemas emocionais e distúrbios comportamentais de pessoas direta ou indiretamente envolvidas na vida da escola.

25/08/2012

A Psicologia - Ciência com um longo passado e uma curta história

Longo passado – os “mistérios da mente” e os enigmas do comportamento humano desde bem cedo despertaram interrogações:
  • O que são sonhos? Fantasias sem sentido? Forma de comunicação com potências sobrenaturais? Qual a relação entre sono e sonhos?
  • Já nascemos com determinadas capacidades ou é tudo resultado de experiência e aprendizagem? Seremos, por natureza, conformistas e obedientes?

Curta história – só a partir de 1879 a psicologia assume características cientificas. A investigação basear-se-á na observação, no registo sistemático de dados e na experimentação, inicialmente em laboratório e depois também em ambiente ecológico. Até então limitada às especulações dos filósofos, a psicologia emancipa-se e, adotando um método científico, torna-se um ciência.
Há, em suma, um longo passado de questões sobre o comportamento humano e os processos mentais, mas uma curta história de respostas científicas a essas questões.

Os dois grandes momentos da história da psicologia
Psicologia pré-científica – conjunto de teorias resultantes de especulações não submetidas a testes empíricos (antes de 1879).

Psicologia como ciência – conjunto de teorias submetidas a testes empíricos e formadas mediante métodos que valorizam a experimentação e a observação (depois de 1879).

24/08/2012

O objeto da Psicologia

O comportamento – em sentido estrito, significa toda a atividade que pode ser observada, que é acessível aos nossos sentidos.
Exemplo: movimentos e mudanças no espaço e no tempo, o que dizemos e escrevemos, dormir, chorar, abraçar, ferir, beijar, agredir, etc.

Processos mentais – toda e qualquer atividade que não pode ser diretamente observada.
Exemplo: pensamentos, motivações, sonhos, perceções, emoções, a memorização, a compreensão, etc.

Os comportamentos e os processos mentais não formam compartimentos estanques porque se influenciam mutuamente.

Vários psicólogos contemporâneos afirmam que os processos mentais podem ser estudados mediante a observação de alterações no comportamento em situações específicas. A partir de alterações comportamentais inferem que também ocorreram mudanças em processos mentais.

23/08/2012

A Psicologia?

O termo “psicologia” deriva de duas palavras gregas, psyche, que significa alma ou mente, e logos, que significa estudo de um determinado assunto. É, pelo menos, também aos gregos, e sobretudo a filósofos como Platão e Aristóteles, que devemos remontar para encontrarmos reflexões e conjeturas sistemáticas sobre a inteligência, a motivação, as emoções e a mente humana em geral.

Durante muitos séculos, a psicologia foi definida pelos filósofos como o saber acerca da alma. Mas o que era a alma? Uma realidade metafísica, ou seja, uma realidade fora do alcance dos nossos sentidos, que pode ser objeto de qualquer experiência (não se pode ver nem tocar). Se a alma era inacessível, a que tínhamos acesso, segundo os filósofos antigos e medievais? Às manifestações da alma, ou seja, aos processos mentais. Assim, as emoções são manifestações da alma.

Durante o século XVIII verificam-se alguns acontecimentos importantes. Kant, filósofo alemão, demonstra que as realidades metafísicas (Alma, Deus) não podem ser objeto de conhecimento científico (só conhecemos aquilo de que temos experiência). A alma e a sua existência podem ser objeto de crença, mas nunca de conhecimento científico. A psicologia torna-se humildemente um saber sobre os fatos psíquicos, os processos mentais. A alma em si mesma é uma simples hipótese: pode existir ou não. A esta alteração no modo como filósofos entendiam o objeto da psicologia devemos acrescentar outro acontecimento significativo: os sucessos espetaculares da física (que desde Galileu se emancipara da filosofia) no conhecimento da natureza. A que se deviam estes sucessos? À utilização cada vez mais sofisticada do método experimental. A física torna-se o modelo de ciência a imitar tanto quanto possível. E imitá-la significará para os cientistas em geral, nos séculos XVIII e XIX, aplicar o método que a tornou bem sucedida. Assim, quando no final do século XIX se pretender dar caráter científico à psicologia, aplicar-se-á o método experimental ao estudo dos factos psíquicos.


A psicologia é, portanto, uma disciplina ao mesmo tempo muito nova e muito velha. Muito velha porque desde bem cedo os filósofos se interrogaram sobre os mistérios da mente e do comportamento. Muito nova porque só perto do século XX a psicologia se torna uma disciplina científica baseada na observação e na experimentação. Torna-se assim uma disciplina independente.


21/08/2012

O que é a Psicologia?

De que trata a Psicologia? O que estuda, ou qual o objeto da sua investigação?
A psicologia é o estudo científico do comportamento e dos processos mentais.
Esta definição afasta imediatamente a ideia simplista de que a psicologia seria simplesmente o estudo dos comportamentos anormais e das desordens e perturbações psíquicas. Todos os tipos de comportamentos e de processos mentais interessam à investigação psicológica.

Estudo científico significa que os psicólogos usam métodos bem organizados para descrever, explicar e interpretar os factos psíquicos. Não se limitam a observar, acumular e catalogar factos.
Comportamentos, em sentido restrito, significa um conjunto de atos diretamente observáveis tais como falar alto, correr, corar, etc. 

Contudo, a psicologia não se limita a estudar o que as pessoas fazem. Interessa-se igualmente por fenómenos ou fatos que não são exteriormente observáveis tais como o pensamento e o raciocínio, o sonho e o sono, a sensação e a perceção, os sentimentos, as atitudes, etc. Estes fenómenos têm o nome de processos mentais.

Estudar psicologia é tentar compreender o que fazemos, como pensamos, sentimos, respondemos a problemas e crises, à influência do meio, como aprendemos e nos desenvolvemos intelectualmente e moralmente, como interagimos com os nossos semelhantes….

A definição do objeto de estudo da psicologia como sendo o comportamento e os processos mentais foi o resultado de uma revolução. Nos finais do século XIX, os processos mentais eram considerados o objeto apropriado da psicologia. Durante as primeiras décadas do século XX, tentou reduzir-se o objeto de estudo da psicologia ao que era observável (ao comportamento em sentido estrito). Hoje em dia, foram ultrapassadas estas perspetivas simplistas e redutoras: a psicologia é, por definição, o estudo do comportamento e dos processos mentais. Estes dois elementos não podem ser estudados isoladamente, estão intimamente ligados, pelo que os psicólogos na atualidade entendem por comportamento aquilo que um ser vivo (essencialmente o ser humano) faz, diz, pensa e sente.

18/08/2012

Racionalismo

Afirma:

  • A importância da RAZÃO como fonte exclusiva do conhecimento verdadeiro;
  • A RAZÃO como único órgão (faculdade) adequado e complexo de conhecimento.
Todo o conhecimento verdadeiro tem origem racional.

O nosso conhecimento origina-se no poder e autonomia da razão face aos sentidos e à experiência sensível.
É a razão (e apenas a razão) que nos proporciona o acesso à verdadeira essência das coisas ou objectos que queremos conhecer, ou seja, é a razão que nos proporciona o conhecimento da realidade na sua essência =conhecimento verdadeiro.

Descartes é considerado o fundador do Racionalismo Moderno.
Recusa e critica (opõe-se ao) o Empirismo porque não aceita a:
  • ligação à sensibilidade = a experiência sensível como fonte única de conhecimento;
  • total dependência da RAZÃO face aos sentidos = concepção da razão como tábua rasa, i.e., recusa uma concepção passiva da razão.
Defende que:
  • Só a razão pode conhecer = dá acesso à essência das coisas ou objectos, dum modo claro e distinto porque a razão contém ideias inatas = sementes da verdade.
  • Os sentidos são uma fonte errónea de conhecimento e de erros e preconceitos sobre as coisas exteriores; nada informam sobre a natureza ou essência das coisas, ou seja, não dão acesso às ideias claras e distintas (evidentes) e dão apenas informações externas = qualidade sensíveis.
As ideias que fabricamos, com base nas informações recebidas através dos sentidos (ideias adventícias, não tem qualquer valor do ponto de vista cognitivo.

Conhecimento 
Origem: razão, i.e., ideias inatas da razão.
Desenvolvimento ou processo de construção do saber: seguindo as regras do método aplica-se a dedução das ideias inatas (apreendidas por intuição).
Valor: o conhecimento é verdadeiro porque Deus garante: 
  • a veracidade das ideias inatas;
  • a correspondência entre aquilo que eu penso/conheço sobre o real (as minhas ideias) e o próprio real existe fora de mim, ou seja, há uma correspondência entre a ordem do pensamento e a ordem do real.

17/08/2012

Conhecimento vulgar e conhecimento científico

A distinção entre conhecimento empírico e conhecimento racional conduz a uma segunda distinção entre conhecimento vulgar e conhecimento cientifico.

O conhecimento vulgar (ou senso comum)
É uma forma elementar (= primária), e superficial de conhecimento, assente numa atitude ingénua, não crítica e pouco racional:
Regista o aparente sem perspectiva, ou seja, satisfaz-se com o resultado imediato da observação e com o conhecimento que o reproduz, porque pensa ingenuamente que descrever é explicar.
Não tem preocupação de objectividade nem de coerência lógica:

  • é sempre subjectivo (exprime-se através de opiniões que não se sabem fundamentar) e particular (incide sobre situações particulares da experiência quotidiana e vivencial);
  • nem sempre pensa (raciocina) de uma forma lógica e coerente, na medida em que muitas vezes desrespeita os princípios lógicos da razão (ou seja, profere frequentemente afirmações contraditórias) e por exemplo aproxima o que de facto não tem relação (analogias falaciosas) e faz generalizações abusivas (também falaciosas).
Não resulta de uma prática especificamente orientada para o produzir: forma-se, acumula-se e reproduz-se, espontaneamente, no suceder da vida quotidiana, consoante as exigências e necessidade da vida prática.


O conhecimento cientifico
Não se contenta com a visão superficial da descrição do que acontece (aparente) e quer apreender o porquê do que acontece (ir além do aparente dado pelo conhecimento empírico e vulgar):
  • sabe que estabelecer as relações (leis) que permitem explicar e prever a ocorrência dos fenómenos é uma tarefa e uma actividade da razão humana que trabalha coerente e metodicamente.
  • sabe que o conhecimento vulgar não nos dá o verdadeiro acesso à realidade, podendo mesmo ser um obstáculo à construção do conhecimento científico.

16/08/2012

Conhecimento empírico e conhecimento racional

A distinção entre conhecimento empírico e conhecimento racional e a necessidade de ultrapassar o plano do conhecimento empírico para chegar ao conhecimento racional (que vai para além do aparente e quer captar o que há de inteligível na realidade, dando uma ordem e sentido à caótica diversidade dos dados sensoriais) é uma das primeiras conquistas da reflexão filosófica.

O conhecimento empírico
Não oferece garantias de segurança, pois está sujeito ao erro e à mobilidade das impressões sensoriais.
Não oferece uma imagem estável da realidade que simultaneamente esteja de acordo com:

  • os objectivos da ciência: formulação de leis constantes que regem os fenómenos;
  • a exigência de coerência do pensamento que se manifesta no estrito respeito pelos princípios lógicos da razão, nomeadamente os princípios de identidade e da contradição.  
O conhecimento racional
Resulta do trabalho do intelecto (razão) que elabora representações mentais e abstractas (conceitos) e introduz lógicas entre os dados provenientes da experiência de modo a construir teorias interpretativas/explicativas acerca da realidade.

13/08/2012

Albert Camus: "O absurdo e a revolta como sentido"

  • De acordo com Albert Camus, a condição humana é caracterizada pelo sentimento do absurdo. 
  • O fundamento deste sentimento é a incompatibilidade entre os desejos e aspirações do Homem e a realidade - o Mundo. A realidade não foi feita adequando-se a nós, há um desajuste, ou seja, o mundo não corresponde aos nossos apelos. Nós desejamos um mundo justo; no entanto, o mundo em nada está interessado nos nossos sonhos de justiça, nem as sociedades criadas pelo Homem estão disponíveis a realizá-los. Nascemos, portanto, inocentes e inócuos, preparados para amar e viver num mundo onde não existe qualquer bondade. Cada um de nós é uma vítima da insanidade de que o mundo padece, queremos promover valores absolutos, o que se vem a revelar impossível. Este mundo insano é um palco onde personagens como "claridade", "bondade" e "sentido" não têm qualquer lugar e a tragédia que assombra este mundo a que estamos presos é ilustrada pelo sofrimentos dos inocentes, nomeadamente das crianças, seres mais inocentes que existem. E, face a todo este sofrimento, será que ainda é válido afirmar a existência de um Deus, bondoso e misericordioso? Não serão  as ideias de mundo cruel e Deus incompatíveis e antitéticas? 
  • Como se já não bastasse o mundo ser um "parceiro" cruel, torturante e injusto, acrescentam-se ainda os factores tempo e morte, o primeiro parecendo escassear a cada minuto que passa, fazendo o segundo tornar-se numa presença cada vez mais constante. A condição humana é uma absurda aventura, vivemos em vão e temos os dias contados. Uma prova de que a vida, muitas vezes, é vivida em vão são as rotinas, dia após dia fazemos as mesmas coisas, falamos com as mesmas pessoas, respiramos a mesma quantidade de ar, tudo com horas e minutos contados.
  • Assim, e enfrentando a nossa condição sem qualquer sentido, coloca-se a questão, que atitude devemos adoptar para mudarmos? O suicídio não é uma opção a considerar, e Camus não acredita num Deus de um reino superior que interfira no nosso quotidiano (não negando, contudo, que ele possa existir, mas afirmando tratar-se de um niilismo passivo, de que "tudo é inútil" e de que "nada vale a pena"). Assim, Camus considera este sofrimento como um estímulo, um incentivo, para continuarmos a lutar contra o tempo e a morte.
  • Contudo, é impossível lutar contra a morte, e quanto ao mal existente no mundo, a única coisa que está ao alcance do Homem é lutar para tentar fazer com que as injustiças e os sofrimentos presentes no mundo decresçam, luta essa em que afirmamos cada vez mais a nossa vontade de viver.
  • A filosofia de Camus consiste em declarar guerra ao mundo absurdo em que nós, seres humanos, vivemos. A sua resposta é, pura e simplesmente, a revolta, onde não tenciona cooperar com a actual sociedade corrupta e desonesta e com um mundo que destrói por completo todos e qualquer sonhos que possam existir. Assim, o Homem afirma dramaticamente que é honesto e inocente e a única solução é viver no deserto, onde pode começar a sua vida do zero.
  • Assim, e citando Camus, "aceitar o carácter absurdo de tudo o que nos rodeia é um momento, uma experiência necessária. Mas não deve tornar-se um ponto de chegada. Deve despertar uma revolta que possa tornar-se frutuosa e permitir-nos descobrir os meios de dar um relativo sentido à existência". 

10/08/2012

Relações de Ideias e Conhecimentos de Facto

Relações de Ideias
  • São conhecimento a priori.
  • A verdade das proposições e a coerência dos argumentos que combinam relações de ideias não dependem do confronto com os factos ou com a experiência.
  • As relações de ideias são verdades necessárias.
  • A sua negação é contraditória. É logicamente possível a sua negação.
  • As proposições que exprimem e combinam relações de ideias não nos dão qualquer conhecimento sobre o que se passa no mundo.

Conhecimento de facto
  • São conhecimentos a posteriori.
  • A verdade de proposições que se referem a factos depende de exame empírico.
  • A verdade das proposições de facto é contingente.
  • Esta proposição é contingentemente verdadeira. Não é logicamente impossível que o Sol não nasça amanhã, apesar de ser muito pouco provável.
  • As proposições que se referem a factos vistam descobrir coisas sobre o mundo e dar-nos conhecimentos sobre o que neste existe e acontece.

09/08/2012

David Hume - Os tipos de conhecimento

Os conhecimentos a que Hume dá o nome de "relação entre ideias" são conhecimentos a priori. Consistem, esses conhecimentos, em analisar o significado dos elementos de uma proposição, em estabelecer relações entre ideias que ela contém. As "relações entre ideias" são proposições cuja verdade pode ser conhecida pela simples inspecção lógica do seu conteúdo.
Vejamos: a proposição "O quadrado tem quatro lados" é um juízo necessariamente verdadeiro e para isso estarmos certos basta analisar o significado de "quadrado". Trata-se de uma verdade necessária porque a sua negação implica uma contradição. 

Todo o conhecimento do mundo é baseado na experiência, ou seja, é a posteriori. Só as matemáticas e a lógica são conhecimentos a priori.

Vemos assim que, embora todas as ideias tenham o seu fundamento nas impressões, podemos conhecer sem necessidade de recorrer às impressões, isto é, ao confronto com a experiência. É o caso dos conhecimentos da lógica e da matemática.
Contundo, diz Hume, tais conhecimentos, ou seja, as proposições lógicas e matemáticas, nada nos dizem sobre o que existe e acontece no mundo.
Se nos limitarmos a este tipo de conhecimentos, nada ficamos a saber sobre o mundo. Unicamente formamos relações correctas entre ideias, seja a ideias de triângulo, de círculo, de quadrado ou a ligação de ideias e de proposições num raciocínio lógico. 

O segundo tipo de conhecimento - o conhecimento de questões de facto - já implica um confronto das proposições (do que dizemos) com a experiência. Os conhecimentos de facto são proposições cujo valor de verdade tem de ser testado pela experiência, ou seja, temos de "inspeccionar" o mundo dos factos para verificar se elas são verdadeiras ou falsas.
Assim, a proposição "Este martelo é pesado" é um juízo cujo valor de verdade não pode ser decidido pela simples inspecção a priori do significado dos termos, isto é, temos de a confrontar com uma verificação experimental elementar, ou seja, a sua verdade ou falsidade só pode ser determinada a posteriori.
Pode ser verdadeira ou pode ser falsa. A verdade desta proposição é contingente.
 O que significa isto? Que a negação da proposição «Este martelo é pesado» não implica contradição.


07/08/2012

David Hume - Os tipos de conhecimento

«Todos os objectos da razão ou investigação humanas podem naturalmente dividir-se em duas classes, a saber, Relações de Ideias e Conhecimentos de Facto. Do primeiro tipo são as ciências da geometria, álgebra e aritmética e, em suma, toda a informação que é intuitiva e demonstrativamente certa. Que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos dois lados é uma proposição que exprime uma relação entre estas figuras. Que três vezes cinco é igual à metade de 30 expressa uma relação entre estes números. Proposições deste tipo podem descobrir-se pela simples operação do pensamento, sem dependerem do que existe em alguma parte do universo. Ainda que nunca tivesse havido um círculo ou um triângulo na natureza, as verdades demonstradas por Euclides conservariam para sempre a sua certeza e evidência.
Os Conhecimentos de Facto que constituem os segundos objectos da razão humana não são indignados da mesma maneira, nem a nossa evidência da sua verdade, por maior que seja, é de natureza semelhante à precedente. O contrário de toda a questão de facto é ainda possível, porque jamais pode implicar uma contradição, e é concebido pela mente com a mesma facilidade e nitidez como se fosse idêntico à realidade.
Que o Sol não se há-de levantar amanhã não é uma proposição menos inteligível e não implica maior contradição do que a afirmação de que ele se levantará. Por conseguinte, em vão tentaríamos demonstrar a sua falsidade. Se fosse demonstrativamente falsa, implicaria uma contradição e nunca poderia ser distintamente concebida pela mente.»
David Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano,
Lisboa, INCM, 2002 (Adaptado) 

Estabelecemos a distinção entre impressões e ideias. Esta distinção diz respeito aos elementos do conhecimento. Trataremos, de imediato, da distinção entre os modos ou tipos de conhecimento. Hume refere dois tipos:
  • Conhecimento de ideias (relações de ideias):

As seguintes proposições correspondem a conhecimentos de ou a relações entre ideias:
- O triângulo tem três ângulos.
- Um objecto azul é um objecto com cor.
- 25 é um terço de 75.
  • Conhecimento de questões de facto:

As seguintes proposições correspondem a conhecimentos de questões de facto:
- Amanhã vai chover.
- A neve resulta da descida acentuada da temperatura.
- O calor dilata os corpos.


06/08/2012

David Hume - Impressões e Ideias


Para David Hume, todo o conhecimento começa com a experiência. Hume fala de percepções para referir os conteúdos da nossa mente, ou seja, o que existe na nossa mente. Há duas espécies de percepções.
  • Impressões - são os actos originários do nosso conhecimento e correspondem aos dados da experiência presente ou actual. Referem-se às nossas sensações externas (ao que vemos, ao que tocamos, etc.) e aos nossos sentimentos (paixões, desejos, etc.).
  • Ideias - são as representações ou imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões no pensamento. São como marcas deixadas pelas impressões, uma vez estas desaparecidas.
Exemplo:
Tenho a percepção deste automóvel. Recebo impressões como a cor, a forma, o ruído do motor, etc. Fecho os olhos e na minha mente continua a imagem do automóvel, ou seja, continuo a percepcionar o mesmo objecto, mas a impressão é menos viva. A esta impressão menos viva, cópia enfraquecida da impressão original, dá Hume o nome de ideia.
A diferença entre impressões e ideias é simplesmente de grau e não de natureza.
As impressões propriamente ditas são todas as nossas sensações e sentimentos. As ideias são imagens enfraquecidas dessas impressões. Esta relação entre impressões e ideias significa que não há, para Hume, ideias inatas.
Como todas as nossas ideias são cópias das impressões sensíveis, todas elas têm uma origem empírica. Uma pessoa que seja surda de nascença nunca conseguirá, segundo Hume, formar qualquer ideia de tipo musical porque nunca ouviu qualquer som musical, tal como quem é cego não formará a ideia de verde por nunca ter visto nenhuma coisa verde.

Os conteúdos da mente (Percepções)
Impressões (imagens ou sentimentos que derivam imediatamente da realidade; são percepções vivas e fortes):
  • Simples (a percepção de, por exemplo, um automóvel vermelho)
  • Complexas (a visão global de um povoado a partir de um ponto alto)
Ideias (cópias ou imagens débeis das impressões):
  • Simples (a recordação do automóvel vermelho)
  • Complexas (a recordação do povoado) 
Todos os conteúdos da mente são percepções. Estas são de dois tipos: impressões e ideias. As primeiras são originárias; as segundas são derivadas. Por isso, não há ideias inatas.



02/08/2012

O Empirismo de David Hume

Encontramos em David Hume (1711-1776) uma profunda investigação sobre a origem, a possibilidade e os limites do conhecimento. Das suas conclusões disse Bertrand Russel que eram tão difíceis de aceitar como de refutar. Contudo, de acordo com o mesmo Russel, refutá-lo tem sido o passatempo preferido da maioria dos filósofos. Tratemos então de conhecer, nas suas linhas gerais, uma doutrina que ainda interpela todos aqueles que reflectem sobre o problema do conhecimento.

Impressões e ideias são o conteúdo do conhecimento
"Todas as percepções da mente humana se reduzem a dois tipos diferentes que denominarei impressões e ideias. A diferença entre ambos consiste no grau de força e de vivacidade com que incidem na mente e abrem caminho no nosso pensamento e na nossa consciência. Às percepções que se manifestam com mais força e vigor na mente podemos chamar impressões. E incluo sob este nome todas as nossas sensações, paixões e emoções tal como fazemos a sua aparição na alma.
Por ideias entendo as imagens débeis das impressões quando pensamos e raciocinamos.
Contentar-nos-emos com o estabelecimento da proposição geral de que as nossas ideias simples no seu primeiro aparecimento são derivadas de impressões simples, que lhes correspondem e que elas representam exactamente.
Para saber de que lado se encontra a dependência, considero a ordem da sua primeira aparição, e verifico, por experiência constante, que as impressões simples precedem sempre as ideias correspondentes e nunca aparecem na ordem contrária. Para dar a uma criança uma ideia de escarlate ou laranja, de doce ou amargo, mostro-lhe os objectos ou, por outras palavras, propicio-lhe estas impressões, mas não procedo tão absurdamente como tentar produzir as impressões pela excitação das ideias. As nossas ideias, ao apresentarem-se, não se produzem as impressões que lhe correspondem, e não percebemos nenhuma cor, ou sentimos nenhuma sensação, meramente por pensar nelas.
[...] As impressões são as causas das nossas ideias e não as nossas ideias das nossas impressões." 
 Montagem e adaptação de textos de David Hume
Tratado sobre a Natureza Humana e Investigação sobre o Entendimento Humano