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25/07/2012

Origem do Conhecimento


  • De onde vem o nosso conhecimento?
  • Qual a faculdade do homem que lhe permite construir o conhecimento?
  • De onde surgem as representações que construímos da realidade?
  • Qual a fonte principal do conhecimento: a razão ou a experiência?

As duas correntes que ao longo da tradição filosófica se confrontaram com esta questão foram o Empirismo e o Racionalismo.

Empirismo
É um modelo que responde ao problema da origem do conhecimento. Para o Empirismo todo o conhecimento tem origem na experiência, os sentidos são a principal fonte do conhecimento. Para os empiristas não há conhecimento que seja independente da experiência. Um dos principais representantes da corrente empirista, o filósofo inglês John Locke, traduz esta tese dizendo que nada pode existir na mente que não tenha antes passado pelos sentidos. É esta a máxima empirista acerca da origem do conhecimento. A mente (a razão) é uma "folha em branco", em "câmara vazia" na qual não há nada (nenhuma ideia, nenhum conhecimento) antes da experiência. Todo o nosso conhecimento procede da observação empírica e da aprendizagem. Não existem ideias inatas, isto é, ideias que a razão descubra em sim mesma independentemente de qualquer experiência.
" O espírito, a razão humana, é como um papel em branco no qual nada está escrito antes da experiência começar a escrever nele." (Locke)
É através da experiência que vamos construindo as ideias, ou seja, que vamos escrevendo nessa folha de papel em branco. Segundo o Empirismo, o conhecimento adquire-se da seguinte forma: os objectos vão criar impressões que ficam na nossa mente formando as ideias, então as ideias são o resultado do que fica na mente das impressões que os objectos causam aos sentidos. O Empirismo procura mostrar que a razão não é propriamente criativa - ela não pode criar conhecimentos a partir de si mesma, só ode usar materiais extraídos da experiência.

Racionalismo
Para o Racionalismo todo o conhecimento tem origem na razão e é ela que permite o acesso à verdade. Só a razão permite conhecimentos universalmente válidos e necessários. A razão é a única fonte de conhecimento válido. Os racionalistas não excluem de modo absoluto a experiência sensível, mas esta está sujeita a enganos. As informações que os sentidos nos proporcionam são confusas e não merecem o nome de conhecimento verdadeiro (apenas pela razão se alcança um conhecimento claro e distinto das coisas).
Em suma, o racionalismo concedeu o primado à razão. Afirma que na base de todo o conhecimento estão conhecimento que a razão tira de si mesma. Dirá, portanto, que a redução de todo o conhecimento a experiências directas é impossível e procura mostrar que sem os elementos que a razão tira de si mesma nem a aprendizagem com a experiência seria possível. A experiência, para o racionalista, pode ser importante enquanto fonte de problemas ou como momento de verificação de soluções, mas, em sentido estrito, não ensina, não "extraímos" conhecimento dela. Ela apenas força a razão a procurar em si (ou a construir por si) o conhecimento. Os racionalistas consideram que o conhecimento científico é a forma superior do conhecimento racional e que a razão é a base de todo o conhecimento válido. Os conteúdos da experiência por si sós não geram conhecimento válido e terão de ser organizados e explicados pela razão.


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