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11/07/2012

Objecções ao Indutivismo

O método indutivo tem sido alvo de inúmeras críticas:
- A primeira tem a ver com a observação. Não existe observação pura porque existem em nó expectativas e conhecimentos anteriores às observações. Essas expectativas e conhecimentos influenciam o que realmente vemos. Logo, as observações não são imparciais (essas expectativas interferem nas observações).  Segundo Popper, a observação num contexto científico é sempre "selectiva" porque escolhem apenas os aspectos da situação que lhes interessam para o seu estudo). Para que haja observação é necessário que haja um objecto escolhido, uma tarefa definida, um interesse prévio, um ponto de vista, um problema que se pretende resolver.
Dado que não é possível registar todos os factos empíricos, temos de seleccionar o que havemos de observar e fazemo-lo em função dos nossos interesses e expectativas teóricos.
Por exemplo, perante o mesmo cenário  um cientista interessado em lesões não registaria os mesmos factos que um cientista interessado em formigas.

- (2ª objecção) As teorias científicas referem objectos que não podem ser observáveis. Imaginemos, por exemplo, uma lei da Física sobre electrões. Os electrões não podem ser observados directamente. Por isso, essa lei pode ser vista como conclusão de um argumento indutivo cujas premissas referem apenas objectos que podem ser observados directamente (teorias científicas que referem objectos como neutrinos e electrões, genes e moléculas de ADN, são objectos não observáveis. Logo, essas teorias não podem ter sido desenvolvidas mediante simples generalizações indutivas baseadas na observação). Para ir além do mundo imediatamente observável, não podemos limitar-nos a fazer generalizações indutivas a partir daquilo que observamos (o indutivista diz-nos que as teorias científicas são generalizações formadas a partir da observação de casos particulares).

- A crítica dirigida por D. Hume (), cuja concepção aponta o carácter ilusório do indutivismo. De facto, a relação de causa-efeito que se estabelece entre os fenómenos decorre da sua repetição: depois da repetição de casos semelhantes, o espírito é levado, por hábito, ao aparecimento de um acontecimento, a esperar o que habitualmente o acompanha e a acreditar na sua experiência. 
Neste sentido, a generalização nada mais será que uma mera crença psicológica de que os factos se repitam daquele modo. 
Ex.:
- Falto à aula de Matemática e tenho má nota no teste;
- Falto à aula de Inglês e tenho má nota no teste;
- Faltar às aulas é a causa dos maus resultados nos testes.

Esta generalização ou indução pode estar correcta, mas pode igualmente estar errada. Isto porque, embora habitual e repetidamente tenha maus resultados quando falta às aulas, tal não significa que essa seja a sua verdadeira razão. Com efeito, a repetição e o hábito não são uma garantia segura para a generalização (não é um procedimento credível).
Apesar desta crítica, J. Stuart Mill (1806-1873) retoma a inspiração baconiana e acredita que é na indução que reside a especificidade metodológica da ciência.
Todavia, um outro crítico do método indutivo, K. Popper, não acreditaria que a especificidade metodológica da ciência resida na indução, mas sim no método hipotético-dedutivo.


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