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16/07/2012

Objecção, segundo Karl Popper

Se a hipótese é um enunciado geral porque pretende ser a explicação para todos os casos da mesma espécie, e se os factos deduzidos com que se pretende validá-la, são particulares, será que, comprovada a consequência, ficará comprovada a hipótese?

Hipótese - consequência
Verificação da consequência
Logo, hipótese válida.

Ora, da prova do consequente não se pode logicamente inferir que o antecedente fique provado (raciocínio falacioso).
Assim sendo, a atitude a adoptar perante uma hipótese é esta: perguntar "Pode ser refutada?" e não "Pode ser verificada?".
A estratégia da confirmação ou da verificação (possibilidade contestada por Popper - de provar que uma hipótese ou teoria é verdadeira) é substituída pela estratégia da refutação. Segundo Popper, as experiências têm por função não a verificação das hipóteses, mas a sua refutação.
E se não for refutada, se resistir à tentativa de a refutar ou falsificar? Não diremos, segundo Popper, que foi provada, mas sim "corroborada". Corroborar uma hipótese significa dizer isto: não conseguimos refutá-la (mostrar que é falsa), pelo que podemos aceitá-la provisoriamente (pode, no futuro ser refutada). Para Popper, os cientistas devem contentar-se em ver as suas hipóteses refutadas e não em vê-las verificadas ou aprovadas. Com efeito, como critério da verificação não tem validade lógica, basta um facto contrário para refutar uma hipótese, mas nenhum nº de factos favoráveis é suficiente para a confirmar.
Como podemos constatar, a lógica de procedimento científico proposta por Popper está de acordo com o Modus Tollens:

Hipótese - consequência
Verificação da consequência
Logo, hipótese válida.

Nesta perspectiva, sob o ponto de vista lógico, uma teoria ou hipótese nunca é comprovada podendo, apenas, ser refutada. Uma teoria científica aceita-se enquanto hipótese, enquanto meras conjectura. Ela terá tanto mais possibilidades de se manter quanto maior for o nº de casos de falsificação a que se submeta e esses casos se revelem infrutíferos. Podemos continuar a aceitá-la enquanto esta sobreviver aos testes, mas é de esperar que um dia a teoria seja falsificada, portanto, que surja a necessidade de encontrar uma teoria melhor. Deste modo, salienta Popper, o conhecimento cientifico é sempre falível: a nossa procura de teorias verdadeiras sobre o mundo nunca nos dá certeza de que essas teorias são verdadeiras.
As teorias científicas deixam de ser consideradas verdadeiras e só podem ser consideradas "aceitáveis", "verossímeis" ou "corroboráveis" (aproximações progressivas à verdade). A verdade é um ideal inalcançável de que as teorias científicas são versões aproximadas. Contra a atitude dogmática que procura verificar as teorias, Popper um "racionalismo crítico" que procura refutá-las submetendo-as a testes incessantes. Nunca podemos afirmar que uma teoria é verdadeira, unicamente que é falsa. Só podemos dizer que ainda não mostrámos que é falsa. Devemos considerar todas as leis e teorias como conjecturas que sobrevivem enquanto resistem aos testes destinados a refutá-las.
Popper altera a relação da ciência com a verdade, põe fim à busca de uma certeza na ciência. A ciência progride mediante a refutação de conjecturas falsas. Defende a ideia de "revolução permanente", ou seja, de reformulações constantes no interior do conhecimento científico. 


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