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12/07/2012

Método Hipotético Dedutivo

O método hipotético-dedutivo é, tal como indutivo, um método das ciências empíricas ou factuais.
K. Popper, crítico do indutivismo, foi quem lançou as principais bases do método hipotético-dedutivo, e do critério de falsificabilidade (falsificacionismo). 

Este método pode ser dividido em 5 etapas:

1º- Formulação de um problema - "Facto - Problema"
Formulação de problema para o qual vamos procurar uma resposta (a questão inicial da investigação). A procura do saber começa com a emergência de um problema e não com a captação de factos puros e simples.
Exemplo:
"O salmão prateado nasce nas correntes frias do noroeste do oceano Pacífico. O pequeno peixe nada até ao Pacífico sul, onde poderá passar até cinco anos para atingir a maturidade física e sexual. Em seguida, em resposta ao estímulo desconhecido, volta às correntes frias para desovar. Acompanhando o roteiro do peixe, descobre-se um facto curioso. Quase sempre ele volta precisamente ao seu local de origem. Eis aqui um facto - problema pede explicação. Como é possível que o peixe identifique exactamente o lugar onde nasceu, depois de tantos anos e de percorrer tão longa distância?"

2º - Formulação da hipótese ou conjectura:
Hipótese 1: O salmão identifica o seu caminho de volta por estímulos visuais.
Hipótese 2: O salmão identifica o caminho de volta através do olfacto.
Assim: uma hipótese será um enunciado que se propões como base para explicar por que motivo ou como se produz um fenómeno ou um conjunto de fenómenos interligados. A causa que permite explicar os fenómenos ou factos problemáticos não se oferece espontaneamente ao observador como se fosse um dado empírico evidente. A bem dizer, ela está oculta e, por isso, é necessário imaginá-la, supô-la. Enquanto solução antecipada que vai ser submetida a teste, a hipótese é o eixo em torno do qual gira a investigação.

3º - Dedução de consequências da hipótese
Depois de a hipótese ter sido reformulada, são deduzidas as suas principais consequências.
Dedução das consequências da hipótese 1: O salmão, com os olhos vendados, não será capaz de regressar. 
Dedução das consequências da hipótese 2: Bloqueado o olfacto, o salmão será incapaz de identificar o caminho de regresso.
Este passo de método consiste em deduzir da hipótese determinadas consequências. Este momento do método tem a sua razão de ser no facto da, na maioria dos casos, a hipótese, dada a sua generalidade, não pode ser confrontada directamente com a experiência. Deduzem-se então determinadas consequências da hipótese, ou seja, torna-se esta mais específica. Ao que se deduz da hipótese dá-se o nome de enunciados observacionais ou empíricos, que vão ser testados pela experiência. A aprovação da hipótese depende da passagem das implicações dela deduzidas no teste da experiência.

4º - Comprovação/confrontação das consequências deduzidas mediante várias experiências, repetidas e controladas. 
Assim, a hipótese é finalmente testada, experimentada, confrontada com a experiência. Os resultados da experiência podem validar a hipótese, ou podem invalidá-la.
Assim: Verificação das consequências - validação (lei) ou não validação.
- Se for validada pela experiência, a hipótese pode adquirir o estatuto de lei científica (leis = enunciados que descrevem relações necessárias entre os fenómenos). Se as observações comprovam a relação que a hipótese estabelece, pode concluir-se que se trata de uma boa hipótese, pelo que passa a enunciar-se sob a forma de lei.
- Se não for validade, teremos de abandonar ou reformular a hipótese inicial.

5º - Lei ou teoria científica 
Confirmada a hipótese, esta passa a ser aceite como lei, um anunciado que nos permite conhecer a realidade. Uma lei tem o estatuto de lei científica porque foi provada, construída e testada com base no método científico.

Verificabilidade ou Falsificabilidade
É na 4ª etapa do método hipotético-dedutivo (experimentação) que se coloca a questão da validação da hipótese.
O confronto com a experiência é o critério de referência para validar uma hipótese:
- Se a experiência vai de encontro à hipótese, a hipótese é comprovada;
- Se a experiência contrariar a hipótese, a hipótese é afastada.
A questão que se levanta não é, portanto, a de saber qual o critério de validação de uma hipótese, mas justamente a de saber qual a validação mais legítima (se por verificação ou refutação).

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