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17/07/2012

A Racionalidade Científica e a Questão da Objectividade

Popper é anti-empirista, antiverificacionista e anti-indutivista, mas não pôs em causa a racionalidade da ciência (definiu-se como um racionalista crítico) nem a objectividade científica. Acredita na objectividade da ciência, pensa que as teorias científicas são descrições da realidade, ainda que imperfeitas, e que à medida que o conhecimento científico avança, vamo-nos aproximando da verdade, obtendo uma imagem cada vez mais correcta da realidade.
Kuhn (1922-1996) rejeita esta perspectiva. Este e outros "epistemólogos da suspeita" tornaram-se corrosivos dos grandes títulos da ciência: racionalidade, verdade, objectividade, universalidade, etc. A sua posição sobre o desenvolvimento da ciência pode sintetizar-se do seguinte modo:

  • Para Kuhn a história de uma disciplina científica é uma sucessão paradigmas.
Paradigma - conjunto de procedimentos teóricos, leis e processos metodológicos que constituem um modelo explicativo de uma época e que orientam a investigação num determinado domínio ou área disciplinar. Um paradigma é toda uma forma de fazer ciência. Regula todo o trabalho científico numa certa área de investigação (inclui diversas espécies de regras: para aplicar a teoria à realidade, para usar instrumentos científicos e regras para avaliar explicações científicas).

A constituição de uma ciência inicia-se com a emergência de um paradigma e dura enquanto se mantém o acordo entre os membros da comunidade científica. É o período da ciência normal.
Consiste na actividade de resolução de enigmas conduzida sob um paradigma. Num período de ciência normal, os cientistas não estão interessados em refutar ou avaliar criticamente a teoria central do paradigma. O que lhes interessa, pelo contrário, é aumentar a credibilidade dessa teoria, aplicá-la a novos campos.
Mas a actividade de resolução de enigmas nem sempre corre da melhor maneira. Por vezes os cientistas não conseguem ajustar a realidade ao paradigma. Isto é, descobrem que os pressupostos teóricos do paradigma não estão de acordo com aquilo que se observa na natureza. Quando as tentativas de resolver um enigma fracassam, surge uma anomalia. As anomalias são vistas pelos investigadores como refutações, como provas de que os seus pressupostos são falsos (crise paradigmática).
O paradigma entra em crise - durante uma época de crise, a confiança no paradigma fica seriamente abalada  e a investigação tranquila que caracteriza a ciência normal dá lugar a um período de ciência extraordinária.
Acaba por surgir uma teoria alternativa que proporciona um novo paradigma, uma nova forma de fazer ciência dentro da área disciplinar em questão. A comunidade científica fica assim dividida: os partidários do velho paradigma opõem-se aos defensores do novo.
Opera-se uma revolução científica quando estes últimos triunfam, levando a maior parte da comunidade científica a aceitar o novo paradigma (novos acordos intersubjectivos).
Inicia-se então outro período de ciência normal.


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