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30/06/2012

Sofistica VS Filosofia

A Sofistica
  • Tinha objectivos práticos (ideias pragmáticas dos sofistas; visava a acção, a eficácia prática da palavra);
  • Era marcada pela intenção de preparar os jovens para a disputa política e jurídica; 
  • Preocupava-se mais com a forma (o modo como se diz) do que com o conteúdo (aquilo que se diz);
  • Levava os mestres da oratória e da eloquência a fazerem da retórica uma técnica de dar beleza e encanto ao discurso, recorrendo a figuras de estilo, a estratégia de eloquência para melhor alcançarem a finalidade única de convencer;
  • Ao transformar o discurso numa arte de sedução, a sofistica transformou-se numa arma de conquista de poder na cidade pela manipulação da linguagem e das opiniões;
  • Desenvolveu o que se chama retórica;
  • Visava a manipulação (o logos é tirano, permite conquistar e dominar um auditório);
  • Privilegia a opinião (grego: doxa).
A Filosofia
  • Tinha objectivos de investigação, preocupava-se com a investigação da verdade;
  • Era vista como um meio de procurar a verdade e o aperfeiçoamento dos seres humanos;
  • Utilizava a linguagem e a eloquência como instrumentos fundamentais mas não objectivos finais;
  • Obrigava a que estes instrumentos tivessem de se submeter à verdade e ao saber e não pudessem ser postos ao serviço de qualquer causa (a retórica é apenas sofistica e esta uma arte de advogado capaz de defender qualquer causa) sendo, por isso, solidários do bem;
  • Defendia um uso da linguagem descomprometido com interesses mundanos, e promovia a contínua tentativa de investigar a verdade, procurar o saber e conhecer o bem;
  • Desenvolveu o que se chama dialéctica;
  • Visava o esclarecimento e a compreensão (o logos é um poder divino libertador pois exige o exercício individual da razão). O filósofo orienta o logos para a procura do bem e para a realização do homem;
  • Privilegia a sabedoria (grego: Sofia , Platão defende a existência de um conhecimento verdadeiro).


26/06/2012

Os sofistas e Platão: dois usos da retórica

Contra a retórica e os sofistas reagiram os filósofos, muito particularmente Platão, que nela viam não um instrumento de busca da verdade, mas uma técnica que permitia fazer prevalecer uma opinião, independentemente do seu valor de verdade.
Platão criticou a retórica sofistica, por entender que esta consistia na mera manipulação da palavra e dos argumentos, sem qualquer preocupação com a verdade.
A esta contrapunha a dialéctica - era um método/processo discursivo de natureza dialógica , na qual os participantes, evitando os longos discursos que distraem do essencial, se empenham fundamentalmente na busca da verdade, e não na simples procura de adesão.
Segundo Platão, a retórica devia ser um instrumentos colocado ao serviço da verdade, liberto da demagogia e do artifício.

[Nota: demagogia - actuação politica que se serve do apoio popular para conquistar o poder.]

Distinguiu a má retórica da boa retórica:
A má retórica - fica apenas ao nível da opinião (doxa- interior da caverna da Alegoria).
A boa retórica - apoiada na dialéctica (arte de discutir), se eleva ao plano das ideias (noésis), ou seja, da verdade. Platão encontrou na dialéctica o verdadeiro método da filosofia para se chegar à verdade, pela qual a retórica se devia reger/orientar.

Os sofistas -  baseavam toda a sua acção no conhecimento de opiniões, defendendo concepções cépticas ou relativistas acerca da verdade e dos valores (a cada um a sua verdade).
Faziam um uso da retórica que não era ético, chegando mesmo alguns a gabarem-se de que seriam capazes de defender uma dada tese e, em seguida, defender a tese oposta com razões igualmente fortes.

Temos assim dois modelos educativos distintos:
O modelo educativo proposto pelos sofistas, tinha como objectivo a formação dos jovens enquanto cidadãos intervenientes do discurso na vida e da cidade. Era um modelo prático (ideal de vida activa) que pressuponha o domínio da cultura geral e das artes da linguagem e do discurso; estas mais do que um instrumento de saber, eram um instrumento de poder, na medida em que quem os dominasse conseguia competir eficazmente com os outros. Formar para o exercício da vida política era o ideal proposto pela sofistica (valorização da palavra e do discurso eloquente, valorização do prazer e do sucesso).
O ideal educativo proposto pelos filósofos, era um ideal contemplativo (ideal de vida contemplativa) centrado na busca de verdade e da sabedoria. O importante fundamento das regras que deveriam nortear a acção. A teoria precedia sempre a prática - a valorização do conhecimento como preparação para a acção (as regras da acção eram fundadas no saber filosófico).

As virtudes valorizadas eram a temperança e a moderação, contrapostas à procura do prazer e do sucesso, que pareciam interessar mais aos sofistas.

19/06/2012

A Sofística

Instauração e consolidação da democracia em Atenas
Assenta na participação de todos os cidadãos (homens) no governo da polis. - Igualdade quanto ao direito de participação de todos os cidadãos no exercício do poder.
Traz para o centro das preocupações teóricas, da especulação a indagação sobre o ser humano.
Ambiente propício:
  • À troca de ideias
  • Ao debate
  • Ao desenvolvimento do espírito critico e do pensamento autónomo

A Sofistica
« O movimento sofistico surge na Grécia no séc. V a.C. e deve ser compreendido como um movimento que responde às necessidades de ampliar e renovar as estruturas sócio-politicas da época, proporcionando aos jovens uma nova educação capaz de os tornar competentes nas práticas públicas».

  • Reflecte a nova a sociedade grega e as suas exigências
  • Constitui a resposta a uma necessidade da democracia: a formação do cidadão (preparação para a vida politica)
  • Representa um novo modelo de educação
O sofista assume-se como um educador/mestre/professor - especialista na arte de falar (retórica) e de discutir (dialéctica).
Ensinam o domínio da palavra (linguagem) e do discurso.
Indispensável para quem pretende obter sucesso na vida politica e triunfar nos debates.


17/06/2012

Filosofia, Retórica e Democracia

Tem central - A relação entre o discurso retórico-argumentativo e o discurso filosófico.
Começamos por reflectir sobre as condições que tornaram possível a emergência e o desenvolvimento da retórica e, em seguida, procuremos as razões que levaram os filósofos a oporem-se aos mestres de retórica, os sofistas.
Num segundo momento, a reflexão sobre essas razões levar-nos-à a distinguir os dois usos da retórica, o uso persuasivo e o manipulador e a considerar que, em parte, foi o uso manipulador da retórica que justifica a rejeição dos filósofos.

A emergência da retórica - surgiu na Grécia do período clássico. O novo regime político - democracia, pressupunha como princípio básico a igualdade dos cidadãos perante a lei e consequentemente, o direito de intervirem na vida pública através da participação nas assembleias políticas.
É certo que a democracia grega só contemplava os cidadãos - homens gregos livres - e era bastante  excludente, já que à maioria da população das cidades, constituída por mulheres, estrangeiros e escravos, não eram reconhecidos direitos políticos, mas para os cidadãos funcionava efectivamente.

Retórica e democracia:
Nas cidades-estado democráticas, as decisões que interessavam a todos não procediam de decretos divinos nem eram impostas por uma elite aristocrata, eram antes o resultados de deliberações tomadas nas assembleias políticas. Nestas vencia e impunha-se aquele que melhor soubesse apresentar e defender os seus pontos de vista, conseguindo a adesão do auditório.

Neste contexto convencional, as capacidades oratórias e as competências argumentativas vão ocupar um lugar dominante.
Para responder a esta necessidade de desenvolver estas competências, vai surgir uma nova classe constituída por professores cujo trabalho é particularmente orientado para o ensino das artes da palavra - a arte de discutir (dialéctica) e a arte de persuadir (retórica).

Sofistas: eram professores itinerantes que ensinavam, a troco de uma remuneração os trunfos da nova educaçãodomínio da cultura geral e artes da palavra, que se tornaram instrumentos valiosos de acesso ao poder na cidade democrática.

Assim:
Nas cidades-estado democráticas (democracia = governo pelo povo), os dons da oratória são imprescindíveis para se convencer o auditório - "Em democracia a palavra é rainha".
- Os professores de retórica passam a ser uma peça fundamental do sistema.
Na Grécia clássica, a retórica, enquanto arte de falar com eloquência, não dizia respeito apenas ao aspecto ornamental do discurso, mas também ao seu travejamento argumentativo, à procura dos melhores argumentos (estes dois aspectos eram igualmente importantes para persuadir os outros).

Retórica em dois sentidos: arte de falar com eloquência e capacidade de apresentar bons argumentos.
Os dois aspectos, o estilístico, que tem a ver com a elegância do discurso, e o argumentativo, ligado às razões que suportam e fundamentam as opiniões, estavam intimamente ligados (discurso retórico-argumentativo).

12/06/2012

Formas de justificação do conhecimento

A relação entre razão e experiência é um dos temas centrais da teoria do conhecimento.
Quando se fala de tentativa de provar ou de justificar as nossas crenças verdadeiras, dois tipos de justificação são frequentes.

1- A justificação que se faz independentemente da experiência e que recebe o nome de conhecimento a priori.
Exemplo:
"A soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a dois rectos".
Esta proposição é verdadeira e a sua verdade dispensa qualquer inspecção empírica. É uma verdade necessária.
O conhecimento a priori caracteriza-se pela independência em relação à experiência.
Outro exemplo, apresentado por Kant, é este:
«Todo o acontecimento tem uma causa».
A nossa experiência limita-se ao aqui e agora e com base nela não podemos dizer Todos os acontecimentos têm uma causa porque não há experiência possível de todos os acontecimentos passados, presentes e futuros.

2- A justificação que se baseia na experiência (a posteriori).
Exemplo:
"Todos os habitantes desta casa são velhos."
A ligação entre "velhos" e "todos os habitantes desta casa" é o resultado de várias observações num certo espaço e num certo tempo. A atribuição do predicado ao sujeito tem o seu fundamento na experiência. O predicado "velhos" não pode surgir da consideração pura e simples do conceito "habitantes desta casa". Por palavras simples, preciso de os ver para dizer o que são.



07/06/2012

Conhecimento proposicional

Que condições são necessárias para haver conhecimento? (cont.)

Conclusão 1: A verdade é necessária para o conhecimento.
Suponha que afirmo que vi o André ontem de tarde no cinema. Pensei tê-lo visto lá e agora lembro-me, como se ele lá tivesse estado, de que usava um cachecol muito vistoso. Contudo, não acredito que lá estivesse porque me tinha esquecido dos óculos e não podia ver claramente. Pode dizer-se que  sabia (tinha conhecimento de que) que o André estava no cinema?
A resposta é não. Não posso dizer que sabia que o André estava no cinema porque não acredito que ele lá estivesse. Não acredito na proposição «O André estava no cinema ontem à tarde». Só podemos conhecer algo se acreditarmos em algo. Dizer «Eu sei que o André estava no cinema, mas não acredito nisso» não faz sentido. Saber que André estava no cinema, ter conhecimento disso, é acreditar nisso. Seria muito estranho dizer que se conhece a proposição «A Lua é um satélite natural da Terra» e não acreditar nessa proposição.

Conclusão 2: A crença é necessária para o conhecimento ou o conhecimento implica a crença.
Duas das condições normalmente aceites para que uma proposição seja considerada um conhecimento são que ela seja uma crença e que seja verdadeira.
Isto é assim porque, quando conhecemos uma proposição, acreditamos que esta descreve a realidade tal como esta é.
No entanto, podemos acreditar em proposições que são falsas, embora julguemos que são verdadeiras. Nesse caso, não podemos dizer que temos conhecimento, pois, embora possamos acreditar no que não é verdadeiro, não podemos conhecer o que não é verdade.
Se aquilo em que acreditávamos não é verdadeiro, então não conhecíamos. Julgávamos apenas que conhecíamos. Portanto, não basta ter uma crença para ter conhecimento. É preciso também que essa crença seja verdadeira.
Chegámos, ao que parece, a uma caracterização satisfatória de conhecimento: O conhecimento é uma crença verdadeira.
Suponha-se que acredito que André estava no cinema, ou seja, que acredito na proposição «André estava no cinema ontem à tarde» e que essa proposição é verdadeira, mas que não tenho nenhuma prova que isto é  verdade (não o vi porque André passou a tarde no bar do centro comercial onde ficava o cinema). Posso dizer que conheço a proposição «André estava no cinema ontem à tarde» e que essa proposição é verdadeira, mas que não tenho nenhuma prova de que isto é verdade. Posso dizer que conheço a proposição "André estava no cinema ontem à tarde"?
Não, porque isso significaria que o conhecimento era uma simples opinião, uma crença injustificada. Só podemos se tivermos provas ou razões que justifiquem a nossa crença de que algo é verdade.

Conclusão 3: A injustificação é necessária para haver conhecimento.
Temos assim que, para haver conhecimento da proposição P, «André estava no cinema ontem à tarde», temos de acreditar nessa proposição. Mas a crença não é suficiente porque aquilo em que acreditamos tem de ser verdadeiro. Ter crença verdadeira não é nada ainda suficiente para haver conhecimento de P. É preciso que a crença verdadeira que tenho não se deva a um palpite feliz - a uma coincidência feliz entre o que acredito ser verdade e o que realmente aconteceu - mas que seja justificada, isto é, que não seja uma simples opinião, que haja provas da sua veracidade. A justificação é a forma como testamos a verdade das nossas proposições. As nossas crenças verdadeiras são justificadas quando se baseiam nas melhores evidências disponíveis e não há nenhuma evidência que de modo significativo as ponha em causa.
Podemos resumir o que foi exposto apresentando ao mesmo tempo a definição de conhecimento: O conhecimento é uma crença verdadeira justificada, isto é, sustentada por boa razões.
Esta é a teoria clássica sobre o conhecimento e é habitual chamar-lhe teoria da crença verdadeira justificada. Segundo esta teoria, as condições necessárias e suficientes para que S conheço P são:
  • Que P seja verdadeira;
  • Que S acredite em P;
  • Que S tenha uma justificação para acreditar em P.

05/06/2012

O conhecimento proposicional

O conhecimento proposicional é, destes três tipos, o que nos interessa neste contexto. Por este motivo, vamos estudar o que é o conhecimento proposicional e tentar responder à questão de saber quais são as condições necessárias e suficientes para que um sujeito (S) conheça uma proposição (P).

Que condições são necessárias para haver conhecimento?
Suponha que afirmo que o André estava no cinema ontem de tarde.
Acredito que assim foi porque julgo que o vi junto à bilheteira. Contudo, a verdade é que o André estava em casa a jogar Playstation e que a pessoa que eu vi era o seu irmão gémeo, Miguel. Pode dizer-se que eu sabia (tinha conhecimento) que o André estava no cinema?
É evidente que não. Tenho de reconhecer que era falsa a minha crença de que ele estava no cinema. Só podemos conhecer o que é verdadeiro (o conhecimento é factivo). Mesmo conhecer que era falso que o André estava na escola é saber uma verdade acerca de uma falsidade. (É verdade que a minha crença era falsa.).
Para possuir conhecimento, é necessário que acreditemos que a proposição «O André estava no cinema ontem à tarde» descreve correctamente um estado de coisas no mundo. Não faz sentido dizer que alguém conhece algo se não exprime nenhum pensamento ou ideia acerca do assunto.