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30/05/2012

O conhecimento e a Racionalidade Científico-Tecnológica

Tipos de conhecimento
Todo o conhecimento é conhecimento de um objecto. No entanto, o objecto nem sempre é o mesmo e, consoante esse objecto muda, também muda o tipo de conhecimento. De acordo com este pressuposto, é costume dividir o conhecimento em três tipos, que podem ser exemplificados pelas frases seguintes:

  • O João sabe andar de skate.
  • O João conhece o presidente da República.
  • O João sabe que D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal.
A primeira frase descreve um saber-fazer, enuncia qualquer coisa que o João sabe fazer. Todos nós, melhor ou pior, temos muitos conhecimentos deste tipo, embora, como é evidente, nem todos tenhamos os mesmos. Muitas pessoas sabem nadar, andar de bicicleta e conduzir automóveis.
Todos estes casos são exemplos de conhecimento prático.
A segunda frase descreve um tipo de conhecimento diferente do primeiro. Aqui, o que é descrito já não é um saber -fazer, mas uma pessoa, o presidente da República (poderia ser também a descrição de um lugar, como a serra da Estrela, ou de uma cidade, como Lisboa ou Évora). Em qualquer dos casos, o conhecimento que a frase descreve já não é o de como fazer algo, mas de um objecto ou de uma qualquer entidade. A este tipo de conhecimento imediato e directo de objectos é costume chamar conhecimento por contacto ou conhecimento de objectos.
A terceira frase descreve um tipo de conhecimento muito diferente a que os filósofos chamam conhecimento proposicional ou conhecimento de verdades.

Neste caso, aquilo que se diz que o João conhece é uma proposição, isto é, algo que é verdadeiro ou falso. Na verdade, o que a terceira frase diz é que João sabe que a proposição «D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal» é verdadeira.

Resumindo -temos três tipos de conhecimento:
O conhecimento de como realizar uma actividade (saber-fazer, saber como), conhecimento prático.
O conhecimento por contacto.
O conhecimento proposicional (saber que e por que - o que vamos estudar).

21/05/2012

Teoria do Conhecimento

Da leitura do texto anterior, concluímos:
  • O sujeito e o objecto não se confundem, são originariamente separados um do outro, transcendentes um em relação ao outro. Estabelecem uma relação de oposição
  • Apesar de opostos, precisam um do outro para serem considerados sujeito ou objecto. Com efeito, cada um deles é apenas o que é em relação ao outro. A sua relação é uma correlação.
  • Embora correlacionado, não podem trocar de funções. Estabelecem uma relação de irreversibilidade. O papel de sujeito é o de apreender o objecto; o do objecto é o de poder ser apreendido pelo sujeito e de o ser efectivamente.
  • Dado que sujeito e objecto detêm funções especificas, o resultado do conhecimento não será igual para ambos. De facto, o sujeito, saindo de si para captar o objecto, é modificado por este, ao passo que o objecto não é modificado pelo sujeito.
  • Uma vez que, neste processo, o sujeito apreende a imagem do objecto, então podemos considerar o conhecimento como a relação entre o sujeito e o objecto, que se traduz numa representação do objecto por parte do sujeito.
Esquematizando:


Podemos concluir que há um sujeito que conhece, um objecto que é conhecido, uma relação entre o sujeito e o objecto, e uma imagem ou representação que o sujeito capta do objecto. A própria pretensão da fenomenologia incide na apresentação de uma metodologia que descreve a estrutura essencial do conhecimento e não um modo especifico e particular do conhecimento. Estuda a estrutura do acto de conhecer e não os conteúdos do conhecimento.

20/05/2012

Teoria do Conhecimento

1- Em todo o conhecimento, um «cognoscente»  e um «conhecido», um sujeito e um objecto encontram-se face a face. A relação que existe entre os dois é o próprio conhecimento. A oposição dos dois termos não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois termos são originariamente separados um do outro, transcendentes um em relação ao outro.
2- Os dois termos da relação não podem ser separados dela sem deixar de ser sujeito e objecto. O sujeito só é sujeito em relação a um objecto e o objecto só é objecto em relação a um sujeito. Cada um deles apenas é o que é em relação ao outro. Estão ligados um ao outro por uma estreita relação; condicionam-se reciprocamente. A sua relação é uma correlação.
3- A relação constitutiva do conhecimento é dupla, mas não é reversível. O facto de desempenhar o papel de sujeito em relação a um objecto é diferente do facto de desempenhar o papel de sujeito em relação a um sujeito. No interior da correlação, sujeito e objecto não são, portanto, permutáveis; a sua função é essencialmente diferente. (...)
4- A função do sujeito consiste em apreender o objecto; a do objecto e poder ser apreendido pelo sujeito e em sê-lo efectivamente.
5- Considerada do lado do sujeito, esta «apreensão» pode ser descrita como uma saída do sujeito para fora  da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do objecto, a qual é, para o sujeito, transcendente e heterogénea. O sujeito apreende as determinações do objecto e, ao apreendê-las, introduz-las, fá-las entrar na sua própria esfera.
6- O sujeito não pode captar as propriedades  do objecto senão fora de si mesmo, pois a oposição do sujeito e do objecto não desaparece na união que o acto do conhecimento estabelece entre eles; permanece indestrutível. A consciência desta oposição é um aspecto essencial da consciência do objecto. O objecto, mesmo quando é apreendido, permanece para o sujeito algo de exterior ; é sempre «o objectum», quer dizer, o que está diante dele. O sujeito não pode captar o objecto sem sair de si (sem se transcender); mas não pode ter consciência do que é apreendido, sem entrar em si, sem se reencontrar na sua própria esfera. O conhecimento realiza-se, por assim dizer, em três tempos: o sujeito sai de si, está  fora de si e regressa finalmente a si.
7- O facto de que o sujeito saia de si para apreender o objecto não muda nada neste. O objecto não se torna por isso imanente. As características do objecto, se bem que sejam apreendidas e como que introduzidas na esfera do sujeito, não são, contudo, deslocadas. Apreender o objecto não significa fazê-lo entrar no sujeito, mas sim reproduzir neste as determinações do objecto, numa construção que terá um conteúdo idêntico ao do objecto. O objecto não é modificado pelo sujeito, mas sim o sujeito pelo objecto. Apenas no sujeito alguma coisa se transformou pelo acto do conhecimento. No objecto nada de novo foi criado; mas no sujeito nasce a consciência do objecto, com o seu conteúdo, a imagem do objecto.
Nicolai Hartmann, Les Principes d'une Métaphysique de la Connaissance, Editions Montaigne, vol. 1

17/05/2012

Análise Fenomenológica do Conhecimento

A perspectiva fenomenológica do conhecimento possui uma intenção descritiva: limita-se a uma análise descritiva: limita-se a uma análise descritiva das características essenciais do conhecimento enquanto fenómeno. Pretende observar com rigor e exactidão, por meio da auto-reflexão, os traços essenciais do fenómeno do conhecimento.

O que interessa do ponto de vista  fenomenológico é o que aparece à consciência quando vivemos aquilo que designamos por conhecimento. É uma análise originária do fenómeno do conhecimento e dos seus mecanismos, em especial dos seus dois intervenientes, elementos cuja ausência impossibilita falar de conhecimento:
  • Sujeito
  • Objecto 
A única coisa que tal fenomenológica procura pôr a claro é o que significa:
  • Ser objecto do conhecimento
  • Ser sujeito cognoscente 
  • Apreender o objecto
  • Indicar os elementos que intervêm neste processo do conhecimento - o sujeito e o objecto - e as relações que tais elementos estabelecem entre si.

16/05/2012

Regras para determinar a validade dos silogismos categóricos

5- Premissas afirmativas pedem conclusão afirmativa
O silogismo seguinte viola esta regra:
Todos os homens são mortais.
Todos os mortais são falíveis.
Logo, alguns seres falíveis não são homens.
Extrair uma conclusão negativa de premissas afirmativas é cair em contradição negando uma relação que se afirmou nas premissas. A conclusão válida seria: "Alguns seres falíveis são homens". Note-se que o silogismo cumpre várias regras: o termo médio está distribuído pelo menos numa premissa; o termo distribuído na conclusão (homem) também está distribuído na premissa maior. Mas é formalmente falacioso porque não podemos com base no que é dado nas premissas (todos os homens são falíveis) inferir conclusivamente nem que há algumas coisas falíveis que não são homens nem que não há coisas falíveis que não são homens.

6- De duas premissas negativas nada se pode concluir
De dois termos que não têm relação com um terceiro não se pode deduzir que tenham ou não relação entre si.
Viola esta regra o seguinte silogismo:
Nenhum cão é animal de sangue frio.
Nenhum animal de sangue frio é capaz de ladrar.
Logo, nenhum cão é capaz de ladrar.
Não se consegue estabelecer uma relação necessária entre os termos do argumento. Como obteríamos de forma válida a conclusão sublinhada? Assim:
Todos os cães são animais de sangue frio.
Nenhum animal de sangue frio é capaz de ladrar.
Logo, nenhum cão é capaz de ladrar.

7- De duas premissas particulares nada se pode concluir.
A violação deste regra implica sempre a violação de uma das regras anteriores.
Exemplo de violação desta regra:
Algum cão é ruidoso.
Algum cão é castanho.
Logo, alguns cães castanhos são ruidosos. 
Neste caso, é violada a regra 3 (o termo médio tem de ser universal em, pelo menos, uma das premissas). De facto, o termo médio tanto da primeira como da segunda premissa fala apenas de alguns cães.

8- A conclusão segue sempre a parte mais fraca: será negativa se houver uma premissa negativa e particular se houver uma premissa particular.
Exemplos de violações desta regra:
Nenhum amigo do José é japonês.
Todos os alunos deste colégio são amigos do José.
Logo, todos os alunos deste colégio são japoneses.
A conclusão deveria ser: "Nenhum aluno deste colégio é japonês".

Todos os tigres são mamíferos.
Alguns animais são tigres.
Logo, todos os animais são mamíferos.
A conclusão deveria ser particular: "Alguns animais são mamíferos." 


14/05/2012

Regras para determinar a validade dos silogismos categóricos

1- O silogismo categórico só pode três termos (maior, médio e menor) e cada termo deve ter o mesmo significado ao longo do argumento.
Esta regra é óbvia, porque está já contida na própria definição de silogismo (todo o silogismo categórico normalmente apenas duas e só duas premissas e três termos). De facto, como o termo médio tem de aparecer nas duas premissas e como cada premissa tem apenas dois termos, o termo médio não pode relacionar mais do que dois termos.
Falta-se a esta regra e, portanto, gera-se uma falácia, quando se dá a mesma palavra significados diferentes.
Exemplo de silogismo que viola esta regra:
Todo o cão ladra.
Cão é uma constelação.
Logo, uma constelação ladra.
Vemos que a palavra cão é usada em dois sentidos. Ela é usada para designar conceitos diferentes e, por isso, termos diferentes. Este silogismo tem portanto quatro termos.

2- O termo médio só pode aparecer nas premissas.

3- Os termos maior e menor não podem ter, na conclusão, maior extensão do que nas premissas ou um termo deve estar distribuído nas premissas se estiver distribuído na conclusão.
O seguinte silogismo viola esta regra:
Todos os gatos são mamíferos.
Nenhum cão é gato.
Logo, nenhum cão é mamífero.
O termo "mamíferos" está distribuído na conclusão (tem ai extensão universal), mas não na premissa maior. Comete-se a falácia da distribuição ilícita: a conclusão fala-nos de todos os mamíferos, mas as premissas, neste caso a maior, só de alguns.
Como transformar o argumento para o fazer respeitar a regra? Assim:
Todos os mamíferos são gatos.
Nenhum cão é gato.
Logo, nenhum cão é mamífero.

4- O termo médio deve ter extensão universal pelo menos em uma premissa ou o termo médio deve estar distribuído pelo menos uma vez.
Todos os homens são seres humanos.
Todas as mulheres são seres humanos.
Logo, todas as mulheres são homens.

Mesmo que seja verdade que todos os homens são seres humanos e que todas as mulheres são seres humanos, do facto de homens e mulheres pertencerem à mesma classe (seres humanos) não deriva que sejam idênticos. Em nenhuma premissa se diz que toda a classe dos seres humanos é constituída ou por homens ou por mulheres.
Como torná-lo válido ou respeitador da regra? Assim:
Todos os seres humanos são homens.
Todas as mulheres são seres humanos.
Logo, todas as mulheres são homens.

09/05/2012

Regras para determinar a validade dos silogismos categóricos

A validade de um silogismo categórico depende do cumprimento das regras que em seguida apresenta-se:
  1. Só pode conter três termos e com sentido unívoco. 
  2. O termo médio só pode surgir nas premissas.
  3. Os termos maior e menor não podem ter mais extensão na conclusão do que nas premissas (um termo deve estar distribuído nas premissas, se estiver distribuído na conclusão).
  4. O termo médio deve ser tomado universalmente, pelo menos em uma premissa (o termo médio deve estar distribuído pelo menos uma vez).
  5. Premissas afirmativas pedem uma conclusão afirmativa.
  6. De duas premissas negativas nada se pode concluir.
  7. De duas premissas particulares nada se pode concluir.
  8. A conclusão segue a parte mais fraca: será negativa havendo premissa negativa e será particular havendo premissa particular. 
Não importa fixar o número de cada regra, mas sim o que cada regra diz.

02/05/2012

A forma do Silogismo

A forma do Silogismo é a maneira como os termos se encontram e é definida pelo modo e pela figura.

Modo - determina-se pelo tipo de proposições que o silogismo contém, dispostas pela seguinte ordem: premissa maior, premissa menor e conclusão.
Nenhum valente é medroso - E
Alguns homens são medrosos - I
Logo, alguns homens não são valentes - O
É o modo EIO.

Figura - determina-se pela função do termo médio na premissa maior e na menor. Como o termo médio pode exercer a função de sujeito e predicado em cada uma das premissas, há a possibilidade de existirem 4 figuras.

Forma do Silogismo - é definida pelos 2 elementos descritos fundamentais: o modo do silogismo e a figura do silogismo.