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30/04/2012

Silogismo Categórico - Termos

O silogismo categórico contém 3 termos, cada um dos quais aparece nas diferentes proposições duas vezes.

Termo médio 
  • Aparece em ambas as premissas
  • Não aparece nem pode aparecer na conclusão (esconde-se na conclusão)
  • É o termo que estabelece a ligação entre os extremos, o que permite o trânsito das premissas à conclusão.
  • O que permite estabelecer relação entre S e P
Termo maior
  • O que tem maior extensão (mais inclusivo)
  • O que ocupa sempre o lugar de predicado na conclusão
  • Diz-nos qual é a premissa maior da qual faz parte, contundo, é o facto de ser predicado da conclusão que permite identificá-lo como maior
Termo menor
  • O que tem menor extensão (menos inclusão)
  • O que ocupa sempre o lugar de sujeito na conclusão (a essa função deve o nome de termo menor) e aparece também na premissa menor

A classificação dos termos é efectuada tendo em conta a função que desempenham no silogismo.
Uma premissa é classificada em função dos termos nela presentes. Dá-se o nome de premissa maior à proposição que contém os termos maior e médio e de premissa menor à proposição que contém os termos menor e médio.

29/04/2012

O que é o Silogismo Categórico?

Consideremos o seguinte quadro e façamos a sua leitura


Um silogismo categórico é um raciocínio dedutivo constituído por três proposições: as duas primeiras recebem o nome de premissas e a terceira, que delas deve derivar necessariamente, tem o nome de conclusão.
Um silogismo categórico contém três termos, cada um dos quais aparece nas diferentes proposições duas vezes.
O termo médio é aquele que aparece em ambas as premissas, mas não aparece nem pode aparecer na conclusão.
O termo maior é o predicado da conclusão, aparecendo também na premissa maior (contudo, é o facto de ser predicado da conclusão que permite identificá-lo como maior).
O termo menor é identificado como sujeito da conclusão (a essa função deve o nome de termo menor) e aparece também na premissa menor.
Assim, a classificação dos termos é efectuada tendo em conta a função que desempenham no silogismo.
Uma premissa é classificada em função dos termos nela presentes. Assim, dá-se o nome de premissa maior à proposição que contém os termos maior e médio e de premissa menor à proposição que contém os termos menor e médio.

Aos silogismos categóricos pode ser dada forma simbólica substituindo os termos por letras. Assim, simboliza-se.
Todos os idiotas são felizes.
Todos os futebolistas são idiotas.
Logo, todos os futebolistas são felizes.

do seguinte modo:
             Todos os M são P.
             Todos os S são M.
Logo,    Todos os S são P.

23/04/2012

Juízo Categórico

Distribuição ou Quantificação dos Termos do Juízo Categórico


- Nas proposições negativas E e O, o predicado é universal, isto é, está distribuído.
- Nas proposições afirmativas, tipo A e I, o predicado não está distribuído.
- O sujeito está distribuído nas proposições universais e não nas particulares.

18/04/2012

As proposições do Silogismo Categórico

Como descobrir a quantidade do predicado das proposições categóricas

a) Comecemos com uma proposição do tipo A (universal afirmativa):
Todo o homem é mortal.
Está na forma-padrão e o quantificador ("Todo") indica que o sujeito está tomado em toda a sua extensão, inclui todos os membros da classe "homem". O sujeito é, pois, universal. E o predicado "mortal"?
Está quantificado particularmente. Com efeito, nem todos os mortais são homens.

b) Continuemos com uma proposição do tipo I (particular afirmativa):
Alguns homens são pessoas cultas.
O sujeito já está quantificado particularmente. Qual extensão ou quantidade do predicado? Está quantificado    particularmente. Com efeito, não se refere a toda e cada uma das pessoas cultas, mas somente a algumas. Fala-se de algumas pessoas cultas como sendo algum dos membros da classe "homens".

c) Vejamos o que se passa no que respeita ao predicado de uma proposição do tipo E (universal negativa):
Nenhum homem é pássaro.
O predicado está quantificado universalmente. A proposição diz de todo e qualquer pássaro que não é membro da classe "homem": nega-se a todos os pássaros a inclusão na espécie humana (Todo o pássaro não é homem).

d) Terminemos com uma proposição do tipo O (particular negativa):
Alguns homens não são pessoas belas.
O sujeito está tomado em parte indeterminada da sua extensão. É particular. Contudo, o predicado está tomado em toda a sua extensão, ou seja, está quantificado universalmente. A proposição diz de todas as pessoas belas que há alguns homens que o não são: todos os membros da classe "pessoas belas" não são alguns dos membros da classe "homem".

Que conclusão retira-se desta análise?
Encontrámos duas regras que nos permitem esclarecer a quantidade do predicado das proposições categóricas:


16/04/2012

As proposições do Silogismo Categórico

As proposições segundo a qualidade: proposições afirmativas e proposições negativas
A qualidade de uma proposição é a propriedade que ela tem de ser afirmativa ou negativa.
Uma proposição é negativa quando a cópula indica que o predicado não convém ao sujeito
Ex.: O homem não é um animal rastejante.
Contudo, deve ter-se em conta que nem sempre a cópula determina expressamente que o juízo é negativo. É o caso da proposição
Ex.: Nenhum homem é réptil.
Esta proposição é negativa, embora a cópula possa criar a ilusão do contrário. É conveniente neste caso traduzir: "Nenhum homem é réptil" é equivalente a "Todos os homens não são répteis", embora o aluno deva ter isto em conta simplesmente como estratagema para evitar dificuldades porque as duas proposições não são estritamente equivalentes.
Uma proposição é afirmativa quando a cópula indica que o predicado convém ao sujeito.
Ex.: O homem é um animal bípede.



13/04/2012

As proposições do Silogismo Categórico

A classificação dos Juízos ou Proposições Categóricas
Como no juízo categórico a relação entre sujeito e predicado é uma relação ou de inclusão ou de extensão entre duas classes de objectos, importa esclarecer e aprofundar dois aspectos dos juízos: a sua quantidade e a sua qualidade.


1 - As proposições segundo a quantidade: universalidade, particularidade e singularidade
Classificar os juízos ou as proposições segundo a quantidade é classificá-los segundo a extensão em que é tomado o sujeito. Se a proposição englobar toda a extensão do sujeito, uma parte indeterminada ou um ente singular, teremos, respectivamente, proposições universais, particulares e singulares.


a) Proposições ou juízos universais

Uma proposição universal é aquela na qual o sujeito representa todos os membros de uma classe, ou seja, é tomado em toda a sua extensão.
Proposições como:

"Todo o homem é mortal";
"As galinhas não têm dentes" e
"Os triângulos são triláteros".
São universais porque se referem respectivamente a todos os homens, a todas as galinhas e a todos os triângulos.
Na forma-padrão as proposições universais apresentam quantificadores universais, que são: "Todo(s)" e "Nenhum(ns)". Quando não surgem nessa forma e para tornar clara a universalidade do juízo, deve-se apresentá-lo explicitando o quantificador. Assim, das proposições indicadas falta clarificar o quantificador das duas últimas:
- "As galinhas não têm dentes" significa "Nenhuma galinha é ave possuidora de dentes".
- " Os triângulos são triláteros" significa "Todo o triângulo é trilátero".

b) Proposições ou juízos particulares
Uma proposição particular é aquela na qual o sujeito representa uma parte não determinada dos membros de uma classe, ou seja, é tomado em parte indeterminada da sua extensão.
Os juízos "Alguns alunos são estudiosos.", "Há estudantes preocupados" e "Pelo menos, um lápis é azul" são juízos particulares, porque neles o sujeito só designa respectivamente alguns alunos, alguns estudantes e alguns lápis.
A particularidade do juízo clarifica-se apresentando o juízo na forma-padrão algum ou alguns - sujeito - cópula - predicado. Assim, de "Há estudantes preocupados" obtemos "Alguns estudantes são pessoas preocupadas"; de "Pelo menos um lápis é azul" obtemos "Alguns lápis são azuis". 

c) Proposições ou juízos singulares 
Os juízos singulares são os que têm como sujeito um ente concreto, determinado. Por exemplo, "Sócrates é mortal" ou "Este objecto é azul". A lógica clássica considerou que os juízos singulares podem ser equiparados aos juízos universais , porque a extensão de um termo singular é, contendo um só ente, tomada em toda a sua extensão neste juízo. Se digo "Sócrates é mortal", estou a dizer que todos os entes compreendidos por "Sócrates".

12/04/2012

As proposições do Silogismo Categórico


Para analisarmos a validade dos silogismos categóricos, é necessário que antes sejam dados alguns esclarecimentos. Tais esclarecimentos dizem respeito:

a) à estrutura do juízo ou da proposição categórica;
b) à classificação dos juízos ou proposições categóricas;
c) à quantificação do predicado das proposições categóricas.



A estrutura do Juízo ou Proposição Categórica

Consideremos o seguinte exemplo:

"Alguns filósofos são ateus."

Se analisarmos a estrutura deste juízo, encontramos três elementos constituintes:
O sujeito - aquilo acerca do qual, neste caso, se afirma algo. O sujeito deste juízo é "filósofos".
O predicado - a qualidade ou característica que, neste caso, se afirma pertencer ao sujeito. O predicado deste juízo é "ateus".
A cópula - o elemento de ligação entre o sujeito e o predicado. É representado pelo verbo ser (neste caso, na forma afirmativa - "é").

O juízo apresentado contém outro elemento: a partícula "Alguns". Partículas como "Alguns" e "Algum", "Todo" e "Todos", "Nenhum" e "Nenhuns" antecedem o sujeito e quantificam-no, isto é, indicam se o predicado é atribuído a todos os membros da classe do sujeito, se somente a uma parte deles ou se não é atribuído a qualquer deles. Estas partículas recebem o nome de "Quantificadores". Que mais informações retiramos da análise do juízo acima exposto? O sujeito e o predicado exprimem uma relação entre duas classes de objectos: uma das classes (filósofos) é nomeada pelo sujeito; a outra classe de objectos (ateus) é nomeada pelo predicado. Neste juízo afirma-se que alguns dos membros da classe filósofos nomeada pelo sujeito estão incluídos na classe ateus nomeada pelo predicado.
Aos juízos nos quais se diz, por exemplo, que alguns ou todos os membros da classe nomeada pelo sujeito se incluem ou não se incluem na classe representada pelo predicado dá-se o nome de juízos ou proposições categóricas. São esses os juízos a que iremos dar mais atenção.



Nota importante: O juízo é um acto do pensamento mediante o qual relacionamos conceitos. A proposição é a expressão verbal ou escrita desse acto mental. Embora, como se vê, juízo e proposição não sejam absolutamente idênticos, dada a sua íntima ligação, passaremos a falar de proposição e de juízo sem qualquer distinção. 

10/04/2012

Argumentação

Argumentação
  • Ocorre em situações de vida corrente;
  • É do domínio do verosímil e do preferível; 
  • Parte de premissas discutíveis e questionáveis;
É favorecer argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma tese, sem que as razões (argumentos) apresentadas tenham um carácter constringente, isto é, constituam provas demonstrativas da tese que se defende ou que se recusa.
É apresentar argumentos tendo em vista obter a adesão ou aumentar a adesão de um auditório às teses que se apresentam ao seu assentimento (por vezes em detrimento de outras teses).
  • A sua aceitação depende da aprovação do auditório;
A aceitação (ou rejeição) de uma tese depende da adesão (ou não) do auditório (isto é dos sujeitos que ouvem) aos argumentos que a sustentam.
O discurso é pessoal e contextualizado, podendo apelar aos afectos.
É pessoal, porque é desencadeada por um sujeito que se dirige a outros indivíduos que quer persuadir levando-os a aceitar (aderir à) a tese por si defendida.
Exige (e assenta no) um contacto entre sujeitos: entre o orador e o auditório. Por uma lado temos o orador que quer exercer uma acção (convencer), através do discurso, sobre o auditório e por outro temos auditório que necessita estar disposto a escutar e a sofrer a influência do orador, isto é, a deixar-se convencer.
Coloca-se do ponto de vista do auditório, uma vez que é a ele que se dirige e que quer convencer ou persuadir. Por isso é necessariamente situada, ou seja, não se exerce no "vazio", nem independentemente do contexto em que é utilizada: tem que estar atenta ao auditório e ter em conta as suas reacções de modo a ajustar o seu discurso.
  • Utiliza a linguagem natural, ambígua e imprecisa;
Utiliza a língua natural, donde a ambiguidade não está excluída e em que o grau de elaboração e de precisão (exactidão) é muito variável, consoante o tipo de auditório, o tema, o género e finalidade do discurso.

07/04/2012

Demonstração

Demonstração
  • Ocorre em contexto científico;
  • É do domínio do constringente: as conclusões impõem-se com carácter de necessidade;
  • Parte de premissas previamente estabelecidas.
Raciocínio em que a conclusão deriva necessariamente das premissas, por isso a conclusão a que se chega será verdadeira (ou hipotética) em função das premissas de que se parte serem verdadeiras (ou serem admitidas por hipótese).
É um raciocínio em que entre a verdade das premissas e a verdade da conclusão há uma relação constringente e necessária, isto é, a conclusão é extraída das premissas segundo uma relação necessária.
A dedução da conclusão a partir das premissas é feita segundo determinadas regras, claramente explicitadas que asseguram a validade formal do raciocínio.
  • Apresenta-se como evidente, independentemente da aprovação do auditório;
É independente da adesão do auditório (ou seja é indiferente ao auditório). A verdade deduzida (demonstrada) validamente a partir de premissas verdadeiras só pode ser aquela e não outra, ou seja, impõe-se a qualquer razão (humana), de modo universal e necessário, que não deixa qualquer margem para dúvidas. Trata-se de uma verdade absoluta no interior do sistema em que foi inferida.
  • O discurso é impessoal e puramente racional;
É impessoal na medida em que a validade da prova demonstrativa não depende da opinião (pessoal), sendo por isso independentemente do sujeito que realiza a inferência (qualquer um extrairia a mesma conclusão a partir das mesmas premissas).
É independentemente do contexto em que é utilizada, ou seja, a verdade da conclusão não depende de qualquer contexto ou circunstância para ser aceite.
  • Recorre a linguagens especificas dotadas de rigor e de precisão;
Utiliza uma linguagem artificial (signos) desprovida de qualquer ambiguidade, não dando azo a equívocos e/ou interpretações diferentes.

03/04/2012

O que é argumentar?

Argumentar é um acto do quotidiano, ou seja, um acontecimento que todos os dias que cada um pode experienciar  quer como actor (orador) quer como espectador (auditório). A comunicação humana não se limita à utilização de regras da Lógica Formal, pois alem de querermos pensar correctamente, também queremos persuadir e seduzir os outros para os levar a aderir aos nossos pontos de vista. O discurso que produzimos, quando argumentamos, tem características muito diferentes das do discurso lógico-demonstrativo, quando abordamos o problema da validade lógica dos argumentos dedutivos.
É por isso que além da Lógica Formal existe também a Lógica Informal - o estudo dos argumentos persuasivos usados nas relações interpessoais quotidianas, na propaganda, em debates e nos diversos meios de comunicação social.

Acto de comunicação - acto (acta de fala/discurso) mediante o qual um ser humano (sujeito) partilha com os outros as suas opiniões, pontos de vistas, posições, as suas teses sobre um determinado assunto, tema ou problema.
Trata-se de um acto de razão/pensamento porque se argumentar implica apresentar um conjunto de razões/justificações (argumentos) que possam sustentar a tese defendida e planear o encadeamento dos argumentos (estratégia argumentativa) de modo a provocar ou aumentar a adesão do auditório.


Comunicação argumentativa - processo de troca de mensagens cuja finalidade é a procura da adesão dos outros às nossas teses, perspectivas ou opiniões. Tal processo exige o uso da razão e do pensamento.


Argumenta-se sobre o quê?
Temas/problemas sobre os quais:
  • Recai a dúvida
  • Não há consenso ou unanimidade
  • É possível defender (de um modo sustentado, com argumentos) duas ou mais posições) - Teses
«O domínio (campo) da argumentação é o domínio do verosímil, do plausível, do provável na medida que tal domínio escapa às certezas da do cálculo» - C. Perelman

Argumentação - actividade social, intelectual que utilizando um conjunto de razões bem fundamentadas (argumentos), visa justificar ou refutar uma opinião e obter a aprovação e a adesão de um auditório.