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28/02/2012

Argumentos Indutivos

Como já foi dito, a validade de um argumento dedutivo resulta do tipo de estrutura exibida pelas proposições que o constituem - forma lógica - e é independente do que nelas é enunciado.
É o mesmo que dizer, a validade de um argumento dedutivo não depende do conteúdo, mas da sua forma lógica, por isso podem existir argumentos dedutivos válidos com conclusões falsas. Basta que uma ou mais premissas sejam falsas.
Os argumentos indutivos são forte ou fracos. A força ou a fraqueza de um argumento indutivo não resultam da forma do argumento, mas do que é enunciado nas premissas.
Um argumento indutivo é forte/aceitável quando a força das premissas torna altamente improvável (embora não possível logicamente) que a conclusão seja falsa.
Há argumentos melhores do que outros (com mais ou menos força), o que significa que nos mais fortes é menor a probabilidade da conclusão ser falsa.

São dois os sinais indicadores de que estamos perante um argumento indutivo:
a) A conclusão contém mais informação do que a que é dada nas premissas.
b) Se as premissas são verdadeiras, isso não implica que a conclusão não possa ser falsa: a conclusão só deriva provavelmente das premissas, é provavelmente verdadeira e não necessariamente verdadeira.

A característica decisiva do argumento indutivo é a probabilidade: não há laço lógico necessário entre as premissas e a conclusão. O mesmo não acontece com os argumentos dedutivos.

A diferença entre os argumentos dedutivos e os indutivos é a relação que existe entre as premissas e a conclusão.

27/02/2012

Argumentos indutivos

Como se pode constatar, a proposição tomada como premissa é apenas o resumo de um conjunto ou mais ou menos extenso de casos particulares. A premissa que refere: «todos os cisnes observados até agora», está a referir apenas alguns cisnes e não todos os que existem. Apesar de constituir uma boa razão para se concluir que todos os cisnes são brancos, nunca podemos ter a garantia lógica de que a conclusão seja verdadeira. Assim sendo, num raciocínio indutivo, por muito extenso que seja o número de exemplos de que se parte, corremos sempre o risco de encontrar premissas verdadeiras e conclusão falsa. Bastará, um dia, alguém observar um só cisne de outra cor para tornar falsa a conclusão anterior.

Claro que se o número de casos observados for muito grande, é improvável que a conclusão seja falsa. Mas ser improvável não significa ser logicamente impossível. Neste tipo de raciocínios, a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão (que se avalia confrontando o seu conteúdo - o que é afirmado ou negado acerca do sujeito - com a realidade).

Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira, pois encerra informação que não estava contida nas premissas. Assim, a verdade da conclusão permanece sempre e há uma probabilidade, tanto maior quanto maior for o número de casos observados.

25/02/2012

Argumentos indutivos (não dedutivos)

Os argumentos indutivos são os mais usados por todos nós no nosso dia-a-dia, já que grande parte das nossas opiniões resulta de processos indutivos de raciocínio. É por indução que concluímos que «todos os seres humanos» ou que «o Sol vai nascer amanhã».
A repetição sucessiva de um facto leva-nos a esperar que aquilo que aconteceu no passado, e foi confirmado várias vezes, acontecerá no futuro. De proposições particulares, inferimos conclusões gerais, alargando a todos os casos (mesmo aos não observados) aquilo que foi observado e verificado num certo número deles. Ao generalizar-se, faz-se com que a conclusão vá mais além do que as premissas garantem. Dá-se pois um salto (lógico) do conhecido para o desconhecido, que não permite conferir à conclusão o carácter de verdade necessária, mas apenas uma probabilidade maior ou menor, de acordo com o número de casos observados. Assim, nunca poderemos ter garantia lógica de que a conclusão seja verdadeira (a conclusão se segue da premissa apenas de maneira provável, ou seja, a conclusão não deriva necessariamente das premissas).

Argumentos indutivos:
1- Os cisnes observados até agora são brancos.
Logo, todos os cisnes são brancos.
2- Todos os alunos inquiridos são portugueses, logo, todos os alunos são portugueses.

Forma dos argumentos indutivos:
Alguns A são B
Logo, todos os A são B

16/02/2012

Argumentos Dedutivos

Os argumentos dedutivos são aqueles em que a partir de premissas verdadeiras se chega necessariamente a conclusões verdadeiras. A validade da forma garante a verdade da conclusão, nos casos, em que as premissas sejam verdadeiras (há uma ligação lógica necessária entre as premissas e a conclusão, não se trata de uma conclusão provável).
 Se soubermos que A é maior que B e que B é maior que C, teremos que concluir que A é maior que C, independentemente, do que simbolizem A, B e C. Esta necessidade é característica dos raciocínios dedutivos, nos quais a forma lógica é determinante para garantir a validade do raciocínio e a verdade da conclusão.
A validade de um argumento dedutivo depende unicamente da sua forma lógica, ou seja, do modo como se relacionam as proposições.

Assim, o raciocínio:
« A é maior que B.
B é maior que C.
Logo, A é maior que C.»

É dedutivo porque é válido unicamente em virtude da sua forma. A sua validade não admite graus, pois trata-se de concluir que delas decorre necessariamente.

10/02/2012

Validade e Verdade

Apesar de ser constituído por proposições falsas é um argumento válido, o que quer dizer que apresenta uma estrutura formal coerente. A validade não reside na verdade ou falsidade das premissas e conclusões. A validade é uma propriedade de conexão entre as premissas e conclusões. O que se pretende num argumento válido é que as suas premissas estejam de tal forma organizadas que "arrastem" consigo a conclusão.

- Um argumento dedutivo é válido se, e só se, é impossível que as suas premissas sejam verdadeiras e a sua conclusão falsa. Não pode acontecer o seguinte: que as suas premissas sejam verdadeiras e a sua conclusão falsa (num argumento válido).

À lógica formal importa apenas a coerência interna do pensamento, ou seja, a forma válida dos raciocínios, fazendo abstracção do conteúdo empírico ou da verdade e falsidade das proposições.
Quando dizemos que um argumento é válido, estamos a afirmar algo de positivo acerca  desse argumento. Porém, isso não significa que o argumento é bom em todos os aspectos; há domínios (ciências) em que interessa também a verdade das proposições, os argumentos ou raciocínios científicos procuram ser argumentos correctos (forma válida + conteúdo verdadeiro) ou sólidos.
Assim, porque o pensamento verdadeiro implica a co-presença da validade formal e da verdade material, as ciências não podem prescindir da lógica, ou seja, de proceder em conformidade com os princípios e as regras formais do pensamento ( a lógica tem de ser tomada como uma ciência em si mesma que estuda as leis dos argumentos válidos e como um instrumento ao serviço das demais ciências e do conhecimento humano em geral).

09/02/2012

Validade e Verdade

Relacionando logicamente vários juízos, podemos formar operações mais complexas denominadas raciocínios/argumentos.

PREMISSAS - afirmações que fundamentam ou justificam a conclusão.
CONCLUSÃO - aquilo que é justificado pelas premissas
Ex: Logo, Sócrates é mortal.

As duas primeiras premissas funcionam como ponto  de partida e são fundamento do que se afirma na 3ª proposição (conclusão).
Se considerarmos as premissas e a conclusão em si mesmas, elas são proposições ou juízos e, por isso, podemos a seu respeito falar de verdade ou falsidade.
Porém, se as considerarmos globalmente, ou seja, encadeadas num raciocínio, teremos de falar em validade ou invalidade.

VALIDADE - coerência interna de um raciocínio em que das suas premissas é legítimo extrair a conclusão.
VERDADE - é o valor lógico das proposições.

A validade é o valor lógico dos argumentos. A validade respeita, exclusivamente ao encadeamento das proposições, ou seja, ao aspecto formal que tem de estar em conformidade com as regras lógicas. É inválido quando as proposições estão mal encadeadas.
A verdade das proposições não garante a validade de um argumento, a validade não implica a verdade (termos independentes). A validade tem a ver com a coerência do discurso e é independente da verdade ou falsidade dos seus conteúdos. "Lógico" não significa portanto "verdadeiro", o que interessa à lógica é como se chega a determinada conclusão (interessa-lhe a forma e não o conteúdo).

Ex: Todos os esquiadores são loiros
Todos os estudantes são esquiadores
Logo todos os estudantes são loiros

05/02/2012

Ideias a reter

- A lógica formal estuda as leis que permitem estruturar correctamente o nosso pensamento, através da explicitação das propriedades dos argumentos válidos.

- Aprender Lógica é útil para a Filosofia porque não é possível demonstrar, de forma empírica, a veracidade das teorias. A actividade filosófica exige a construção de teorias sólidas e consistentes, por isso, importa analisar e avaliar os argumentos usados.

- Raciocinar ou fazer inferência é retirar conclusões a partir de premissas (ao pensar inferimos afirmações de outras afirmações). As premissas de um raciocínio são as razões dadas para sustentar a conclusão. A conclusão de um raciocínio é aquilo que decorrer da aceitação do que é afirmado nas premissas.

- As premissas e a conclusão de um raciocínio são juízos, isto é, afirmações susceptíveis de serem consideradas verdadeiras ou falsas.

- O conceito é uma representação abstracta e universal que permite dar forma às nossas representações acerca da realidade e construir afirmações (juízos) acerca da realidade.

- Conceptualizar ou construir conceitos resulta de um processo de abstracção. O conceito fixa e representa na mente uma ideia geral e abstracta cujo enunciado é o termo.

- A operação mental que nos permite formular uma proposição é o juízo. O juízo predicativo estabelece uma relação entre um sujeito e um predicado, por intermédio da cópula.

- O sujeito (lógico) do juízo é aquilo de que se afirma ou nega alguma coisa (o predicado). O predicado é a característica ou atributo que se afirma ou se nega pertencer ao sujeito.

- Uma proposição (conteúdo enunciado numa frase declarativa que é verdadeira ou é falsa) é o enunciado de um juízo e um argumento é o enunciado de um raciocínio.

- Um argumento é constituído por proposições, premissa ou premissas e uma conclusão. Para constituírem um argumento, as proposições têm de estar organizadas de modo a que uma delas seja a conclusão derivada da outra ou outras (as premissas).

03/02/2012

Forma padrão

A forma padrão ou forma canónica do argumento será:
«Uma vez que o governo decide independentemente das nossas opiniões, então não vale a pena discutir.»

Há expressões que nos permitem identificar se se trata de premissas ou de conclusões:
Palavras ou expressões que indicam a(s) razão(ões) ou premissa(s) que nos leva(m) a inferir ou derivar a conclusão (Porque, pois, ora, se, uma vez que, posto que, visto que, tendo em conta que, em virtude de, devido a, considerando que, dado que, por causa de...).
Palavras ou expressões que indicam a conclusão inferida ou derivada (Logo, então, daí que, assim, portanto, por isso, segue-se que, por consequência...).