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26/12/2011

Será a Clonagem aceitável?

Graças à evolução da Ciência, hoje em dia, já é possível obter dois seres geneticamente iguais, através de um processo de reprodução assexuada, designado clonagem. Apesar de ser mais um dos avanços da Ciência e, talvez num futuro próximo, permitir a criação de um clone de uma pessoa que perdemos e de quem gostávamos muito, este assunto tem gerado muita controvérsia.
Há quem esteja de acordo com a realização de clonagens, argumentando que os clones poderiam substituir as pessoas quando é necessário realizar trabalhos pesados ou que ponham em risco os seres humanos. Mas este argumento pode ser facilmente refutado, pois, ao empregarmos os ditos clones, cada vez mais seres humanos “normais” ficariam no desemprego, o que contribuiria para que a pobreza aumentasse no mundo e estes vivessem cada vez em piores condições. Ora, esta situação vai contra o segundo princípio da Teoria da Justiça de John Rawls, o Princípio da igualdade. Este princípio afirma que “a sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, excepto se a existência de desigualdades económicas e sociais beneficiar os mais desfavorecidos”. Como neste caso, a existência de desigualdades económicas não iria beneficiar os mais desfavorecidos, não iria ser aceitável a substituição de clones por seres humanos trabalhadores.



Mas levanta-se a questão. Será que, independentemente de serem clones, não têm os mesmos direitos e a mesma dignidade que um ser humano tem? Na opinião de alguns, por não serem seres humanos “originais”, não têm os mesmos direitos, pois foram criados para satisfazer interesses, necessidades, instintos e inclinações dos seres humanos, que, segundo Kant, não são seres moralmente perfeitos, logo não conseguem libertar-se de todos estes entraves. No entanto, há quem pense que, apesar de serem clones, têm os mesmos direitos e a mesma dignidade, independentemente do propósito com que foram criados, visto que, segundo o 1º artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, “Todos os seres nascem livres e iguais em dignidade e em direitos (…)”, não havendo qualquer tipo de distinção.
Há ainda aqueles que defendem que um clone tira algumas das características de pessoa aos seres humanos, como por exemplo, a sua singularidade (pois é uma tentativa de reproduzir um ser humano exactamente igual ao inicial) e a sua dignidade (pois está a tratar-se a pessoa como um objecto, instrumentalizando-a e tentando fazer-se uma cópia da mesma, como as produções em massa, por exemplo).
Posto isto, será a clonagem aceitável? Na nossa opinião, até pode ser aceitável em determinados pontos de vista e situações, como por exemplo, quando a fabricação de clones tem em vista a substituição dos seres humanos em trabalhos pesados ou situações em que são colocados em perigo, apesar de esta acção ser moralmente incorrecta, do ponto de vista de Kant. 

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