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31/01/2012

Os raciocínios ou inferências

Uma inferência ou um raciocínio é o processo de derivar de um certo conjunto de razões (premissas) e a conclusão que delas resulta.
As premissas de um raciocínio são a informação, à partida disponível, com base na qual se extrai uma conclusão.
Para constituírem um raciocínio, os juízos que o constituem (dois ou mais) têm de estar relacionados entre si, organizados de tal modo que um deles é a conclusão que defendemos, tendo em conta o outro ou outros - as premissas.
Nem sempre é muito fácil distinguir as premissas da conclusão. Face a um enunciado, o que devemos fazer é apresentar em primeiro lugar as premissas e depois a conclusão, isto é, traduzir o enunciado naquilo a que chamamos forma padrão.

Exemplo
Para quê discutir o sistema educativo? Não vale a pena discutir o sistema educativo porque o governo decide independentemente das nossas opiniões.

Será um argumento, isto é, a expressão verbal ou a enunciação de um raciocínio? Será que as proposições (enunciados dos juízos) estão relacionadas entre si, de tal modo, que há premissa(s) e conclusão?

Premissa - a ou as proposições apresentadas como ponto de partida.
« porque o governo decide independentemente das nossas opiniões»
Conclusão - a proposição que derivamos ou inferimo da(s) premissa(s).
« não vale a pena discutir»

27/01/2012

O juízo e a proposição

Tal como o conceito, o juízo também toma forma na linguagem, sem a qual não seria possível nem construir conceitos nem construir afirmações ou enunciados sobre a realidade. Essas afirmações expressam-se em frases  declarativas e o conteúdo afirmado em cada uma delas é a proposição, ou seja, ao enunciado do juízo chamamos proposição.
As proposições são, portanto, aquilo que é expresso por um certo tipo de frases - as frases declarativas.
Uma frase é um conjunto de palavras organizadas de modo a constituir um enunciado com sentido. Há diferentes tipos de frases:
  • Declarativas ("Lisboa é a capital de Portugal")
  • Interrogativas ("Que horas são?")
  • Imperativas ("Não faças isso!")
  • Exclamativas ("Parabéns!")
Só o primeiro enunciado é uma afirmação. Os restantes perguntam ou expressam uma ordem ou um  desejo, por isso, nem todas as frases são proposições. Só as frases declarativas são proposições, pois uma frase só é uma proposição quando:
  • afirma algo;
  • o que ela afirma ou nega tem um valor de verdade.
Uma proposição não deve, portanto, confundir-se com uma frase gramatical, pois, quando enunciamos uma ordem, um pedido, uma ameaça, ou quando formulamos uma pergunta, construímos enunciados que não podem ser considerados proposições, uma vez, que não têm conteúdo significativo susceptível de ser verdadeiro ou falso. Existe, pois, uma condição para que se possa afirmar que estamos em presença de uma proposição. Nela tem de ser afirmado ou negado algo acerca de um sujeito, o que implica que só seja uma proposição aquele enunciado que possua um conteúdo susceptível de ser considerado verdadeiro ou falso.

Uma proposição é o que é afirmado ou negado numa frase declarativa e que pode ser considerado verdadeiro ou falso.

26/01/2012

O juízo e a proposição

O pensamento não se limita a conceptualizar, ou seja, a construir representações gerais e abstractas da realidade - os conceitos. O pensamento usa os conceitos para afirmar algo sobre a realidade, isto é, para construir opiniões.
Juízo é o acto mental ou de pensamento que nos permite  expressar e afirmar algo.
O juízo estabelece uma relação entre um sujeito e um predicado, afirmando ou negando que uma certa propriedade (a que em lógica se chama predicado) pertença ou possa ser atribuída ao sujeito. A ligação faz-se por intermédio da cópula.
Exemplo: «O céu é azul» é expressão de um juízo, já que nesta afirmação se atribui a qualidade ou o predicado «azul» ao sujeito «céu».
Na lógica aristotélica, o juízo foi reduzido à estrutura: «S é P» e implica a existência de três termos:

Sujeito (S) - aquilo de que se afirma ou nega algo ("O céu").
Cópula - estabelece a relação entre o sujeito e o predicado ("é").
Predicado (P) - o atributo que é afirmado ou negado ao sujeito ("azul"). 




21/01/2012

A conceptualização

A Conceptualização:
  • é uma operação lógica de classificação e de síntese;
  • implica realizar diferentes operações intelectuais, tais como percepcionar, comparar, distinguir, abstrair e generalizar;
  • consiste em sintetizar e identificar propriedades gerais como fazendo parte de um conjunto de seres.
Assim, o conceito representa a soma dos conhecimentos que possuímos acerca de um determinado conjunto de seres, condensando e fixando todas as nossas experiências e, por isso, é abstracto e universal.
O termo é a expressão verbal do conceito, ou seja a tradução, em palavras, da conceptualização humana.




18/01/2012

Classificação dos conceitos

Classificação dos conceitos segundo a Compreensão e a Extensão

Compreensão
Conjunto de todas as propriedades, características ou atributos que:
  • são comuns (universais e essenciais) a todos os objectos ou seres que pertencem a uma classe;
  • podem ser atribuídos a uma classe de seres ou objectos;
  • definem o conceito.
Extensão
Número de elementos a quem podem ser atribuídas as características que:
  • definem um conceito;
  • constituem a classe de objectos ou seres a que o conceito se aplica.

Nota: Quanto maior a extensão de um conceito, menor compreensão ele possui (mais geral e abstracto ele será). 

16/01/2012

Conceito

  • É a forma mais simples e elementar de pensamento (elemento base do nosso pensamento).
  • É a apreensão ou representação intelectual e abstracta da essência (aquilo que uma coisa é) de um objecto (da experiência).
  • É o resultado ou produto de uma elaboração da razão, nomeadamente da sua capacidade de abstracção
A abstracção é o processo que permite à razão isolar e apreender num objecto concreto da experiência os atributos ou aspectos essenciais (características gerais e universais que se mantêm as mesmas independentemente das transformações ocasionais e da diversidade de objectos particulares que compõem a classe de objectos a que pertence) que o caracterizam ou definem (bem como à classe de objectos a que pertence) e que simultaneamente o distinguem de outros objectos ou seres de outras classes.

O conceito contém e permite evocar as propriedades características da classe de coisas ou seres que simboliza e que distinguem esta classe das outras classes.

Assim, podemos definir o conceito como:
Uma representação lógica abstracta que designa, na mente, um conjunto ou uma classe de objectos ou de seres.

10/01/2012

O que é a Lógica?

A Lógica formal estuda as leis do pensamento correcto, ou seja, analisa as propriedades dos argumentos válidos.

«A Lógica formal preocupa-se principalmente com os raciocínios, que são um meio de transformar dos conhecimentos, combinando-os entre si, isto é, um meio de passar de certos conhecimentos já adquiridos para outros que são suas  consequências. Ora, os conhecimentos apresentam-se sob a forma de proposições, de frases que exprimem juízos. Os juízos, eles próprios, ligam ideias, designadas igualmente por noções ou conceitos.»
Maurice Gex, Logique Formelle, p. 17. 

A Lógica formal estuda os raciocínios ou inferências que, como já dissemos, se nos apresentam sob a forma de argumentos.
Ora, os elementos presentes num raciocínio são conceitos (ideias) e juízos expressos na linguagem por termos e proposições, respectivamente.
Ao pensar, o ser humano utiliza representações mentais - os conceitos, que são expressos na linguagem através de palavras ou termos. Os conceitos são, portanto, os instrumentos que utilizamos para representar a realidade.

07/01/2012

Lógica

É a linguagem verbal:
- é um elemento essencial para a comunicação entre os seres vivos;
- permite fazer uma apropriação da realidade através de um conjunto de processos mentais a que chamamos pensar.
O que é pensar?
O que nos permite pensar?

Para pensar precisamos de uma matéria-prima. A matéria-prima que usamos para pensar são as ideias (representações mentais) que identificamos e reconhecemos associando-as a palavras.
Ao pensar estabelecemos relações entre as ideias e expressamos esse pensamento através de palavras.
Todos sabemos que ao falar usamos as palavras numa certa ordem (regras gramaticais).
=
Acontece o mesmo com o acto de pensar, ou seja, também temos que ligar as nossas representações mentais (ideias) de acordo com regras (regras do pensamento válido ou regras lógicas).
Isto permite relacionar validamente (correctamente) as nossas representações mentais.

Assim: 
Aprender gramática ajuda-nos a falar e a escrever com maior correcção = acontece o mesmo com a nossa capacidade de pensar. Aprender lógica:
  1. Irá ajudar-nos a pensar de forma mais rigorosa e exacta;
  2. A ampliarmos o alcance do nosso pensamento;
  3. Aumentará a nossa capacidade de avaliação crítica dos nossos argumentos ou dos argumentos dos outros.

O que são argumentos? São a expressão dos nossos raciocínios, a expressão em palavras de um raciocínio ou inferência (processo mental usado para derivar novos conhecimentos dos conhecimentos que já possuímos).

Assim: A Lógica é um instrumento para aprender a construir e avaliar argumentos válidos que aperfeiçoa o nosso raciocínio = pensar melhor.