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30/12/2011

Será legítimo utilizar os seres humanos como cobaias?

A utilização de animais ou pessoas em estudos experimentais em laboratórios, provocou o surgimento de uma questão: será legítimo utilizar os seres humanos como cobaias. A resposta a esta questão é muito complicada, visto que é diferente consoante o ponto de vista. Se avaliarmos esta questão sob a perspectiva de Kant, iria ser ilegítimo, visto que iríamos contra uma normal moral, ao instrumentalizarmos os seres humanos, fazendo-os passar como cobaias. Mas, iríamos ter uma resposta contrária se avaliássemos a questão do ponto de vista de Stuart Mill. Segundo o ponto de vista deste filósofo, a utilização dos seres humanos como cobaias iria ser legítima, pois contribuiria para uma maior satisfação pelos indivíduos, visto que iria ser encontrada a cura para alguma doença, por exemplo.
Pessoalmente, estamos divididos entre a perspectiva de Kant e a de Stuart Miil. Isto é, por um lado é necessário testar as novas descobertas, sejam elas medicamentos, produtos estéticos ou qualquer outra coisa, pois hoje em dia estas necessidades são cada vez mais essenciais e também, ao descobrirmos a cura para determinadas doenças, estamos a contribuir para que muitas vidas sejam salvas, num futuro próximo. Por outro lado, pensamos que o ser humano não devia ser instrumentalizado e, por isso, não devia servir de cobaia. Mas aí é colocada a questão: então se as novas descobertas não são testadas em seres humanos, como saberemos se são eficazes? Testando-as em animais? Parece-nos que essa também não é uma boa solução porque, para além de também terem os seus direitos que não queremos ver violados, os efeitos em si podem ser diferentes, visto que a espécie é diferente.
Deste modo, é possível perceber a necessidade que existe em utilizar os seres humanos como cobaias, tendo em vista a evolução da Ciência e, posteriormente, a preservação de muitas vidas. Apesar de, ao servirem de cobaias, estarem a colocar a sua saúde e, quem sabe até a sua vida em perigo, estão a contribuir para descobertas importantes que podem salvar muitas vidas. Do nosso ponto de vista, este é, talvez, o único aspecto positivo e com o qual nós concordamos acerca deste assunto.


28/12/2011

Será o Aborto moralmente correcto?

Um aborto ou interrupção da gravidez é a remoção ou expulsão prematura de um embrião ou feto do útero, resultando na sua morte ou sendo por esta causada. Isto pode ocorrer de forma espontânea, quando ocorre um aborto acidental, ou de forma artificial, se o aborto ocorrer intencionalmente, provocando-se o fim da gestação, e consequentemente o fim da vida do feto, mediante técnicas médicas, cirúrgicas, entre outras.
Existe um grande conflito de opiniões em relação ao facto de ser ou não moralmente aceite. Há quem defenda que, por vezes, como não existem condições, quer no seio da família quer económicas, que permitam a criação de uma criança, bem como os custos relativos à sua educação e às suas necessidades básicas, a melhor solução é mesmo o aborto. Ou então, quando o bebé não é desejado, o aborto torna-se a melhor opção. Há situações em que o bebé não é desejado, pois este é fruto de uma violação. Nestas alturas, o aborto torna-se a opção mais viável, visto que, caso a mãe escolhesse ter o bebé, este poderia trazer-lhe recordações dolorosas, o que faria com que a criança (sem qualquer culpa) não fosse tratada com o amor, afecto e carinho que merecia, podendo conduzir a traumas morais e psicológicos, tanto para a mãe como para a criança em questão.
Contudo, apesar de ainda ser um feto, é já um ser humano e, por isso, possui vida, sendo portanto errado retirar-lha. Se o fizéssemos, isso iria contra a sua dignidade, pois ninguém tem o direito de retirar a vida a outra pessoa, o que torna o aborto uma situação ilegal e imoral, indo contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Posto isto, pensamos que somente em caso de violação, o aborto é aceitável, devido aos factos argumentados anteriormente e que, no geral, não é moralmente aceite pois, como também já foi referido, vai contra os Direitos Humanos, sendo por isso uma acção moralmente incorrecta e inaceitável.



26/12/2011

Será a Clonagem aceitável?

Graças à evolução da Ciência, hoje em dia, já é possível obter dois seres geneticamente iguais, através de um processo de reprodução assexuada, designado clonagem. Apesar de ser mais um dos avanços da Ciência e, talvez num futuro próximo, permitir a criação de um clone de uma pessoa que perdemos e de quem gostávamos muito, este assunto tem gerado muita controvérsia.
Há quem esteja de acordo com a realização de clonagens, argumentando que os clones poderiam substituir as pessoas quando é necessário realizar trabalhos pesados ou que ponham em risco os seres humanos. Mas este argumento pode ser facilmente refutado, pois, ao empregarmos os ditos clones, cada vez mais seres humanos “normais” ficariam no desemprego, o que contribuiria para que a pobreza aumentasse no mundo e estes vivessem cada vez em piores condições. Ora, esta situação vai contra o segundo princípio da Teoria da Justiça de John Rawls, o Princípio da igualdade. Este princípio afirma que “a sociedade deve promover a distribuição igual da riqueza, excepto se a existência de desigualdades económicas e sociais beneficiar os mais desfavorecidos”. Como neste caso, a existência de desigualdades económicas não iria beneficiar os mais desfavorecidos, não iria ser aceitável a substituição de clones por seres humanos trabalhadores.



Mas levanta-se a questão. Será que, independentemente de serem clones, não têm os mesmos direitos e a mesma dignidade que um ser humano tem? Na opinião de alguns, por não serem seres humanos “originais”, não têm os mesmos direitos, pois foram criados para satisfazer interesses, necessidades, instintos e inclinações dos seres humanos, que, segundo Kant, não são seres moralmente perfeitos, logo não conseguem libertar-se de todos estes entraves. No entanto, há quem pense que, apesar de serem clones, têm os mesmos direitos e a mesma dignidade, independentemente do propósito com que foram criados, visto que, segundo o 1º artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, “Todos os seres nascem livres e iguais em dignidade e em direitos (…)”, não havendo qualquer tipo de distinção.
Há ainda aqueles que defendem que um clone tira algumas das características de pessoa aos seres humanos, como por exemplo, a sua singularidade (pois é uma tentativa de reproduzir um ser humano exactamente igual ao inicial) e a sua dignidade (pois está a tratar-se a pessoa como um objecto, instrumentalizando-a e tentando fazer-se uma cópia da mesma, como as produções em massa, por exemplo).
Posto isto, será a clonagem aceitável? Na nossa opinião, até pode ser aceitável em determinados pontos de vista e situações, como por exemplo, quando a fabricação de clones tem em vista a substituição dos seres humanos em trabalhos pesados ou situações em que são colocados em perigo, apesar de esta acção ser moralmente incorrecta, do ponto de vista de Kant. 

23/12/2011

Limites e riscos da Ciência

Por muito que a ciência seja evoluída hoje em dia, esta apresenta vários limites. A ciência só visa o presente e talvez o futuro. Mesmo sendo-lhes possível, já que conseguem controlar os avanços científicos e mesmo definir limites para a exploração científica, os próprios cientistas não impõem tais limites. Mas já a sociedade discorda com isso e acha que é mesmo necessário que sejam impostos limites de modo a não ser prejudicada.
A ciência não é capaz de lidar com os termos de moralidade. A bioética (reflexão acerca das implicações éticas e filosóficas da investigação científica e dos problemas levantados pela aplicação da Ciência e da tecnologia ao estudo dos seres vivos) também tem procurado limites para a Ciência que possam ser aceitáveis, mas não foi fácil encontrar um critério para definir os mesmos. O critério mínimo aceitável tem sido a vida, o bem-estar e a dignidade do Homem, visto serem os valores mais importantes deste.
          Podemos colocar a seguinte questão: mas porque razão é tão importante impor limites à Ciência, afinal não tem permitido a evolução da Humanidade e não tem trazido vários benefícios? Sim, é verdade, mas se não fossem impostos limites, a Humanidade poderia também correr vários riscos.
          Por exemplo, com a evolução da Ciência foi possível criar bombas atómicas que, como já foi possível verificar, provocam a morte de milhares de pessoas. Ora, podemos considerar esta situação como um exemplo dos riscos da Ciência visto que a sua evolução pode resultar na morte de várias pessoas. Também permite-nos alertar para um outro risco: a Ciência pode não só ser utilizada para o benefício mas também contra a Humanidade.
Podemos dizer que a Ciência traz óptimos benefícios para a Humanidade,  e pode também trazer a desgraça para a mesma, provocando muitas mortes e quem sabe até guerra entre diversos países.
Também temos o caso do ecstasy (metilenodioximetanfetamina). Esta droga é feita em laboratorios e foi feita principalmente para os militares combaterem a fome e o sono. Mas ao longo do tempo foi ficando mais frequente em festas rave, boates, e casas noturnas.
Tomado sem controlo e de maneira a só servir para diversão, o ecstasy provoca: náuseas, desidratação, hipertermia, hiponatrémia e hipertensão. Foi feito de maneira a benefeciar alguns membros da sociedade, mas agora leva a exaustão, convulsões e mesmo a morte.


22/12/2011

O que é a Arte?

A arte é algo subjectivo, que possui um ou mais valores.

Nem tudo pode ser considerado arte por toda a gente. A arte é algo que reúne e traduz gostos e, nem todos, têm os mesmos gostos, pois nem todos têm a mesma experiência de vida, nem as viveram da mesma maneira.

A arte é algo intemporal uma vez que algo realizado na Idade Média, por exemplo, pode ainda ter valor nos dias de hoje.
Existem vários tipos de arte: concreta ou abstracta, pintura ou escultura, som ou imagem, entre outros.
Uma obra de arte não tem obrigatoriamente de seguir determinadas regras ou padrões, pois é uma manifestação livre da maneira de ser do artista.

20/12/2011

Desobediência Civil

Contra-argumentos:
  • A violência da lei nunca se pode justificar. Devemos tentar mudá-la recorrendo aos meios legais à nossa disposição, tais como manifestações, campanhas, cartas, etc;
  • A desobediência civil é um acto anti-democrática e despeita a vontade da maioria. Num regime democrática isso é inaceitável;
  • Facilmente se pode passar da desobediência civil para o caos e anarquia social;
  • Não é garantido que todos os indivíduos envolvidos na desobediência civil coloquem o interesse social acima do interesse pessoal.
Argumentos:
  • Por vezes, os protestos legais são inúteis;
    Justifica-se quando as pessoas são obrigadas a obedecer a leis ou políticas governamentais que consideram injustas;
  • O argumento filosófico que o fundamenta é o seguinte: o cidadão só tem o dever moral de obedecer a leis, se os legisladores produzirem leis justas;
  • Os exemplos históricos confirmam a ideia de que a desobediência civil tem constituído um instrumento importante para alcançar uma sociedade mais justa.

11/12/2011

Desobediência civil

A desobediência civil é a atitude individual ou colectiva que consiste em desrespeitar de modo não violento e com manifestação pública leis ou políticas consideradas injustas. Assenta em príncipios morais e não deve ser confundida com tentativas de revolução com qualquer forma de terrorismo.

Exemplos:
  • Sufragistas britânicas, ao manifestarem-se contra a lei que impedia as mulheres de votarem;
  • Gandi, nos seus protestos contra a soberania colonial inglesa;
  • Martin Luther King, nos seus protestos contra a desigualdade de direitos civis básicos entre negros e brancos;
  • Jovens americanos, que se recusaram a participar na guerra de Vietname.
A desobediência civil não visa a destruição do estado ou das leis, mas sim, a sua alteração. Quem pratica a desobediência, acredita estar um dever de cidadão, com beneficios para a sociedade.

06/12/2011

Vontade autónoma vs vontade heterónoma

A vontade autónoma, a liberdade é a condição e fundamento da moralidade. A acção só é moral quando resulta de uma vontade livre quando quer cumprir a lei universal da razão.
Na vontade heterónoma há a imposição dos interesses e inclinações de cada sujeito ou, por outro lado, de regras impostas do exterior à nossa vontade. A vontade não é livre somente a acção pelo dever torna a vontade boa, que é a única vontade verdadeiramente moral.
Só pela acção moral o Homem se realiza como pessoa, ser dotado de uma dignidade absoluta.


01/12/2011

Lei moral

Lei moral --> A sua forma é o imperativo categórico
Universal- válida para todos os sujeitos racionais.
Absoluta- não depende do ponto de vista.
Racional- Isto significa que é criada pela razão independentemente da experiência individual e subjectiva de cada um. Só uma máxima universal pode ser considerada moral. Para que uma máxima seja universal e, portanto se converta em lei moral, é necessário que resulte da razão, que seja criada pela razão e não em função dos interesses particulares ou egoísmos do sujeito.
Normativa- Apresenta-se à vontade com a forma de DEVER (obrigação).
Incondicional ("Deves porque deves") - Apresenta-se como um fim em si mesmo.

Imperativo hipotético
"Se quiseres... então deves..."
Não é a lei moral porque apresenta o dever como algo condicional, como um meio para chegar a um fim.
O ser humano realiza-se como pessoa pela sua moralidade. Agir moralmente e agir de acordo com a vontade autónoma, seguindo a lei da razão.
Só o puro respeito pela lei pode dar valor moral à acção.

26/11/2011

Críticas à ética Kantiana


Alguns críticos da ética Kantiana consideram-na demasiado extremada e bastante utópica, ao defender que os homens conseguem libertar-se dos seus instintos, inclinações e interesses e seguirem unicamente a razão e aquilo que é universal a todos os seres humanos.

P1: De que modo o dever se apresenta à vontade humana?
R1: Apresenta-se como obrigação, como algo que diz "deves" para a nossa vontade livre.

P2: Porquê?
R2: De acordo com Kant, se fossemos seres moralmente perfeitos, não necessitaríamos da lei moral porque naturalmente a nossa vontade agíria de forma moralmente boa.
Contudo, enquanto seres humanos, a nossa vontade está sujeita por um lado à razão e por outra às inclinações e aos egoísmos. Por isso, é necessário um dever que desvie a vontade das inclinações e a conduza para a razão.

P3: Porque é que só a moralidade respeita a dignidade humana?
R3: Porque agir moralmente é agir racionalmente e portanto respeitar a pessoa como um fim em si mesmo e nunca como um meio. A pessoa é um ser dotado de dignidade absoluta e portanto não pode ser instrumentalizado.

22/11/2011

Legalidade e Moralidade

Atitudes diferentes perante o dever:
1- Acções contraditórias ao dever.
- Não são acções morais, são acções imorais.
2- Acções em conformidade com o dever.
- Não são acções morais, são acções legais.
3- Acções no puro respeito pelo dever.
- Acções morais.

1) Este tipo de acções são realizadas em sentido contraditório ao dever. Se o dever diz: " Não deves roubar.", esta acção consiste em roubar e, por isso, é imoral.
2) Este tipo de acções são aquelas que cumprem o dever, não porque acreditem que o valor está no próprio dever, mas porque este é apenas um meio para alcançar um determinado fim. Trata-se de uma acção por inclinação, em que o sujeito segue os seus interesses ou egoísmos. Age por inclinação, por medo de ser apanhado ou da censura social. Embora sejam acções que sigam a forma do dever, não são morais mas sim legais.
3) Estas acções não só cumprem o dever moral como o tratam dotado de valor intrínseco, como algo que vale em si mesmo e por si mesmo. Trata-se de cumprir o dever pelo dever e nada mais.

17/11/2011

Teorias deontológicas e teorias consequencialistas

Éticas deontológicas (formais): para as éticas formais, o valor moral da acção não está unicamente no que se faz, mas na forma como se faz, na intenção presente nas nossas acções. Kant afirma que a acção moralmente boa tem o seu fim em si mesmo e, portanto, não vale pelo dever que cumpre, mas pelo modo como cumpre esse dever.

Éticas consequencialistas: são éticas materiais porque consideram dominante a matéria ou conteúdo da acção. A validade moral da acção não é determinada pela intenção com que que agimos, mas pelo que resulta da acção, pelo fim ou bem alcançado. a acção boa pode ser o que constitui um bom meio para o fim a alcançar.


09/11/2011

Noção de Pessoa

Caracteriza-se pelos seguintes aspectos:
a) Singularidade/unidade - para além da sua dimensão física, cada pessoa possui uma realidade interior que a define na maneira de ser e na diversidade de comportamentos que manifesta.
Neste sentido, cada individuo é um ser único e insubstituível, sendo precisamente nisso que reside o seu valor. É sujeito a influências sociais e culturais mas, no entanto, cada pessoa tem um núcleo substantivo irredutível que se mantém permanente e que define o seu 'eu', distinguindo-o de qualquer outro. Porque este núcleo é único, é também insubstituível.

b) Dignidade -  a pessoa é dotada de um valor irredutível, que não lhe pode ser retirado em circuntância alguma. É dotado de dignidade própria e isto significa que tem valor por si próprio e em si próprio, e que nunca deve ser tratada como um objecto, ou seja, instrumentalizada.
A pessoa é dotada de valor absoluto, e não de valor relativo.

c) Liberdade - não existe liberdade total e absoluta, mas uma liberdade condicionada. A liberdade está no núcleo da pessoa como algo que o define e torna única, devendo ser garantida como condição fundamental da singularidade e da dignidade.

d) Abertura -  a pessoa caracteriza-se pela sua dimensão relacional. Forma-se, desenvolve-se e concretiza-se na relação e no compromisso com o outro. O 'eu' só é verdadeiramente 'eu' face ao outro.

08/11/2011

Consciência Moral

É um a instância intima e pessoal, uma espécie de "voz interior" que, além de assumir e interiorizar as normas morais, também as avalia quanto à sua rectidão. É a capacidade de julgar e avaliar o que é correcto e orientar a acção para o cumprimento do que é devido.
Enquanto juiz interior que incita, repreende, dissuade, ou acusa, a consciência moral é a voz da nossa consciência enquanto sujeitos racionais e livres, capazes de responder pelos próprios actos e também de avaliar os actos dos nossos semelhantes.


Pessoal- a dimensão pessoal tem a ver com a forma como interiormente nos relacionamos com as normas morais socialmente estabelecidas. O sujeito moral assume as normas como suas e não simplesmente como algo que é imposto. As normas não só exigem o seu cumprimento, como também uma adesão intíma, uma convicção interior que se revela nas nossas intenções.

Social- a dimensão social significa que nas comunidades humanas existe um conjunto de normas que regulam as acções r relações entre os seus membros. Por exemplo, não deves roubar.

07/11/2011

Norma Moral

Norma Moral: é uma regra ou princípio de conduta que permite ao indivíduo, enquanto agente moral distinguir o que é o bem e o que é o mal, enquanto orientações para a relação com os outros indivíduos.
Apresenta-se ao sujeito como dever. Este dever só faz sentido para um sujeito livre, que pode escolher cumprir ou não a lei moral.

Lei (legal): é um conjunto que está definido e escrito no direito, tendo como função regular a vida em sociedade. O seu não-cumprimento implica uma determinada sanção ou pena.

Lei natural: são leis que regem a natureza e não são criadas pelo ser humano. O seu cumprimento ou não, de modo algum depende da escolha do ser humano.

Em que condições o agente pode ser moralmente responsabilizado pelas suas acções?
Que o agente aja conscientemente, isto é, com conhecimento de causa, que não ignora as circuntâncias em que a sua acção se desenrola e que, de certa forma, possa controlar as consequências imediatas do seu comportamento.
Que o acto realizado seja intencional, isto é, derive de uma decisão consciente, voluntária e livre do agente, não sendo este forçado a agir.


03/11/2011

Interculturalismo

O interculturalismo pretende superar as insuficiências do relativismo cultural. Deste modo, vai para além da compreensão e tolerância, considerando que o respeito pela diversidade cultural é a condição para o diálogo entre diferentes modelos culturais.
Pretende promover os seguintes objectivos:
Compreender a natureza pluralista da nossa sociedade e do nosso mundo;
  • Promover o diálogo entre as culturas;
  • Compreender a complexidade e a riqueza da relação entre as diferentes culturas;
  • Colaborar na busca de respostas aos problemas mundiais que se colocam nos âmbitos social, económico, político, ecológico, ideológico e religioso.
O diálogo entre culturas possibilita o enriquecimento mútuo, a convivência num contexto pluralista e o respeito pela humanidade nos seus direitos fundamentais, independentemente da etnia, raça, escolha política ou religiosa.


O interculturalismo pode conduzir a uma série de aspectos positivos:
  1. incentivo ao diálogo;
  2. respeito genuíno pelas diferenças culturais;
  3. instaurar a dignidade humana e os direitos humanos como referências inquestionáveis comuns e partilhadas pela generalidade dos seres humanos.
Aspectos negativos:
  1. o diálogo entre diferentes modelos culturais, mesmo que assente numa tolerância construtiva e activa pode conduzir ao desaparecimento de alguns modelos culturais minoritários.

02/11/2011

Etnocentrismo

Consiste em sobrevalorizar determinados padrões ou referências culturais, tomando-as como absolutas.
Ao reconhecer unicamente legitimidade e validade às normas e valores vijentes numa dada sociedade, desvaloriza os restantes modelos culturais.
Analisa e julga os restantes modelos culturais, de acordo com as suas referências absolutas.

Aspectos negativos:
  • Caracteriza-se pela incompreensão em relação aos aspectos das outras culturas, dado que o etnocentrismo é incapaz de aceitar os que não reconhecem valores semelhantes ao seus;
  • Nas consequências negativas destacam-se as seguintes: xenofobia (ou seja, ódio em relação aos estrangeiros); racismo (ou seja, rejeição de grupos étnicos diferentes); (chauvinismo (ou seja, patriotismo fanático).
Aspectos positivos:
  • Um dos aspectos positivos, consiste no facto da atitude etnocêntrica puder ser um factor de integração do individuo no seu grupo social e cultural.

01/11/2011

Relativismo Cultural

Segundo esta perspectiva, não há valores ou normas universal e absolutamente válidas. Consequentemente, a validade de cada modelo cultural é relativo à cultura que a impoem.
Defende a tolerância face às diferentes expressões culturais.
Evita julgar os diferentes modelos culturais absolutos.

Aspectos negativos:
  1. Uma das primeiras consequências reside no facto da tolerância puder conduzir à passividade, ou seja, à não-reacção perante determinadas situações;
  2. Outra consequência possível é o isolamento. Frequentemente, para um relativista, a defesa de determinados valores está associada ao não-diálogo entre culturas.

Aspectos positivos:
  1. Um aspecto positivo, é o facto de promover a compreensão entre as diferentes culturas. Esta compreensão é a base fundamental para a possível convivência entre diferentes modelos culturais;
  2. Outro aspecto positivo é que esta compreensão é a tolerância face à diversidade cultural.

30/10/2011

Cultura

  • Pode ser aquilo que o Homem adquire na sociedade de onde está inserido.
  • Conjunto de habitos, práticas ou actos (valores) que fazem parte de uma determinada sociedade ou povo.
  • Conjunto de formas que um grupo social adoptou para resolver os problemas comuns.
  • Pode transmitir-se de geração em geração.
Podemos definir cultura como um conjunto de valores, normas morais, leis, ideias, crenças, religião, costumes, arte, instrumentos técnicos, intituições e formas de organização social que os homens, vivendo numa determinada sociedade criaram ao longo da história.


25/10/2011

Objectivismo e Subjectivismo


Concepção objectivista de valor

De acordo com perspectiva, os valores são absolutos e universais, e pelo facto de transcenderem os seres humanos são independentes dos sujeitos que os pretendem ou desejem. Consideram que os valores não variam conforme as mudanças e flutuações históricas e culturais.

Os valores essenciais apresentam-se como eternos e imutáveis e não dependem nem do sujeito nem dos objectos. Independentemente da forma como diferentes culturas interpretam a justiça.
Para o objectivismo, a justiça não depende dos actos justos.

Subjectivismo axiológico
De acordo com esta perspectiva teórica os valores reduzem-se às preferências valorativas dos indivíduos ou das comunidades. Não existem em si mesmos, onde são subjectivos e relativos. Dependem exclusivamente do sujeito que avalia, das suas crenças e desejos, das suas vivências históricas-particulares. São históricos e particulares.

Compromisso entre subjectivismo e objectivismo
Há valores essenciais, como por exemplo a justiça que devem ser ideais comuns à generalidade dos indivíduos. No entanto, cabe a cada indivíduo e a cada cultura usar e aplicar esses valores.

21/10/2011

Dignidade Humana


  1. Significa primeiro que tudo a inviolabilidade da pessoa, ou seja, não a tratar como instrumento ou objecto. Um exemplo claro da instrumentalização é o escravo. Instrumentalizar a pessoa é retirar-lhe os seus mais elementares direitos.
  2. É o respeito e o reconhecimento da autonomia de cada ser humano. Isto significa o respeito pela liberdade das suas decisões e opções quer no plano da acção, quer no plano das ideias.
  3. Cada ser humano deve ser respeitado, não pela sua raça, etnia ou classe social, mas pelo mérito das suas acções.
  4. Significa também a solidariedade para com os outros, o respeito pela dignidade de todos os seres humanos.

17/10/2011

Determinismo e Livre- arbítrio

Determinismo
Enquanto corpos constituídos por partículas, fazemos parte de uma rede conceptual que, sendo dadas as mesmas condições, deixa em aberto um único futuro possível.
Todo o nosso comportamento é constrangido e predizível.
O Determinismo é verdadeiro, e a liberdade uma ilusão.

Livre- arbítrio
O comportamento humano não é predizível nem constrangido. É indeterminado.
Podemos optar entre várias alternativas e inclusivamente, contrariar as predições feitas a respeito da nossa conduta.
O ser humano é livre e o determinismo é falso.

É o determinismo compatível com o livre-arbítrio?
Sim, a teoria designa-se de compatibilismo.
Todo o Universo obedece a leis mas, apesar disso, algumas acções são livres. Afirmar a liberdade não significa negar o determinismo e a causalidade. Significa apenas que, muito embora existam leis que regem as partículas do nosso corpo, algumas acções não são constrangidas.

16/10/2011

Critérios Trans-subjectivos


Parece impossível, face à diversidade cultural, encontrar critérios valorativos universais, em relação aos quais todos os indivíduos estejam de acordo.
No entanto, existem problemas que transcendem o âmbito nacional e que portanto não nos dizem respeito unicamente a nós, grupo de indivíduos, mas sim à escala planetária. Há problemas cuja resolução só é possível pelo acordo entre diferentes povos. Por exemplo, os problemas ambientais, o fenómeno de excesso populacional, a emigração à escala global, o decréscimo dos recursos energéticos disponíveis, doenças como a sida e certas formas de pandemia, surtos de intolerância, racismo e xenofobia.
Este sentimento de que todos pertencemos ao mesmo planeta levanta a questão da definição de critérios valorativos trans-subjectivos que, ultrapassando os interesses pessoais e o regionalismo ou relativismo cultural, orientem os povos no sentido de, solidariamente, tentarem resolver as grandes questões que hoje se colocam.

Três critérios possíveis:
  1. Critério da dignidade humana; é bom o que promove a dignidade humana.
  2. Critério da fundamentação consensual; possui valor aquilo em que todos estão de acordo.
  3. Critério da democracia; tem valor aquilo em relação ao qual a "maioria" está de acordo.

15/10/2011

Condicionantes da acção humana



A liberdade humana não é absoluta, total. Portanto pensá-la desse modo é uma ilusão. A nossa experiência concreta e quotidiana permite-nos perceber que, à partida, nascemos com um património genético que não escolhemos e que nos encontramos numa realidade social e cultural, rodeados por seres humanos, com que lidamos e nos influenciam.
A nossa liberdade inscreve-se num Universo de possibilidades, que no entanto é finito. Somos condicionalmente livres.
Entende-se por condicionante da acção todo e qualquer factor, seja ele externo/interno, que influencia a possibilidade de escolha ou opção.
As condicionantes da acção humana são simultaneamente limites e possibilidades.
Podemos considerar os condicionantes físico-biológicos ao nível da espécie, quando temos em consideração as características que enquanto seres humanos partilhamos com todos os indivíduos da mesma espécie.
Consideramos condicionantes psicológicos factores internos, tais como: motivação, traumas, complexos e toda uma diversidade de aspectos que dizem respeito à estrutura psíquica de um ser humano.
Entendemos por condicionantes sócio-culturais os hábitos, regras sociais e morais, procedimentos e costumes que constituem o universo de referências a que cada indivíduo se situa. O Homem é um ser em situação, existe numa determinada circunstância orientado por determinados valores.

12/10/2011

Rede Conceptual da acção humana





Intenção

- Propósito da acção;
- Implica a deliberação e a definição da finalidade da acção;


(Deliberação - é um momento prévio à decisão ou à escolha no qual a vontade pondera as diferentes alternativas que se apresentam ao sujeito. Pondera entre factores subjectivos e objectivos.)
- A intencionalidade de uma acção voluntária é ter um propósito, ou seja, um significado e um sentido;

- É indissociável da noção de projecto, aquilo que alguém decide ou se propõe fazer.

Motivo
- São as razões que permitem compreender a intenção;
(Razões - são factores que fundamentam e justificam à acção. Causas - não dependem da vontade.)
- São razões capazes de explicar o sentido e a finalidade de uma acção. São os motivos que procuro quando faço a seguinte questão: "Porque agi de determinado modo?".

Consciência
- Percepção de si como autor da acção; 
- Sei que sou eu o agente.

Livre-arbítrio

- É a capacidade de escolha/opção do agente;
- Só existe para aquele que tem possibilidades, opções no seu horizonte de acção;
- Implica deliberação. Implica decisão.
(Decisão - é o momento de escolha e de resolução entre os diferentes motivos da acção.)

07/10/2011

Serà necessàrio analisar as acções humanas para compreender os seres humanos?



As acções dos seres humanos caracterizam-nos.

Actos Humanos
Referem-se a acções voluntárias, aquelas cuja razão de ser depende da vontade do agente da acção.
  1. voluntários
  2. intencionais
  3. consciência

Actos do Homem

Referem-se a acções involuntárias, isto é, aquelas cuja razão de ser não depende da vontade do agente da acção. São, por um lado, aqueles que fazemos e não temos consciência deles. Por outro, são aqueles actos que fazemos conscientemente, mas que não dependem da nossa vontade e, por isso, são involuntários.
  1. involuntários

05/10/2011

Construção de texto argumentativo


Tema: é o assunto sobre a qual incide o discurso. Aquilo que se pretende discutir.

Problema: é o enigma/dificuldade que se pretende resolver e sobre o qual podem ser apresentadas diferentes possibilidades de resposta. É fundamental apresentar de forma clara e rigorosa o problema em causa.

Tese
: é o momento em que a filosofia se pronuncia, sobre qual das hipóteses de resposta ao problema lhe parece mais verdadeira e aceitável. Tese é a posição, ideia ou opinião defendida pelo orador.

Argumento: é esta a tarefa especificamente filosófica, que consiste em encontrar razões estruturadas e coerentes que suportem a tese. A tarefa da Filosofia é analisar os argumentos que sustentem as teses.

03/10/2011

Instrumentos lógicos da Filosofia

Conceito: é a apresentação mental, abstracta e geral que reúne as características essenciais e comuns a um determinado ser ou objecto. Forma-se por abstracção, ou seja, pelo processo mental que consiste em reunir o conjunto de características comuns a determinadas experiências. Aplica-se por generalização a todos os seres que apresentam essas mesmas características.
(Termo: é a expressão linguística do conceito)

Juízo: é a operação metal pela qual relaciona, de modo afirmativo ou negativo, dois ou mais conceitos.
(A expressão linguística do juízo é a proposição)

Nem todas as frases são proposições. Só as frases declarativas, que podem ser consideradas verdadeiras ou falsas, são proposições.
Raciocínio: é a operação mental pela qual relacionamos juízos e deles extraímos uma conclusão.
(A expressão do raciocínio é o argumento)

01/10/2011

A especificidade da Filosofia


1- Autonomia

Significa liberdade de pensamento, ou seja, a capacidade de pensar por si e de modo independente.

Refere-se ao pensar livre de preconceitos, ideias feitas e todo o tipo de dogmas que nos são apresentadas com verdades inquestionáveis.
Ao contrário da religião, em que as verdades são reveladas, na Filosofia o conhecimento verdadeiro só é digno desse nome quando resulta de um exame crítico e rigoroso da razão.
Enquanto que na religião a aceitação das verdades depende da fé do crente, na Filosofia depende do exame da razão.
É a liberdade de pensamento face às ideologias políticas e sociais.
Kant estabeleceu a oposição entre maioridade e menoridade. O uso livre da Razão é o estado de maioridade.

2- Radicalidade
Significa que a Filosofia ao colocar questões não se satisfaz com as primeiras e superficiais respostas, mas procura ir à raiz dos problemas, compreender porquê, compreender a razão de ser. Vai para além da superficialidade do senso comum, aceitando unicamente teses ou ideias que sejam fundamentais racionalmente.

3- Historicidade
Esta característica específica da Filosofia tem por base o facto do Homem viver em circunstância, ou seja, existir numa determinada situação. Vive numa determinada época, sociedade, cultura, marcada por determinados valores e preocupações dominantes. A consequência desta existência em situação é que o Homem coloca questões sobre os temas e preocupações dominantes na sua época. Por exemplo, hoje em dia, as questões ecológicas e sobre o futuro em relação entre Homem e Ciência são dominantes.

4- Universalidade
Se algumas questões são próprias e relevantes num determinado momento histórico no entanto, algumas dizem respeito e são comuns a todos os seres humanos. São interrogações universais no sentido em que podem ser colocadas por todos os seres humanos. Significa também que o objecto da Filosofia é a totalidade do saber, que as questões filosóficas que o Homem coloca dizem respeito a si próprio e a tudo o que o rodeia.